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Como os nomes dos meses de origem latina se consolidaram na Rússia

Kira Lissítskaia (Foto: M. Blinov/Sputnik; Fine Art Images/Heritage Images/Getty Images)
Os nomes “janeiro”, “fevereiro”, “março” e assim por diante chegaram à antiga Rússia juntamente com o cristianismo e o calendário eclesiástico, no final do século 10.

No entanto, por muito tempo, eles coexistiram com o calendário antigo e com nomes eslavos, que descreviam as condições climáticas, o mundo natural ou as atividades agrícolas.

Exemplos disso incluem “prosinets” (janeiro — quando o céu aparecia azul), “setchen” (fevereiro — época de cortar árvores), “berezozol” (abril — período de coleta da seiva de bétula), “serpen” (agosto — época de colheita) e “listopad” (outubro — quando as árvores perdem suas folhas para o inverno), entre outros. Não havia um conjunto único e padronizado de tais nomes; variações surgiam entre diferentes regiões e fontes (muitas vezes dependendo do clima local), porém, de modo geral, as pessoas conseguiam se entender muito bem.

Domínio público

Do século 10 até o final do século 15, o Ano Novo na antiga Rússia era oficialmente contado a partir de março. Essa tradição estava diretamente ligada ao ciclo agrícola: março marcava o despertar da natureza no hemisfério Norte e o início dos trabalhos agrícolas de primavera.

O sistema de calendário baseado em março foi abolido em 1492, quando o Grande Sínodo de Moscou decidiu transferir o início do ano para 1º de setembro, seguindo a tradição eclesiástica bizantina.

Musru Russo

A transição do Ano Novo de 1º de setembro para 1º de janeiro só ocorreu durante a reforma do calendário promovida por Pedro, o Grande. Até o final do século 17, a Rússia usava uma cronologia baseada na “criação do mundo”.

Pedro 1º, que buscava modernizar o país e aproximá-lo da Europa, emitiu um decreto em dezembro de 1699: após o dia 31 de dezembro de 7208 (contados “a partir da criação do mundo”), o dia 1º de janeiro de 1700 passaria a ser contado “a partir do nascimento de Cristo”.

Fine Art Images/Heritage Images / Getty Images

A partir de então, os documentos oficiais passaram a registrar as datas com base no nascimento de Cristo, usando os nomes latinos para os meses — nomes que, àquela altura, já haviam se tornado familiares. Entretanto, em várias línguas eslavas, os nomes tradicionais dos meses continuam em uso até hoje.

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