5 fatos sobre o monumento “Operário e Mulher Kolkosiana”
1. O monumento foi criado por uma mulher que não tinha nenhuma ligação com o proletariado
A escultora Vera Múkhina nasceu em Riga, em 1889, em uma família de comerciantes. Na juventude, interessou-se pelo impressionismo e pela vanguarda, e estudou escultura em Paris, inclusive com Émile-Antoine Bourdelle.
Após a Revolução de 1917, ela mergulhou de cabeça no trabalho para o governo soviético. Produziu esboços de roupas de trabalho femininas e criou monumentos dedicados a importantes revolucionários e figuras da cultura. Múkhina se tornaria uma das principais ideólogas do realismo socialista na escultura e foi ela que criou o monumento “Operário e Mulher Kolkosiana”, o símbolo do poder do jovem Estado soviético.
2. O monumento apareceu pela primeira vez na Exposição Universal de Paris, em 1937
A escultura “Operário e Mulher Kolkosiana”, com seus 24 metros de altura, coroou o pavilhão soviético durante a mostra em Paris. O arquiteto-chefe do projeto, Boris Iofan, explicou: “O rapaz e a moça personificam os donos da terra soviética — a classe operária e o campesinato dos kolkhozes [fazendas coletivas]. Eles erguem bem alto o emblema da Terra dos Sovietes — a foice e o martelo”. Em dias ensolarados, toda a composição parecia brilhar, dando a impressão de que as figuras estavam voando. Mas a escultura também carregava um forte significado político.
O pavilhão soviético foi construído exatamente em frente ao da Alemanha nazista, coroado por uma gigantesca águia segurando uma suástica. A imponência de “Operário e Mulher Kolkosiana” foi pensada justamente para eclipsar o símbolo do Terceiro Reich e transformar a exposição em uma verdadeira disputa arquitetônica e ideológica entre os dois regimes.
3. Foi utilizada uma liga metálica única
As figuras foram moldadas em aço inoxidável cromo-níquel. A liga havia sido desenvolvida pelo professor Piotr Lvov e, até então, era usada apenas no revestimento de aeronaves.
O material não foi escolhido por acaso: ele refletia a luz muito melhor do que os metais tradicionalmente empregados em esculturas. Foi uma aposta certeira para destacar o monumento na paisagem da exposição.
O processo de fundição levou mais de três meses. O maior desafio foi justamente o famoso lenço: a peça, que pesa cinco toneladas, precisava permanecer suspensa sem apoios aparentes e ainda transmitir leveza. Para isso, foi criada uma estrutura interna especial.
A escultura foi desmontada em 65 partes e enviada para Paris em 28 vagões de trem.
4. A escultura teve protótipos da Antiguidade e da era soviética
Uma das principais referências históricas para a obra foi a escultura grega “Os Tiranicidas”, em que Harmódio e Aristógito aparecem lado a lado, avançando com um dos braços estendidos.
A modelo da mulher kolkosiana foi uma jovem komsomol de 18 anos que Vera Múkhina encontrou por acaso. Para a figura do operário, houve dois modelos: o corpo foi inspirado no bailarino Ígor Basenko, enquanto o rosto “proletário” veio de um construtor do metrô que a escultora viu durante um desfile esportivo.
5. Adorna atualmente o VDNKh
Após a Exposição Universal de Paris, a escultura retornou à URSS e foi instalada nas proximidades do parque e maior complexo de exposições soviético, o VDNKh. Instalado às pressas, o monumento acabou sendo colocado sobre um pedestal baixo, o que desagradou profundamente a autora. Foi somente em 2009, após uma grande reforma do parque, que as figuras voltaram a ocupar uma altura de 34 metros — como Vera Múkhina e Boris Iofan haviam idealizado.
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