O artista que deu vida aos contos de fadas russos
Se você cresceu na Rússia e seus pais liam contos de fadas para você, então, é bem provável que as ilustrações extraordinárias de Ivan Bilibin (1876-1942) estejam gravadas em sua mente para sempre.
Este virtuoso artístico originalmente tinha o sonho de se tornar advogado e até se formou em Direito pela Universidade de São Petersburgo em 1900. Sua vocação jurídica, no entanto, não interrompeu suas aspirações artísticas, e ele estudou pintura com vários artistas famosos, incluindo Ilya Repin.
O talento de Bilibin era bastante requisitado, indo além do mundo editorial. Por ser um conhecedor de trajes tradicionais e históricos, ele participou da criação de cenários para óperas e balés em todo o mundo, inclusive em Praga, Paris e Buenos Aires. Acima, vemos o esboço de Bilibin para o figurino de um personagem de conto de fadas eslavo, Koschei, no balé “O Pássaro de Fogo” de Igor Stravinski.
A imaginação vívida de Bilibin e seu talento para desenhar todos os tipos de pássaros místicos foram úteis de forma totalmente inesperada. Sua ilustração de uma águia de duas cabeças foi adotado como o símbolo oficial do Império Russo em 1917 (embora tenha sido abandonado apenas um ano depois, quando os bolcheviques tomaram o poder).
Quase 75 anos depois, porém, a águia de Bilibin inspirou nossos contemporâneos e agora é usada como o emblema oficial do Banco Central Russo. Pegue uma moeda cunhada antes de 2016 e observe a cara – você estará olhando para uma das muitas obras-primas de Bilibin.
Hoje, Bilibin é lembrado sobretudo como um ilustrador de contos de fadas, mas ele também criou imagens para romances.
Fugindo da Rússia Revolucionária, Bilibin acabou em um acampamento no Cairo, onde as autoridades inglesas abrigavam refugiados russos chegando de navio. O artista passou cinco anos na capital egípcia e depois se mudou para Alexandria, antes de seguir para Paris.
Embora Bilibin tenha fugido da Rússia Soviética, ele não simpatizava com o regime tsarista. O artista havia sido preso em 1906 por sua participação no desenvolvimento de uma revista satírica antiautocrática, a ‘Jupel’. Acima, podemos ver uma caricatura política do tsar feita por Bilibin.
No Egito, Bilibin ganhava a vida fazendo afrescos para decorar as casas de pessoas ricas, mas também estudou a arte egípcia antiga. Nesta pintura, Bilibin retrata o pátio interno da mesquita de Al-Azhar e da Universidade do Cairo.
Bilibin descobriu seu estilo característico enquanto passava uma temporada no vilarejo de Iogna, a 400 quilômetros de Moscou. Lá, o artista criou uma série de ilustrações para contos de fadas folclóricos russos: ‘O Príncipe Ivan’, ‘O Pássaro de Fogo’ e ‘O Lobo Cinzento’, que se tornariam icônicas e definiriam seu estilo artístico para sempre.
Além de famosos personagens de contos de fadas, Bilibin criou decorações de palco notáveis como esta, os Jardins de Tchernomor, para a ópera ‘Ruslan e Ludmila’.
Quase todas as pinturas de Bilibin personificam a cultura folclórica russa. Por exemplo, esta paisagem rural pintada em 1911 vai parecer familiar para qualquer pessoa que já tenha visitado o interior da Rússia.
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