5 coisas que todo apartamento soviético tinha
1. Um conjunto de louça no aparador
Um conjunto de porcelana – de jantar, chá ou café – era considerado uma aquisição básica, porém valiosa. Era também visto como um presente apropriado; costumavam ser comprados como um presente coletivo para recém-casados ou para aniversários de colegas. Os conjuntos eram caros e difíceis de obter; muitas vezes eram adquiridos por meio de conhecidos. As louças bonitas eram raramente usadas no dia a dia; de um modo geral, eram colocadas na mesa apenas em ocasiões especiais e, em alguns casos, jamais saíam do aparador.
Em média, um conjunto de chá para seis pessoas incluía mais de dez peças: xícaras, pires, um bule de chá, uma leiteira e um açucareiro.
2. Itens de cristal
Possuir itens de decoração e louças de cristal era considerado algo prestigioso na União Soviética. Esses objetos eram mantidos em um lugar de destaque, em uma cristaleira, ao lado dos conjuntos de jantar de porcelana, e retirados apenas em ocasiões especiais.
As fábricas soviéticas produziam em cristal desde copos e taças, saladeiras e vasos, decantadores e jarras a tigelas para caviar e arenque, bombonieres e travessas de frutas. Além do incolor, também se produzia cristal colorido. Diferentes metais e seus óxidos coloriam os utensílios de mesa em diferentes tonalidades: o ouro trazia uma cor vermelha, o cobalto vinha com o azul e o manganês chamava para o roxo.
3. Estatuetas de porcelana
Produzidas em grandes quantidades, essas figuras de porcelana eram baratas. Os escultores criavam composições com temas compreensíveis para o mercado de massa: infância, personagens de contos de fadas e literatura, e personalidades famosas.
Em 1957, a URSS lançou o ‘Sputnik’, o primeiro satélite artificial da Terra, marcando o início da era espacial — inclusive na porcelana. Pequenas figuras de foguetes e cosmonautas, bem como bustos de Iúri Gagárin e Guêrman Titov, apareceram nas salas de estar de muitos soviéticos. A Fábrica de Porcelana Dmitrov lançou também uma figura de ‘Belka e Strelka’ em homenagem aos primeiros animais a deixarem os limites da Terra.
4. Tapetes na parede
Até a década de 1960, os tapetes eram considerados um artigo de luxo. Nas paredes dos lares soviéticos, havia tapeçarias finas penduradas, geralmente representando animais, e na maioria das vezes veados. Mesmo depois de se tornarem mais acessíveis e disponíveis para o mercado de massa, os tapetes ainda eram bastante caros. Os modelos mais grossos com padrões de estilo oriental eram escolhidos com cuidado e esmero e raramente colocados no chão; em vez disso, eram pendurados na parede. Os tapetes eram comprados não apenas por status, mas também por razões práticas. Eles amorteciam os sons, escondiam imperfeições no acabamento da parede e também ajudavam a isolar os cômodos. Os tapetes turcomanos eram uns dos melhores.
5. Abajures
Abajures com padrões geométricos, vegetais ou florais, decorados com franjas ou borlas, eram bem populares. A cor e a textura do tecido geralmente combinavam com o resto da decoração da casa, porém, tons de vermelho, rosa, laranja e amarelo eram mais comuns, porque proporcionavam uma luz suave e quente. Às vezes, as donas de casa costuravam os próprios abajures, usando moldes e instruções de revistas.
A versão integral desta reportagem (em russo) pode ser encontrada no site Culture.Ru
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