A primeira viagem russa de circum-navegação terminou há exatos 220 anos
Há exatos 220 anos, em 19 de agosto de 1806, terminou a primeira viagem russa de circum-navegação. A expedição comandada por Ivan Kruzenstern durou pouco mais de três anos. Partindo de Kronstadt, importante base naval russa na ilha de Kotlin, no Golfo da Finlândia, em 7 de agosto de 1803, os navios à vela “Nadejda” e “Neva” viajaram ao Brasil, foram os primeiros navios russos a cruzar a a Linha do Equador, visitaram o Havaí, o Alasca, o Japão e o sul da China, contornaram a África, passaram pelo Canal da Mancha e, finalmente, voltaram para casa.
Nesse tempo todo, as tripulações tiveram de enfrentar muitas dificuldades: tempestades, avarias frequentes, calor insuportável e frio intenso, nevoeiros intermináveis, falta de alimentos e de água potável e um surto de varíola a bordo.
De tempos em tempos, os navios se separavam. Assim, enquanto o “Nadejda” estava no Japão, o “Neva” ia seguindo para o Alasca, onde participou da guerra dos colonos russos contra os indígenas tlingits, um povo nativo do Alasca. Vários marinheiros morreram na ocasião.
A viagem à China também não foi tranquila. Em Macau, os ingleses confundiram o “Nadejda” com um barco espanhol e quase o capturaram. Já em Cantão, os navios foram detidos por violarem as regras de permanência de embarcações estrangeiras em território chinês. O conflito que se desenhava acabou sendo resolvido de forma amigável.
Terminando a viagem, o “Neva” lançou âncora na base naval russa de Kronstadt em 6 de agosto de 1806, e o “Nadejda”, no dia 19. A expedição deu início às viagens regulares de circum-navegação. Durante a jornada, foram conduzidas diversas pesquisas científicas e feitas importantes descobertas geográficas no Oceano Pacífico, eliminando os últimos “pontos em branco” na parte norte do oceano.
“A sorte na primeira experiência desse tipo era necessária, pois, caso contrário, meus compatriotas talvez se afastassem de tal empreendimento por muito tempo; já os inimigos da Rússia, muito provavelmente, teriam se alegrado com tamanho fracasso”, observou Kruzenstern.