3 mulheres que se disfarçaram de homens durante a guerra
1. Nadejda Durova
Desde criança, Durova se sentia atraída por brincadeiras nada infantis: “A sela foi meu primeiro berço; um cavalo, uma arma e música regimental – meus primeiros brinquedos e diversões!”
Ela não conseguia encontrar felicidade na vida familiar. Em 1806, três anos após o nascimento de seu filho, cortou os cabelos, adquiriu um uniforme militar e foi para a guerra com a Quarta Coalizão.
Sob o nome de Aleksandr Aleksandrov, ela se juntou à cavalaria – cavalgava e empunhava um sabre com maestria. Tanto é que, após salvar a vida de um oficial ferido, foi condecorada com a Cruz de São Jorge e promovida a oficial.
Quando foi, enfim, descoberta e estava prestes a ser mandada para casa, Durova apelou ao próprio imperador Alexandre 1º, pedindo para permanecer no exército. Para surpresa de todos, o monarca atendeu ao pedido da corajosa jovem.
A “donzela da cavalaria” lutou bravamente contra o inimigo na Guerra Patriótica de 1812 e chegou a servir como ordenança do comandante-chefe Mikhail Kutuzov. Ela ascendeu ao posto de capitã do Estado-Maior e se aposentou em 1816, dedicando seus últimos dias à redação de suas memórias.
2. Kira Bachkirova
No início da Primeira Guerra Mundial, Kira, de 16 anos, estudava na Escola Superior Feminina de Vilno (atual Vilnius), mas, por algum motivo, decidiu desertar para a frente de batalha.
A jovem cortou o cabelo, vendeu alguns pertences e, com o dinheiro, comprou um uniforme de soldado. Em seguida, roubou a carteira de estudante de seu primo Nikolai Popov e foi para o regimento de infantaria em Lodz.
O disfarce funcionou – ela foi alistada na unidade. Lutou bravamente e foi condecorada com a Cruz de São Jorge, de 4ª classe. A verdade, porém, veio à tona quando Kira foi parar no hospital.
Ao ser descoberta, ela foi mandada para casa, mas a jovem inquieta conseguiu escapar e foi servir em outra unidade. Quando seu segredo foi revelado lá também, Bachkirova, usando seu nome verdadeiro, pediu ao comando permissão para ficar. Para sua alegria, o pedido foi atendido.
Mais tarde, ela também se destacou durante a Segunda Guerra Mundial: atuou como enfermeira em um hospital militar em Murmansk e foi condecorada com as medalhas Por Mérito Militar e Pela Defesa do Ártico Soviético.
3. Evdokia Zavali
Evdokia Zavali servia como enfermeira no início da Segunda Guerra Mundial, até que representantes do Corpo de Fuzileiros Navais chegaram ao quartel de seu regimento. Eles estavam recrutando voluntários e a notaram.
A jovem de cabelos curtos em uniforme militar era praticamente indistinguível dos homens. Seu nome em seus documentos estava abreviado como ‘Evdok’, mas era lido como Evdokim. Zavali não tentou convencer ninguém do contrário e foi para o Cáucaso do Norte lutar com os fuzileiros navais.
“Consegui resistir por cerca de um ano. Ninguém suspeitou de nada”, lembrou Evdokia. “Eles imediatamente me reconheceram como ‘uma deles’ e, depois que capturei um oficial alemão perto de Mozdok, me enviaram para uma unidade de reconhecimento e logo me tornei comandante.”
Em uma das batalhas, Evdokia foi ferida e a verdade sobre o “Camarada Evdokim” foi revelada. No entanto, ela não só não foi dispensada, como foi enviada para treinamento de tenente júnior – a essa altura, já havia conquistado o respeito dos soldados.
Ao retornar, Zavali recebeu o comando de um pelotão de metralhadores. A mulher era tão corajosa e resiliente que 50 homens robustos a obedeciam sem questionar.
A “Frau Morte Negra”, como os nazistas a apelidaram, participou da libertação da Crimeia, de sua região natal, Odessa, da Iugoslávia e da Hungria. Recebeu quatro condecorações e uma dúzia de medalhas.
Somando quatro ferimentos e duas concussões, ela acabou abandonando a carreira militar e foi desmobilizada em 1947.
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