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O que está acontecendo na maior pintura da história da arte russa, “O Apelo de Mínin”, de Konstantin Makôvski?

Mais de 20 anos de trabalho e mais de 400 personagens em uma única tela monumental. Para exibi-la, foi necessário construir um pavilhão próprio. A obra recria um momento decisivo da história russa com uma intensidade que impressiona.

“A multidão avança como uma avalanche”, escreveu o escritor Maksim Górki sobre a pintura “O Apelo de Mínin”. Na imensa tela de cavalete, há mais de 400 personagens. Para a exibição da obra na Feira de Níjni Nôvgorod, foi construído um pavilhão separado.

Konstantin Makôvski era mestre da pintura de gênero e considerado um dos artistas mais caros de sua época.

Em 1870, o presidente da Academia de Artes, o grão-príncipe Vladímir Aleksándrovitch, propôs aos professores e alunos a criação de obras dedicadas ao feito de Kuzmá Mínin.

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Trata-se de um dos episódios mais conhecidos do Tempo das Dificuldades russo: a formação, na cidade de Níjni Nôvgorod, de uma milícia contra os invasores lituano-poloneses. Em 1610, Moscou foi ocupada por uma guarnição polaco-lituana, e isso durou dois anos.

Seguindo o apelo do patriarca Hermógenes, a população começou a organizar a milícia, mas a primeira tentativa fracassou. Em 1611, o chefe municipal Kuzmá Mínin passou a conclamar os moradores de Níjni Nôvgorod a resistirem às tropas polonesas. Ele organizou a arrecadação de recursos para a milícia. Logo se uniu a ele o príncipe Dmítri Pojárski, que assumiu a liderança da resistência. O exército formado derrotou os poloneses e, em 6 de novembro de 1612, a guarnição estrangeira se rendeu.

Um enredo vindo do passado

Arquivo

Makôvski decidiu abordar o tema, viajou a Níjni Nôvgorod, pesquisou arquivos, fez esboços e buscou tipos humanos.

O processo foi lento: o artista queria se afastar de suas habituais telas “decorativas” e dar maior profundidade à nova obra. Outra fonte de inspiração foi a monumental pintura de Iliá Répin “Os Cossacos Zaporojianos escrevem uma carta ao Sultão Turco”, concluída em 1891.

Makôvski voltou repetidas vezes a Níjni Nôvgorod, leu documentos e observou a vida local. Foi nesse período que conheceu o fotógrafo Andrêi Karélin, colecionador de antiguidades. Muitos desses objetos serviram de modelo para “O Apelo de Mínin”.

Estava claro que seria uma obra gigantesca, muito maior do que tudo o que o artista havia feito até então. Restava encontrar um ateliê adequado para uma tela tão grande, o que acabou sendo um problema: simplesmente não havia um espaço adequado na Rússia. A solução veio de Paris.

Makôvski encontrou o ateliê que havia pertencido a outro famoso pintor russo, Vasíli Verescháguin. Ele era perfeitamente equipado, com um pavilhão de verão para trabalho com luz natural. Sobre uma plataforma circular, trilhos permitiam mover um pequeno vagão onde ficavam os adereços e onde o artista trabalhava.

A pintura ganha vida”

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O artista criou uma verdadeira sinfonia pictórica com mais de 400 figuras. No centro da composição está Kuzmá Mínin, posicionado na rua Ivánovski Spusk, que liga o Kremlin de Níjni Nôvgorod à Praça do Comércio. Ele conclama a população a doar bens e dinheiro para organizar a milícia. Alguns habitantes já atendem ao chamado: em primeiro plano, vê-se uma montanha de objetos entregues.

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À direita, um clérigo lê um documento — provavelmente uma mensagem do patriarca Hermógenes. Ao mesmo tempo, uma procissão sai da Igreja de São Nicolau com o ícone da Mãe de Deus de Kazan.

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“Basta olhar por uns dez minutos, e a pintura ganha vida. Você começa a ver uma multidão real, excitada, cheia de uma força terrível, reunida para ‘fazer história’”, escreveu o autor russo Maksim Górki.

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No total, a criação dessa imensa tela (698 × 594 cm) levou mais de 20 anos. Em 1896, a obra foi levada da França para Níjni Nôvgorod, para a Exposição Artística e Industrial de Toda a Rússia, onde foi exibida em um pavilhão próprio. Mais tarde, “O Apelo de Mínin” também foi exibida em Moscou e São Petersburgo.

Makôvski acabou doando a pintura à cidade de Níjni Nôvgorod: entre 1908 e 1972, ela ficou no Salão de Brasões da Duma municipal. Depois, foi transferida para uma sala especialmente construída para ela no Museu de Arte de Níjni Nôvgorod.

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