Este linguista podia ensinar qualquer idioma a qualquer pessoa em poucas horas
‘Окно’ (janela). Substantivo, inanimado, gênero neutro, 2ª declinação (tipo de declinação 1*d de acordo com a classificação de A. A. Zalizniak).
Se você digitar qualquer palavra russa em um mecanismo de busca, os resultados irão invariavelmente listar suas características gramaticais, incluindo o tipo de classificação de A. A. Zalizniak. Mas quem é essa pessoa misteriosa?
Talento para a linguagem
O linguista e especialista na língua russa e sua história Andrei Zalizniak (1935–2017) era fluente também em inglês, francês, sueco, árabe e até mesmo em escrita cuneiforme persa antiga.
Zalizniak dedicou sua vida toda à linguística, demonstrando o verdadeiro zelo de um pioneiro, e morreu literalmente em sua mesa, enquanto fazia correções em um manuscrito.
Ele acreditava que qualquer idioma poderia ser aprendido em poucas horas, até mesmo o árabe. Com isso, criou seu próprio sistema, que testou com sucesso em alunos.
Mas sua paixão por idiomas começou por acaso. Certa vez, quando era estudante e se recuperava de uma concussão, Andrei estava desanimado em casa. Um livro didático de francês chamou sua atenção e, por tédio, ele o aprendeu de cor.
Botando computadores para ler
Zalizniak se formou na Faculdade de Filologia da Universidade Estatal de Moscou e se mudou para a França em um programa de intercâmbio. Lá, foi convidado a ensinar russo como língua estrangeira. Enquanto refletia sobre como explicar as declinações aos franceses, criou seu próprio dicionário em fichas e, a partir disso, nasceu a ideia de uma nova classificação.
O “Dicionário Gramatical da Língua Russa” de Zalizniak se tornou, mais tarde, a base para a verificação ortográfica e o reconhecimento de texto nos primeiros sistemas de busca computadorizados russos.
Especialista em línguas antigas
Uma das maiores paixões de Zalizniak eram os manuscritos em casca de bétula da Rússia Antiga. Seu fascínio por eles nasceu por acaso, quando um amigo lhe mostrou alguns exemplares. Eventualmente, essas mensagens vívidas dos séculos 11 e 12 viraram um de seus maiores interesses científicos e ele chegou a decifrar um manuscrito sobre o qual toda a Academia de Ciências havia se debruçado por quase 40 anos.
Depois disso, o linguista começou a viajar em expedições a Velíki Nôvgorod em busca de novos manuscritos, e suas palestras sobre as descobertas na Universidade Estatal de Moscou atraíam plateias lotadas.
Zalizniak também estudou meticulosamente “O Conto da Campanha de Ígor”, um dos monumentos mais antigos da literatura russa, e acabou recebendo o Prêmio Estatal por essa obra. Ele assumiu a tarefa por mera curiosidade – para determinar se o documento era mesmo autêntico, já que esse debate surgia com frequência no discurso público.
No entanto, o seu foco não se limitava ao russo antigo; ele também estudou sânscrito, hebraico antigo e outros idiomas.
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