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As três derrotas mais devastadoras do Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial

JUNE 26: German Officers Passing By A Destroyed Soviet Tank In Ussr On June 26Th 1941
Keystone-France/Gamma-Keystone / Getty Images
Nessas batalhas, as forças soviéticas perderam centenas de milhares de soldados, enquanto a Wehrmacht avançou até Moscou, Stalingrado e o Cáucaso. Na Rússia, cercos desse tipo são conhecidos como “kotiol” (literalmente, “caldeirão”). Em português, o equivalente militar mais usado é bolsão. Neste artigo, contamos a história de três dos maiores bolsões enfrentados pelo Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial.

1. Bolsão de Kiev

Os combates pela capital da Ucrânia soviética começaram em 11 de julho de 1941. No mesmo dia, os comandantes responsáveis pela defesa da cidade receberam um telegrama de Stálin: “Se derem um único passo para retirar as tropas para a margem esquerda do Dniepre [...], todos vocês serão severamente punidos como covardes e desertores”.

Prisioneiros de guerra do Exército Vermelho levantam os braços em sinal de rendição após serem capturados em algum lugar da Ucrânia durante a Operação Barbarossa, a invasão alemã nazista da Rússia, por volta de agosto de 1941
Archive Photos / Getty Images

Kiev era defendida pelas tropas da Frente Sudoeste, comandadas pelo coronel-general Mikhail Kirponos. Nas primeiras semanas, elas resistiram com firmeza e conseguiram neutralizar a tempo os avanços do inimigo. Em meados de agosto, porém, os alemães atravessaram o Dniepr ao sul de Kiev, estabeleceram posições na margem esquerda do rio e começaram a cercar a cidade por essa direção. Ao mesmo tempo, parte das tropas do Grupo de Exércitos Centro, retirada por Hitler da ofensiva contra Moscou, avançava pelo norte ao encontro delas.

Apesar do risco cada vez maior de formação de um bolsão, Stálin demorou a autorizar a retirada das tropas da cidade e, assim, eventualmente condenou as tropas da frente à derrota. Como resultado, em 15 de setembro, o cerco em torno das forças da Frente Sudoeste se fechou. As tropas tentaram romper o bolsão, mas apenas grupos dispersos conseguiram alcançar as próprias linhas. Em 19 de setembro, a Wehrmacht ocupou Kiev.

Ao fim da Operação Estratégica Defensiva de Kiev, o Exército Vermelho havia perdido mais de 700 mil homens entre mortos, feridos, prisioneiros e desaparecidos. A derrota abriu aos alemães o caminho para o leste da Ucrânia e a Crimeia. Paralelamente, o deslocamento de parte das forças do Grupo de Exércitos Centro para a frente de Kiev enfraqueceu a ofensiva contra Moscou, dando aos soviéticos tempo para preparar a defesa da capital.

2. Bolsão de Viázma

Em 30 de setembro de 1941, os alemães iniciaram uma ofensiva contra Moscou conhecida como Operação Tufão. Em vez de avançar pelo caminho mais curto até a capital soviética, onde o Exército Vermelho havia estabelecido fortes linhas defensivas, a Wehrmacht atacou as junções entre os exércitos soviéticos, rompeu a defesa e entrou na retaguarda.

Operação defensiva em Viázma
Víktor Kinelôvski / Sputnik

Mais uma vez, Stálin deu a ordem de retirada tarde demais, e vários exércitos soviéticos acabaram cercados na região de Viázma. Na tentativa de romper o bolsão, algumas divisões perderam até 90% de seu efetivo.

“Entrávamos nas aldeias, pedíamos abrigo para passar a noite e nos escondíamos; depois seguíamos em frente... Muitas vezes marchávamos famintos e exaustos, mal conseguindo mover as pernas. Mas recuperávamos um pouco as forças e continuávamos. Comíamos o que encontrássemos... Só fazíamos uma pergunta a todos: ‘Cadê o caminho para Moscou? Como podemos chegar até lá?’”, recordou o militar Aleksandr Potchuenkov.

O número exato de soldados soviéticos mortos, feridos, capturados ou desaparecidos permanece desconhecido, mas é estimado entre 700 mil e 900 mil homens. A catástrofe deixou Moscou praticamente sem defesa e provocou pânico na cidade. Para reforçar as linhas defensivas, foi preciso mobilizar todas as escassas forças disponíveis, incluindo os cadetes das escolas militares da região de Moscou.

3. Bolsão de Barvênkovo

Depois da derrota da Wehrmacht nos arredores de Moscou, o Exército Vermelho passou à ofensiva em todas as frentes. No nordeste da Ucrânia, as tropas soviéticas penetraram profundamente nas linhas inimigas e consolidaram suas posições na chamada saliência de Barvênkovo. Em 12 de maio de 1942, os soviéticos lançaram dali uma ofensiva em direção a Kharkov e, em poucos dias, avançaram cerca de 50 quilômetros.

Operação ofensiva do Exército Vermelho perto de Kharkiv
Anatóli Garánin / Sputnik

No entanto, no dia 17 de maio, os alemães atacaram o ponto mais vulnerável da defesa soviética: a base da saliência. Como não havia fortificações naquela área, o avanço inimigo foi rápido e praticamente sem obstáculos. Em Moscou, Stálin subestimou o contra-ataque alemão e ordenou que a ofensiva em direção a Kharkov continuasse.

Em 22 de maio, o Grupo de Exércitos Kleist, que avançava pelo sul, se uniu, ao sul da cidade de Balakleia, às divisões blindadas do 6º Exército de Friedrich Paulus, que vinham do norte. A armadilha se fechou sobre as tropas soviéticas. Mais de 200 mil soldados ficaram presos no bolsão, e apenas 22 mil deles conseguiram escapar.

Embora as perdas soviéticas em Kharkov tenham sido menores do que em Kiev ou Viázma, suas consequências para a União Soviética foram igualmente graves. A Wehrmacht recuperou a iniciativa estratégica e lançou uma grande ofensiva que a levou até o Cáucaso e o rio Volga.

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