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O que é a OSA e como ela influenciou a arquitetura russa?

Janela para a Rússia (Foto: Museu de Arquitetura Schusev)
Cidades-jardim, com bairros, fábricas e casas comunitárias. Em meados dos anos 1920, membros da ‘Obchestvo Sovremennikh Arkhitektori’ (‘Sociedade de Arquitetos Modernos’; OSA) projetaram edifícios funcionais no estilo construtivista para o recém-nascido povo soviético.

Um dos primeiros a falar sobre as cidades do futuro foi o poeta futurista Velimir Khlebnikov. Em seu ensaio ‘Nós e as Casas’, ele descreveu a ‘cabana de vidro’ – uma moradia compacta feita de vidro curvo. Nela, era possível relaxar, mas também viajar, e ainda havia a possibilidade de combinar esses “apartamentos” em hotéis ou complexos residenciais – eles não estavam vinculados a um edifício ou local específico. Seus habitantes se tornavam “cidadãos do mundo”.

O poeta descreveu projetos arquitetônicos que pareciam saídos de um filme de ficção científica: casas em forma de álamo, edifícios em forma de tubo, casas que se pareciam com filmes, edifícios em forma de livro. Meio século depois, quatro arranha-céus seriam construídos na Novy Arbat, em Moscou, com silhuetas lembrando livros abertos.

Não um estilo, mas um método

Brigada da Seção de Assentamento Socialista do Setor de Construção do Plano Estadual da RSFSR // Projeto para o Palácio dos Sovietes em Moscou (1932)
Museu de Arquitetura Schusev

Construtivistas famosos participaram desse movimento – Aleksandr e Viktor Vesnin, Moisei Guinzburg, Aleksandr Ródtchenko e Varvara Stepanova, Lazar Khidekel, Ivan Leonidov e outros. Eles não inventaram um estilo novo; preferiam dizer que estavam criando um novo método para moldar o espaço urbano, recorrendo a vidro, concreto e metal.

Palácio da Cultura do distrito Proletarsky em Moscou projetado pelos arquitetos A.A. Vesnin, V.A. Vesnin, L.A. Vesnin
Museu de Arquitetura Schusev

Com formas simples, integração ao espaço circundante e foco na funcionalidade, os construtivistas criaram tipos de edifícios fundamentalmente novos. Um dos primeiros foi o projeto dos irmãos Vesnin para o Palácio do Trabalho. Este prédio foi concebido para servir simultaneamente como Casa dos Sovietes, centro cultural, museu e espaço para congressos. Os arquitetos propuseram construí-lo com um material então novo: concreto armado. O ambiente foi organizado de forma única, abandonando o sistema de pátios internos para acomodar todos os serviços necessários em uma torre de 20 andares. Além disso, um enorme salão transformável poderia acomodar mais de 10.000 pessoas.

Os membros da OSA não estipulavam uma função para seus projetos – eram flexíveis e adaptáveis. Por exemplo, Ivan Leonidov projetou um clube operário com um parque e campos esportivos que mais parecia uma estação espacial. A ideia era que servisse como um espaço educacional multifuncional, onde as pessoas podiam frequentar aulas diversas, mas que também pudesse ser transformado para diferentes fins – desde exibições de filmes até a instalação de um planetário.

Projeto “Esquema de organização cultural espacial”, concebido por Ivan Leonidov em 1928
Museu de Arquitetura Schusev

O projeto para o Instituto Lênin de Biblioteconomia, apresentado por Leonidov em 1927, foi uma verdadeira surpresa. O arquiteto combinou um elegante edifício de vários andares para o armazenamento de livros com um auditório esférico, ambos “flutuando” acima das construções de um único andar situadas na área do parque. As ideias visionárias de Leonidov influenciaram vários arquitetos: por exemplo, os trabalhos de Oscar Niemeyer em Brasília tiveram influência do russo, enquanto Le Corbusier chamou Leonidov de “um homem com uma sensibilidade apurada para arquitetura”.

Criadores de edifícios padronizados

Maquete da Maison Guiette (Les Peupliers), projetada por Le Corbusier e Pierre Jeanneret entre 1926 e 1927 em Antuérpia, Bélgica
Museu de Arquitetura Schusev

A Associação de Arquitetos Modernos buscava criar projetos padronizados que pudessem ser construídos em toda a União Soviética. Isso levou ao surgimento de edifícios fundamentalmente novos que combinavam moradia com instalações culturais e sociais – complexos residenciais a partir dos quais cidades inteiras seriam formadas. Para se ter ideia, esses edifícios abrigavam não apenas cem ou duzentas pessoas; o número de moradores chegava a milhares. Mais tarde, eles evoluiriam para bairros, definindo a cara da arquitetura soviética pelas décadas seguintes.

Construindo a Cidade do Futuro

Por exemplo, em 1928 e 1929, o arquiteto Nikolai Kuzmin projetou um área de moradia para mineiros em Anjero-Sudjensk. Sua população estava crescendo rápido, mas não havia mais onde morar. Com o tempo, os padrões morais começaram a ser negligenciados, e muitos na cidade passaram a beber e causar desordem.

Antes de criar seu projeto, Kuzmin estudou a cidade por um longo período de tempo e praticamente elaborou uma nova estrutura social para ela, na qual o Estado cuidava de crianças, adultos, saúde e lazer.

O projeto dividia os moradores (o complexo abrigava mais de 5.000 pessoas) em grupos etários: os prédios continham tudo o que uma pessoa poderia precisar ao longo da vida — de maternidades, creches, jardins de infância e escolas a prédios para solteiros e casais, asilos etc. Tudo foi projetado para que nada distraísse os cidadãos soviéticos de suas atividades laborais. Não havia propriedade privada; tudo era compartilhado, inclusive a moradia. Assim que a condição social de uma pessoa mudasse, ela se mudaria para uma unidade apropriada.

Projeto de habitação coletiva para os mineradores de Anjero-Sudjensk. Rotina diária”, desenvolvido por Nikolai Kuzmin em 1928
Arquivo de K.N. Kuzminá

Kuzmin criou um cronograma detalhado para a comunidade: os funcionários da limpeza deveriam chegar aos alojamentos precisamente às 6h15, o café da manhã era servido no refeitório das 6h28 às 6h43 (não havia cozinhas nos apartamentos) e assim por diante. Ele até pensou nos processos de trabalho: propôs dividir os operários em equipes que trabalhariam em turnos na mina.

Moisei Guinzburg, autor do projeto Casa Narkomfin em Moscou, chamou a casa comunitária de Kuzmin de “linha de montagem impecável”. O projeto do arquiteto siberiano foi aprovado no congresso da OSA, porém, poucos anos depois, começaram as críticas por seus conceitos sociais excessivamente idealistas.

*Aprenda mais sobre a OSA na exposição “Construtivismo: A Trajetória do Método” no Museu de Arquitetura Schusev em Moscou, que fica em cartaz até 29 de março de 2026.

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