O que significa a expressão russa “raspar os compartimentos de grãos”?
No conto folclórico russo ‘Kolobok’, uma velhinha decide assar um pão. Não resta absolutamente nada de farinha, então, seu marido a aconselha: “Raspa os compartimentos de grão, varre o celeiro e, talvez, você consiga juntar um pouco de farinha”. No fim das contas, ela assa um pão redondo — um kolobok — com tudo o que conseguiu reunir.
Aqui, precisamos entender aonde a velhinha realmente foi buscar a farinha. Os ‘ambári’, ou celeiros, eram usados para armazenar alimentos e mantimentos para o inverno, protegendo-os do mau tempo e de roedores. Já os ‘susséki’ (compartimentos ou caixas de grãos) eram caixotes especiais dentro desses celeiros onde a farinha ou os grãos eram armazenados. Às vezes, também eram usados para estocar provisões de emergência.
Quando os suprimentos estavam quase no fim, restava uma última chance: raspar ou revirar as frestas e o fundo dessas caixas de grãos para coletar o que havia sobrado.
Com o tempo, a expressão migrou da vida camponesa para a linguagem literária e, mais tarde, adquiriu um uso mais amplo. “Raspar os compartimentos de grãos” passou a se referir não apenas aos grãos restantes, mas a qualquer reserva prestes a acabar. Um equivalente em português seria “raspar o tacho” ou “raspar o fundo do barril”.
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