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Como os monarcas russos enterravam seus animais de estimação

Muitos membros da família imperial russa gostavam de animais. Ao longo da história, diferentes imperadores e imperatrizes tiveram cachorros, gatos, cavalos e aves domésticas, que acabaram sendo enterrados perto de suas residências.

O primeiro animal de estimação da família imperial de que se tem registro foi um cachorro tipo dogue chamado Tiran, que pertenceu ao primeiro imperador russo Pedro 1º, o Grande (1672 - 1725). Impressionado pelas dimensões imponentes do animal, o tsar comprou Tiran já adulto.

Os dois cães de Pedro 1º, Tiran e Lisetta
Museu-reserva estatal de Zvenigorod

Para sua segunda esposa, Ekaterina Alekseevna, ele trouxe de Londres uma lebreira (cadela adestrada para a caça de lebres) chamada Lizetta. Ambos os cachorros foram embalsamados após a morte, e seus restos mortais taxidermizados podem ser vistos até hoje no Museu Zoológico de São Petersburgo.

Konstantin Makóvski: “Pedro, o Grande, em seu gabinete”, 1870
Hermitage

Entretanto, a imperatriz Ekaterina 2º (1729 - 1796) instituiu outra tradição para o repouso de seus animais favoritos — sepultamento em um cemitério especial. O primeiro deles surgiu em Tsárskoie Seló, nos arredores de São Petersburgo, residência de verão da imperatriz.

Vladimir Lukirch Borovikovski: “Catarina 2ª passeando no Parque Tsárskoie Selô” com um galgo italiano, 1794. Embora a pintura tenha sido concluída uma década após a morte de Zemira, acredita-se que seja ela retratada na obra.
Galeria Tretiakov

No Parque Ekateríninski, atrás do pavilhão “Banho Turco”, havia placas de mármore com dedicatórias às lebreiras favoritas da monarca: Zemira, Sir Thomas Anderson e Duquesa. Algumas dessas lápides existem ainda hoje.

Os cães favoritos da imperatriz foram enterrados na Pirâmide no Parque de Catarina: Sir Thomas Anderson, Duquesa e Zemira
Domínio público

O segundo cemitério para animais, chamado Pensionérskoie, apareceu durante o reinado do imperador Nicolau 1º (1796 - 1855) na década de 1830, também em Tsárskoie Seló, ao lado da Cavalariça Pensionérskaia.

Os cavalos pertencentes à Sela Imperial Própria que morreram de velhice passaram a ser enterrados ali. Sobre os túmulos foram instaladas placas de granito maciço onde constam nome e período de serviço dos animais ao imperador. Nesse cemitério há mais de 120 sepulturas.

Cemitério ao lado da Cavalariça Pensionérskaia na década de 1890 e em 2025
Domínio público; Igor Gordeev (CC BY-SA 4.0)

A esposa de Nicolau 1º, a imperatriz Alexandra Fiódorovna, organizou em Tsárskoie Seló mais um cemitério para seus cachorros. Ele ficava no Parque Aleksándrovski, perto da residência de verão do casal imperial, o Palácio Aleksándrovski. 

Monumento no túmulo de um cachorro chamado Tip perto da residência de verão do casal imperial, o Palácio Aleksándrovski
GAlexandrova (CC BY-SA 4.0)

Sobre as sepulturas dos cachorros foram instaladas pequenas pirâmides de granito, fabricadas segundo projeto de um dos principais arquitetos da época, Adam Menelaws. Nesse mesmo local, mais tarde, o último imperador russo Nicolau 2º também enterrou seus cachorros favoritos.

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