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Como a ‘schi’ se tornou o principal símbolo da culinária russa

Legion Media
Uma sopa de repolho aparentemente simples percorreu um longo caminho das mesas dos camponeses até se tornar um arquétipo da gastronomia nacional. Revelamos agora o segredo de sua popularidade.

Esta sopa é preparada na Rússia desde pelo menos o século 10. Segundo historiadores, isso aconteceu quando os russos começaram a cultivar repolho, importado por meio das relações comerciais com Bizâncio. Em pouco tempo, a hortaliça se estabeleceu nas terras russas devido à sua resistência, com a vantagem também de que poderia ser armazenada durante todo o inverno, era barata e rendia pratos substanciosos. “Os plebeus tomavam schi duas vezes ao dia”, escreveu o viajante holandês Cornelis de Bruijn, que visitou Moscou em 1702. Curiosamente, foi sobretudo o repolho branco que se popularizou, embora outras variedades (como couve-flor e repolho roxo) também fossem conhecidas. O repolho era seco, fermentado, cozido no forno e, claro, usado para preparar schi.

Cantina de operários em uma aldeia na Rússia, por volta de 1890. Foto de L. Boulanger
The Print Collector/Print Collector / Getty Images

O nome dessa sopa remonta à antiga palavra russa ‘chti’, que significa ‘algo nutritivo’. No entanto, alguns historiadores acreditam que a palavra ‘schi’ compartilha raízes comuns com as palavras ‘sok’ (suco) e ‘schavel’ (azedinha). Há alguma verdade nisso também: a azedinha é frequentemente usada no preparo da schi.

A magia do fogão russo

Ramil Sitdikov / Sputnik

O segredo da textura da schi não está só no repolho, mas também no fogão tradicional russo. Nele, a sopa não era fervida, mas cozida em fogo baixo por horas, permitindo que todos os ingredientes adquirissem uma maciez incrível e os sabores convergissem harmoniosamente. A schi não estragava rapidamente; pelo contrário, apurava e ficava mais saborosa.

Hoje em dia, a maioria das pessoas não possuem esse tipo de fogão, mas dá para substitui-lo por panelas elétricas de cozimento lento e outros utensílios culinários.

Dica: prepare a schi à noite e deixe em infusão até o dia seguinte. Sirva com pão preto e smetana.

A ‘schi’ não é só repolho

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A genialidade da schi está em sua versatilidade. Além do repolho, a sopa leva urtiga, azedinha e erva-armola. Por exemplo, uma receita de schi com urtiga é encontrada no livro “Notas Culinárias” de Serguêi Drukontsev, de 1779: as urtigas eram escaldadas e misturadas com ovo, carne bovina e banha. E a versão com azedinha ('schi verde’) continua sendo uma sopa popular de verão até hoje.

O que mais, além de repolho, é necessário para a schi? Aqui, como se diz, depende das possibilidades. Lembrem-se que o prato era servido tanto em casebres de camponeses quanto em aposentos reais. As classes mais pobres tomavam schi feita com água, a ‘schi vazia’. Já os mais ricos adicionavam carne, cogumelos ou peixe.

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Existem também versões de schi feitas com repolho seco, repolho fermentado e repolho congelado — e todas as variações têm o direito de existir, pois não há uma receita canônica. Afinal, a schi permeava todas as classes sociais e todas as épocas. Até Pedro, o Grande, que abriu uma “janela para a Europa”, preferia a simples ‘schi russa’ no almoço.

Séculos se passaram, os tempos mudaram, mas a schi continua sendo o prato que une todos os habitantes da Rússia.

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