Você sabia que a ‘arte corporal’ foi inventada por um artista russo há mais de 100 anos?
Um círculo verde e raios amarelos se destacavam na bochecha direita de Larionov, enquanto Bolchakov exibia listras e pontos azuis e vermelhos na bochecha, pescoço e camisa. Assim que os moscovitas começavam a se recuperar do choque, Larionov reapareceu, desta vez no café literário “A Lanterna Rosa”, com o rosto completamente pintado de preto.
Pouco depois, ele redigiu um manifesto, juntamente com o poeta Iliá Zdanevitch, no qual descrevia a pintura facial como uma forma de “nova joalheria popular”: “Nós invocamos a vida, e a vida irrompeu em arte; agora é a vez da arte irromper na vida. A pintura facial é o início dessa invasão.”
Segundo Larionov, os homens deveriam trançar fios de ouro nos cabelos, raspar parte do bigode ou metade da barba e decorar as pernas com desenhos. As mulheres, por sua vez, deveriam pintar os seios.
Jornais de Moscou anunciaram passeios públicos onde artistas pintariam os rostos de todos os voluntários. Também relataram que várias mulheres haviam procurado o futurista Larionov, oferecendo-se como modelos para que ele pintasse em seus corpos os desenhos descritos em seus manifestos. Algumas de suas obras de maior sucesso foram até mesmo descritas: “Seu decote profundo e um de seus ombros estavam completamente cobertos por um desenho radiante.”
Mais de um século antes de a arte corporal se popularizar nas passarelas e festivais contemporâneos, Larionov já defendia a ideia de transformar o corpo humano em uma tela viva e levar a arte para fora dos museus, integrando-a ao cotidiano.
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