A lista definitiva de símbolos oficiais (e não oficiais) da Rússia — Parte 1
Símbolos oficiais
A bandeira, o brasão e o hino refletem as tradições seculares do país.
1. Veja mais sobre a bandeira russa aqui.
2. Saiba aqui como o hino russo evoluiu ao longo dos tempos e confira sua tradução em português.
3. Entenda a simbologia do brasão russo aqui.
Símbolos não oficiais
4. Bétula
Esta árvore é uma das mais comuns na Rússia. No passado, acreditava-se que a bétula protegia contra espíritos malignos. Tanto é que, no Domingo da Santíssima Trindade, as casas e igrejas eram decoradas com ramos de bétula e guirlandas eram tecidas com eles.
Na segunda metade do século 19, houve um verdadeiro “boom da bétula”: poetas e artistas celebraram a beleza calma e discreta dessa árvore. É difícil contar quantos quadros retratando bosques de bétulas os pintores criaram na arte mundial, mas é seguro dizer que é um dos símbolos mais reconhecíveis da Rússia, uma espécie de “tom nativo”.
5. Balalaica
A origem exata desse instrumento de cordas é desconhecida. Acredita-se que mercadores russos o levaram para a Bulgária do Volga já no século 10. A balalaica ficou popular no final do século 17.
Uma das primeiras referências à balalaica aparece em documentos de 1688. Segundo estes, “dois homens e uma balalaica foram conduzidos ao Streletsky Prikaz em Moscou e passaram pelo Portão de Iauza ao som do instrumento, conseguindo lançar insultos aos guardas entre músicas e apresentações”.
A balalaica ganhou sua forma moderna na segunda metade do século 19. Por volta dessa época, tornou-se um dos instrumentos mais difundidos no país, tocado tanto por camponeses quanto por orquestras.
O mundo conheceu a balalaica em 1889, quando músicos russos se apresentaram na Exposição Universal de Paris e depois fizeram uma turnê pela Europa. Este instrumento de três cordas cativou não somente o coração das pessoas em geral, mas também de monarcas. Em 1909, o músico Boris Troianovski tocou balalaica para o Rei Eduardo 7º da Grã-Bretanha e para o Rei Manuel 2º de Portugal.
6. Urso-pardo
O urso-pardo está longe de ser o único animal de grande porte que habita a Rússia, mas virou um símbolo do país para muitas pessoas. Existem razões bastante práticas para isso. Primeiro, antigamente, a pele de urso era um dos presentes mais comuns dados a embaixadores estrangeiros. Segundo, os ursos adestrados que os europeus viam vinham principalmente da Rússia. No século 16, a imagem de um urso foi usada até em mapas geográficos do país. Mais tarde, o nome ‘Urso Russo’ foi adicionado à imagem visual.
Fato é que ursos realmente vagavam pelas ruas russas antigamente. O urso grande e desajeitado, o mestre severo das florestas, é tanto um símbolo do poder da nação quanto do fato de que este animal jamais atacará primeiro, a menos que seja suficientemente provocado.
7. Válenki
Botas de lã de feltro eram calçados indispensáveis para quem vivia ou viajava em climas rigorosos. As válenki chegaram à Rússia central vindas da Sibéria e apenas os mais ricos podiam pagar por elas. Porém, em meados do século 19, botas simples do mesmo material podiam ser encontradas tanto em casas de camponeses quanto em mansões nobres. Não importa qual fosse o modelo, elas mantinham a pessoa aquecida até mesmo no frio mais intenso. No início, eram feitas à mão, mas, com o tempo, surgiram oficinas e depois fábricas. Algumas delas existem até hoje; por exemplo, na vila tártara de Kukmor, onde são fabricadas não somente as botas tradicionais de feltro, mas também modelos modernos em uma variedade de designs. Já em Iaroslavl, existe uma fábrica onde o corpo de feltro para as válenki ainda é moldado à mão.
8. Balé
As primeiras apresentações que poderiam ser chamadas de balé foram encenadas na corte do tsar Aleixo Mikhailovitch no final do século 17. A dança se difundiu mais em meados do século 18: os estudantes do Corpo de Cadetes Nobres Terrestres eram obrigados a frequentar as aulas de Jean-Baptiste Landé. Ele os treinou com tanto sucesso que, em poucos anos, os cadetes já se apresentavam no palco com dançarinos profissionais de uma companhia de teatro italiana. Mas o verdadeiro balé só alcançou o sucesso no século 19, graças ao coreógrafo Marius Petipa e ao compositor Piotr Tchaikovsky. Eles criaram um gênero único de balé russo, no qual a dança e a música desempenhavam papéis de igual importância, e adicionaram um toque nacional a ele. No século 21, o balé russo é uma marca admirada no mundo inteiro.
9. Maslenitsa
A semana de carnaval que antecede a Quaresma é uma das festividades mais alegres e fartas. Nos tempos antigos, os eslavos usavam as celebrações da Maslenitsa para se despedir do inverno e dar as boas-vindas à primavera. No cristianismo, tornou-se um período de preparação para o mais longo período de abstinência, seguido pela celebração da Páscoa. Esta semana também é conhecida como Semana do Queijo, quando os fiéis já não comem carne, mas podem consumir todos os tipos de laticínios.
No entanto, o prato principal das festividades da Maslenitsa são as bliní (como são conhecidas as panquecas), servidas com coberturas e recheios variados. Também são uma comida memorial, destinada a honrar os antepassados e, desse modo, garantir a fertilidade da terra na nova estação. Durante a Maslenitsa, as pessoas também procuravam por potenciais maridos e esposas. E a festança ainda termina com a queima de um boneco gigante que representa o inverno.
10. Matriochka
A principal boneca da Rússia tem só pouco mais de um século de existência. Ela foi inventada por Vassíli Zvezdotchkin, um torneiro de madeira de Moscou, no final do século 19. Ele vestiu sua ‘matriona’ (como chamou a boneca) com um ‘sarafan’ (vestido tradicional) e colocou um galo em suas mãos. Dentro dela ficavam estatuetas menores. O boom das matriochkas começou na era soviética, quando se tornou o souvenir mais popular que os turistas levavam para casa.
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