Ilhas Comandante: as mais inacessíveis e importantes para estudos ecolôgicos

As Ilhas Comandante são um grupo de ilhas relativamente pequeno e sem vegetação arbórea, situado 175 km a leste da península russa de Kamtchatka. Este é um um dos lugares mais inacessíveis da Rússia. Para chegar ao arquipélago no Mar de Bering, é preciso navegar 36 horas de barco — que parte de Petropavlovsk-Kamtchatski. Isso, porém, não desestimula turistas curiosos e cientistas: somente lá pode-se ver de perto lontras-marinhas, espécies raras de raposas-do-ártico, lobos-marinhos, milhares de espécies de aves e paisagens oceânicas fantásticas.

O único assentamento fica na Ilha de Bering: trata-se do vilarejo Nikólskoie, onde vivem menos de 700 pessoas. Os nativos da ilha são os aleútes, que se dedicam à pesca marítima tradicional. Mas há também aqueles que se mudaram para o parque nacional, que tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais e beleza cênica.

A vida no Parque Nacional
“Este é um lugar único nos confins da Terra, onde não há lugar para a civilização e onde toda a vida está sujeita a ritmos e regras naturais”, diz o secretário de imprensa do Parque Nacional das Ilhas Comandante, Mikhail Vakurov.

Ele se mudou de Moscou para as Ilhas em 2020, depois de se formar como ecologista, quando soube de uma vaga para pesquisador — ele queria fazer pesquisas que ajudassem a preservar a natureza do planeta. No total, no parque trabalham cerca de 40 pessoas, mais da metade delas vivem no arquipélago. São pesquisadores, inspetores e especialistas em educação ambiental. Durante a temporada turística, os moradores locais também ajudam os funcionários. O principal objetivo do parque é preservar a natureza. Hoje, os funcionários estão realizando pesquisas sobre a poluição dos Oceanos.

“Vemos que o plástico muitas vezes leva à morte de pássaros e mamíferos”, diz Vakurov. "Por exemplo, em 2023, nossos especialistas descobriram 11 pardelas-de-cauda-curta [também conhecidas como pardelas-da-tasmânia] mortas. Essas aves vivem na região da Tasmânia, mas durante as migrações podem ser encontradas em todo o Oceano Pacífico. A autópsia revelou que os seus estômagos estavam cheios de fragmentos de plástico, o que poderia ter causado a morte”, lamenta Vakurov.

A equipe do Parque Nacional monitora o lixo no mar e analisa seu volume e composição.

“Certa vez, encontramos uma raposa-do-ártico adolescente na costa, cuja cabeça estava presa em um pote de plástico que havia sido levado pelo mar. Salvamos o bebê [...] Também resgatamos lobos-marinhos de anéis plásticos de caixas de embalagem que eles acidentalmente colocam em volta do pescoço”, diz.

O princípio da não interferência
À noite, mesmo no vilarejo é possível encontrar lontras-marinhas, raposas-do-artico azuis e focas raras que não têm medo de pessoas. No entanto, a equipe tenta fazer tudo para que os animais não saibam da presença de humanos. Quadricópteros e câmeras com ótica moderna permitem observar animais sem perturbá-los, enquanto os métodos de estudo não envolvem nenhum contato com o animal.

A interação com animais ocorre apenas quando os cientistas precisam colocar marcadores de satélite ou coletar material genético. As regras de não interferência também se aplicam aos turistas que visitam as Ilhas Comandante. “Muitas vezes as pessoas querem ir até os viveiros de mamíferos marinhos, apesar das proibições e cercas. Os infratores pagam multas”, diz Mikhail.

Dificuldades cotidianas
A vida nas Ilhas Comandante é cara e difícil. Alimentos e utensílios domésticos são entregues uma vez por mês, somente nos períodos de bom tempo. Os preços nas ilhas são muito mais altos do que no continente. Por exemplo, um litro de leite custa cerca de 200 rublos (US$ 2), uma dúzia de ovos, 160 rublos (US$ 1,6), um quilo de tomates, cerca de 1 mil rublos (US$ 10). “Recebemos muito poucos vegetais, frutas e laticínios, eles desaparecem das prateleiras quase no dia da entrega”, diz Mikhail.

Os funcionários também enfrentam problemas com comunicação e assistência médica. A internet muito lenta custa 3.000 rublos (US$ 30) por mês, enquanto o serviço de celular está disponível apenas no vilarejo. Na prateleira da farmácia só tem analgésicos e antitérmicos, outros medicamentos têm que ser encomendados.

“Poderíamos continuar listando o que está faltando”, diz Vakurov. "Mas as Ilhas Comandante são um lugar onde você cresce como profissional e como pessoa. Aqui a natureza oferece muito mais do que o conforto cotidiano”.
Como chegar às Ilhas Comandante
Para visitar essa região única, primeiro é chegar a Petropavlovsk-Kamtchatski, a capital do Território de Kamtchatka. A cidade tem conexões aéreas com Moscou, grandes cidades da Sibéria e do Extremo Oriente.

Depois, pequenos aviões L-410 voam de Petropavlovsk-Kamtchatski para o vilarejo Nikólskoie todas as terças-feiras, as passagens custam cerca de 50 mil rublos (US$ 500) só de ida e não podem ser compradas online. O avião leva 3 horas para chegar ao destino.

Também é possível ir de navio que sai para as Ilhas uma vez por mês. A viagem leva cerca de 36 horas no tempo bom e vários dias durante as tempestades. A passagem só de ida custa a partir de 8.900 rublos (US$ 90).
Os turistas geralmente vêm às ilhas em grupos, já que agências de viagens cuidam não só da reserva das passagens, mas também da organização dos documentos. Para visitar o parque nacional, é preciso receber uma autorização do centro de visitantes.

Se você estiver planejando excursões para outras ilhas ou passeios de barco pelas baías, você precisará de um passe de fronteira. A emissão deste documento para estrangeiros leva até 40 dias.
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