GW2RU
GW2RU

5 fatos sobre o monumento “Operário e Mulher Kolkosiana”

“Operário e Mulher Kolkosiana” na entrada principal do parque e complexo de exposições VDNKh
Dmítri Serebriakov / TASS
Inaugurada em Paris, escultura que representava o poder do jovem Estado soviético ficou cara a cara com monumento nazista antes de ganhar um lar em Moscou.

1. O monumento foi criado por uma mulher que não tinha nenhuma ligação com o proletariado

Retrato da escultora Vera Múkhina
Aleksandr Gribóvski / TASS

A escultora Vera Múkhina nasceu em Riga, em 1889, em uma família de comerciantes. Na juventude, interessou-se pelo impressionismo e pela vanguarda, e estudou escultura em Paris, inclusive com Émile-Antoine Bourdelle.

Após a Revolução de 1917, ela mergulhou de cabeça no trabalho para o governo soviético. Produziu esboços de roupas de trabalho femininas e criou monumentos dedicados a importantes revolucionários e figuras da cultura. Múkhina se tornaria uma das principais ideólogas do realismo socialista na escultura e foi ela que criou o monumento “Operário e Mulher Kolkosiana”, o símbolo do poder do jovem Estado soviético.

2. O monumento apareceu pela primeira vez na Exposição Universal de Paris, em 1937

Panorama da Exposição Internacional de 1937 em Paris: à direita, está o pavilhão da URSS com o monumento “Operário e Mulher Kolkosiana”; em frente, está o pavilhão alemão com uma águia no topo; e no centro, ergue-se a Torre Eiffel
Domínio público

A escultura “Operário e Mulher Kolkosiana”, com seus 24 metros de altura, coroou o pavilhão soviético durante a mostra em Paris. O arquiteto-chefe do projeto, Boris Iofan, explicou: “O rapaz e a moça personificam os donos da terra soviética — a classe operária e o campesinato dos kolkhozes [fazendas coletivas]. Eles erguem bem alto o emblema da Terra dos Sovietes — a foice e o martelo”. Em dias ensolarados, toda a composição parecia brilhar, dando a impressão de que as figuras estavam voando. Mas a escultura também carregava um forte significado político.

O pavilhão soviético foi construído exatamente em frente ao da Alemanha nazista, coroado por uma gigantesca águia segurando uma suástica. A imponência de “Operário e Mulher Kolkosiana” foi pensada justamente para eclipsar o símbolo do Terceiro Reich e transformar a exposição em uma verdadeira disputa arquitetônica e ideológica entre os dois regimes.

3. Foi utilizada uma liga metálica única

Legion Media

As figuras foram moldadas em aço inoxidável cromo-níquel. A liga havia sido desenvolvida pelo professor Piotr Lvov e, até então, era usada apenas no revestimento de aeronaves.

O material não foi escolhido por acaso: ele refletia a luz muito melhor do que os metais tradicionalmente empregados em esculturas. Foi uma aposta certeira para destacar o monumento na paisagem da exposição.

O processo de fundição levou mais de três meses. O maior desafio foi justamente o famoso lenço: a peça, que pesa cinco toneladas, precisava permanecer suspensa sem apoios aparentes e ainda transmitir leveza. Para isso, foi criada uma estrutura interna especial.

A escultura foi desmontada em 65 partes e enviada para Paris em 28 vagões de trem.

4. A escultura teve protótipos da Antiguidade e da era soviética

Reconstrução da obra de Múkhina
Mikhail Fomitchev / Sputnik

Uma das principais referências históricas para a obra foi a escultura grega “Os Tiranicidas”, em que Harmódio e Aristógito aparecem lado a lado, avançando com um dos braços estendidos.

A modelo da mulher kolkosiana foi uma jovem komsomol de 18 anos que Vera Múkhina encontrou por acaso. Para a figura do operário, houve dois modelos: o corpo foi inspirado no bailarino Ígor Basenko, enquanto o rosto “proletário” veio de um construtor do metrô que a escultora viu durante um desfile esportivo.

5. Adorna atualmente o VDNKh

Com o objetivo de arrecadar fundos para a restauração, a campanha “Monólito” vestiu a escultura com as cores da bandeira russa
Vladímir Fedorenko / Sputnik

Após a Exposição Universal de Paris, a escultura retornou à URSS e foi instalada nas proximidades do parque e maior complexo de exposições soviético, o VDNKh. Instalado às pressas, o monumento acabou sendo colocado sobre um pedestal baixo, o que desagradou profundamente a autora. Foi somente em 2009, após uma grande reforma do parque, que as figuras voltaram a ocupar uma altura de 34 metros — como Vera Múkhina e Boris Iofan haviam idealizado.

Siga-nos no Telegram para receber os nossos artigos e vídeos em tempo real!