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O que estava acontecendo na Rússia quando a Europa vivenciou o “ano sem verão”?

Caspar David Friedrich. 'Evening landscape with two men', 1837
Hermitage
Escuridão, luz solar pálida, chuvas intermináveis e nevascas frequentes — assim foi o verão de 1816 na Europa.

A violenta erupção do Monte Tambora, na Indonésia, que lançou enormes quantidades de cinzas na atmosfera, foi a culpada pelo clima incomum. As consequências foram terríveis: quebra de safras, mortes de gado, aumento dos preços dos cereais, fome, criminalidade em alta e agitação popular.

O Império Russo, porém, passou praticamente batido por essa tragédia: com clima quente e moderado, foi capaz de obter uma boa colheita e aumentar as exportações de trigo para o Ocidente, que sofria com a crise alimentar. O país virou instantaneamente um dos principais fornecedores mundiais de grãos — status este que manteve ao longo do século 19.

As consequências do “ano sem verão” na Rússia se tornaram evidentes bem mais tarde.

O clima extremo de 1816 levou a uma mutação da bactéria causadora da cólera, gerando uma devastadora epidemia em Bengala, na Índia. Quatorze anos depois, a cólera devastou o Império Russo, ceifando a vida de quase 200 mil pessoas.

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