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Quais jogos de tabuleiro tradicionais surgiram entre os russos?

Criado por OpenAI
Você também acha que os russos só jogam damas e loto? Pense de novo! Existe um verdadeiro mar de jogos de tabuleiro russos feitos de palha, madeira, pedra e até ossos.

Pode parecer que os jogos são iguais por toda parte. Afinal, pessoas ao redor do mundo jogam xadrez e cartas, e as regras são, em grande parte, iguais. Mas isso é meia verdade. Graças ao comércio, os jogos viajaram de um país para outro junto com as mercadorias, adaptando-se às condições locais ao longo do caminho. Por exemplo, durante escavações em Velíki Nôvgorod, cientistas descobriram astrágalos (“jogos dos ossinhos”) e tabuleiros com marcações de jogox que datam do século 10 ao 13, semelhantes aos usados ​​nos jogos escandinavos “daldøs” e “sáhkku”. No território da atual Crimeia, havia uma variante de um antigo jogo de damas, no qual eram utilizados ​​astrágalos — ossos do tornozelo de animais ungulados (mamíferos de casco) — em vez de peças redondas. Porém, tanto no passado quanto hoje em dia, as pessoas na Rússia sempre tiveram seus próprios jogos de tabuleiro.

Peças no tabuleiro

Andrey Zhuravlev / Getty Images

Vamos pegar, por exemplo, o ‘tavlei’ (тавлеи, em russo), um jogo semelhante ao de damas cujo nome deriva do latim ‘tabula’ ou do grego antigo ‘τάβλαις’ (ou ‘πεττείαις’, segundo outra teoria). A primeira menção escrita a este jogo em fontes russas remonta ao século 11. No século 15, o Concílio de Stoglav (também conhecido como Sínodo dos Cem Capítulos) proibiu-o, juntamente com outros jogos de azar. As regras do ‘tavlei’ não são totalmente conhecidas, mas parece que não se tratava de um passatempo rápido: cada jogador tinha 15 peças que precisavam ser movidas até o quadrante oposto do tabuleiro e, em seguida, retiradas da área de jogo.

Falando em jogos de damas, este também evoluiu em solo russo. Acabou sendo proibido em diferentes épocas; em outras, foi incluído no programa obrigatório das assembleias de Pedro, o Grande; também tiveram momentos em que se tentou consolidar as regras acumuladas ao longo de séculos em um único conjunto de normas. Como resultado, por volta do século 19, surgiu uma versão russa distinta do jogo de damas, na qual as peças se moviam somente nas casas escuras, uma peça comum podia capturar tanto para frente quanto para trás, e as damas desfrutavam de considerável liberdade de movimento, podendo capturar peças em qualquer casa ao longo de uma diagonal.

Criado por OpenAI

Outro jogo popular era o ‘biriulki’ (бирюльки), que tinha uma lógica similar ao pega-varetas no Brasil, porém, as peças eram miniaturas diversas em vez de palitos lineares. Nas aldeias, as pessoas usavam gravetos ou palha para jogá-lo, enquanto nos salões aristocráticos eram utilizadas peças feitas de marfim ou madeiras. O objetivo era remover as pequenas figuras — os ‘biriulki’ — uma a uma de uma pilha comum, usando um pequeno bastão de osso. Quem derrubava a peça vizinha, perdia a vez. Aquele que conseguisse coletar mais peças do que qualquer outra pessoa vencia.

Jogos infantis

Criado por OpenAI

Um dos jogos mais simples e acessíveis era o “kamechki” (conhecido, no Brasil, como jogo das Cinco Marias, dos saquinhos ou das pedrinhas). Para jogar a antiga versão russa, recorria-se a cinco ou seis pequenos objetos arredondados, feitos de pedra ou osso. Os jogadores os lançavam e capturavam seguindo regras específicas. Quanto maiores a habilidade e a rapidez, mais chances de vencer.

À medida que as crianças cresciam, o leque de jogos à disposição delas se ampliava – e muitos deles não serviam só para entretenimento. Jogos de tabuleiro eram usados para ensinar história e até mesmo para treinar futuros oficiais militares. O primeiro a idealizar jogos com tais finalidades foi Fiódor Anhalt, diretor-geral do Corpo de Cadetes da Nobreza da Terra. Seguindo seu exemplo, surgiram jogos baseados na história da Rússia, em geografia e em temas correlatos.

O “berserk” de Sua Majestade

Os protagonistas da série ‘Stranger Things’ passavam horas jogando ‘Dungeons & Dragons’. Na Rússia, os entusiastas de jogos de tabuleiro também sempre tiveram os seus queridinhos. Um exemplo é ‘Berserk’, um jogo de cartas (colecionáveis) de fantasia criado por Ivan Popov e Maksim Istomin. As batalhas ocorrem em Laar, um mundo que foi devastado por um cataclismo. Ao longo de mais de vinte anos, este jogo foi se expandindo até se tornar uma franquia completa, com direito, inclusive, a uma série de livros. 

Há também jogos de tabuleiro que apresentam figuras históricas reais, como Ivan, o Terrível. ‘O Primeiro Czar’ é, essencialmente, a resposta russa a ‘Game of Thrones’: em vez das casas de Westeros, esse jogo apresenta famílias de boiardos na disputa por poder e influência.

Outra opção é colocar seu senso de humor à prova com ‘Stradayushchee Srednevekovie’ (algo como “Idade Média Sofrida”), enquanto aprende a embarcar em cruzadas e salvar seus súditos da peste; ou aventurar-se em ‘Dentro de Lapenko’, um jogo inspirado em uma popular série homônima.

Já a trama de ‘City of the Great Machine’, soa particularmente relevante nos dias atuais. Este jogo de estratégia no estilo steampunk gira em torno de um conflito entre rebeldes e uma inteligência artificial que decidiu aprimorar a humanidade e o mundo conforme a sua própria visão.

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