Como era a Rússia em 1986
Mikhail Gorbatchov estava no poder desde 1985, e seu governo vinha traçando um rumo para mudanças no país: melhorando as relações com o Ocidente, flexibilizando a censura, relaxando a tolerância religiosa e planejando um caminho rumo à democratização.
Gorbatchov delineou seus planos de liberalização no gigantesco 27º Congresso do Partido Comunista da URSS, que aconteceu no Kremlin de Moscou. Apesar de todas as “liberdades” recém-conquistadas, o país ainda sofria com a escassez e longas filas para a compra de produtos, e as políticas de Gorbatchov acabaram levando ao desmantelamento da URSS, pelo qual ele é frequentemente criticado.
Na década de 1980, as plataformas de agitação social começaram a ser usadas para outros fins. No slogan da imagem, lê-se: “Implementar as decisões do 27º Congresso do PCUS na vida real!”.
Desde o ano anterior, havia uma campanha antiálcool em curso na URSS: “A sobriedade é a norma da vida”. As autoridades reduziram a produção de álcool, fecharam lojas e aumentaram os preços. Esta foto mostra uma manifestação em homenagem ao Dia da Sobriedade.
As autoridades promoviam a sobriedade e até organizavam demonstrações, como casamentos sem álcool.
O resultado, porém, foi o descontentamento público, vinhedos destruídos e filas enormes para comprar vodca.
De modo geral, filas de espera e escassez eram características marcantes da época. Sempre que mercadorias ou produtos alimentícios chegavam a alguns mercados, multidões se formavam instantaneamente. As pessoas podiam ficar na fila por um par de botas ou um conjunto de móveis por até 24 horas.
Batatas e repolho, por exemplo, costumavam ser vendidos diretamente dos caminhões.
O não conformismo começou a ganhar espaço como expressão artística.
O artista e escultor Vadim Sidur começou a criar objetos de arte a partir de lixo.
Teve também início a era da moda soviética. A foto abaixo mostra um desfile do estilista Slava Zaitsev.
Em vez de desfiles oficiais e marchas em filas ordenadas, os jovens começaram a organizar festas mais informais.
Apesar dos tempos de paz, as crianças continuavam a correr com máscaras de gás durante a “Zarnitsa” (jogos militares e esportivos) nos acampamentos de pioneiros.
Um dos passatempos nacionais era ajudar na colheita de batatas. As aldeias careciam de mão de obra, por isso, voluntários e estudantes iam trabalhar nos campos.
O rock virou o gênero musical desta geração, representado pela banda ‘Kino’ e seu carismático vocalista Viktor Tsoi.
Grupos de rock amadores estavam surgindo aos montes.
Apresentações teatrais amadoras também eram muito valorizadas.
Em 1986, ocorreu uma catástrofe na Ucrânia soviética: o acidente na usina nuclear de Chernobyl. A precipitação radioativa também afetou várias regiões do sul da Rússia soviética.
A ONU declarou 1986 o “Ano da Paz”. A primeira estação orbital, “Mir” (paz, em russo), foi lançada ao espaço. A foto abaixo mostra os participantes da primeira expedição à estação, a tripulação da espaçonave soviética “Soyuz” T-15: o comandante Leonid Kizim (à esquerda) e o engenheiro de voo Vladimir Soloviov.
Diversos eventos foram promovidos na URSS com o objetivo de apoiar e “promover” a paz. Até mesmo as escolas realizaram aulas dedicadas a esse tema.
Os primeiros Jogos da Amizade foram realizados na URSS.
Uma corrida internacional pela paz também aconteceu em Moscou.
A capital também recebeu uma grande exposição intitulada “Mestres da Cultura para a Paz”. Esta foto mostra os membros da organização americana “Crianças como Professoras da Paz” durante a mostra.
Até mesmo a Igreja Ortodoxa Russa, que as autoridades haviam começado a tratar com mais leniência nos anos anteriores, aderiu aos eventos pela paz. A foto abaixo mostra o Patriarca Pimen (o segundo da direita) em uma cerimônia de oração “Pela paz em todo o mundo”.
Um verdadeiro paradoxo soviético dos anos 1980: um padre abençoando meninas pioneiras.
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