A lista definitiva de símbolos oficiais (e não oficiais) da Rússia — Parte 2

Do samovar à mundialmente famosa vodca, fique por dentro de tudo com o nosso guia prático.

Confira aqui a lista dos símbolos oficiais (e não oficiais) da Rússia — Parte 1.

11. Samovar

Anna Markina / Getty Images
Anna Markina / Getty Images

"O samovar é o elemento mais essencial da vida russa, sobretudo em meio a desastres e infortúnios — sobretudo aqueles terríveis, repentinos e excêntricos”, diz um personagem em uma das histórias de Fiódor Dostoiévski. De fato, esse aparelho para ferver água era indispensável em qualquer situação. Acredita-se que os primeiros samovares tenham sido fabricados na fábrica de Irginski, na região transuraliana, para o preparo do sbiten, uma bebida quente à base de mel. À medida que a cultura do chá foi se difundindo pelo país, a popularidade dos samovares crescia ainda mais, transformando-os em um item básico em praticamente todas as cozinhas do país. A cidade de Tula se tornou o principal centro de produção: não é por acaso que existe o ditado “Não se vai a Tula levando o próprio samovar”. Beber chá preparado em um samovar é uma tradição russa consagrada pelo tempo.

12. Troika russa

olgaIT / Getty Images
olgaIT / Getty Images

Uma troika russa não é apenas veloz — é também bela. Esse trio de cavalos, com o animal central a trote e os outros dois a galope, já foi considerado o meio de transporte mais rápido da Rússia. A troika, puxada por cavalos da raça Vyatka ou trotadores Orlov, podia atingir velocidades de até 50 km/h. Era usada para transportar passageiros e correspondências importantes, e sua aproximação podia ser anunciada pelo som de sinos e guizos. Passeios de troika também eram organizados para ocasiões especiais, como casamentos e a festa da Maslenitsa, o “Carnaval russo”. Embora as carruagens puxadas por cavalos não sejam mais utilizadas para viagens, a imagem da troika continua atrelada ao país.

13. Khokhlomá

ra3rn / Getty Images
ra3rn / Getty Images

Essa técnica de pintura, que utiliza tons de vermelho, preto e dourado, remonta a mais de 300 anos. Nas aldeias da região do Volga, nos entornos de Níjni Nôvgorod, artesãos pintavam utensílios domésticos de madeira e os levavam para vender em Khokhlomá, onde havia um mercado famoso. Acredita-se que a técnica tenha surgido entre os Velhos Crentes: nas noites de inverno, os artesãos se ocupavam decorando louças com a mesma técnica que utilizavam para confeccionar as molduras de ícones. No século 19, com o surgimento do “estilo russo”, a pintura de Khokhlomá se tornou muito popular: foi exibida na Exposição Industrial de Toda a Rússia, em 1853, e na Exposição Universal de Paris, em 1889, onde conquistou o Grande Prêmio. Os utensílios domésticos, com seus padrões característicos, foram distribuídos por todo o país e, via Arkhanguelsk, também exportados para o exterior. Hoje em dia, a pintura de Khokhlomá não se limita a louças tradicionais; artistas contemporâneos reinterpretam constantemente esse padrão famoso.

14. Kokôchnik

Garry518 / Getty Images
Garry518 / Getty Images

Este adorno de cabeça — uma espécie de tiara com uma crista alta em formato de meia-lua ou triângulo — era originalmente usado por mulheres casadas. Acreditava-se que, no casamento, a mulher deveria ocultar os cabelos e cobrir a cabeça. A estrutura da base era feita do material mais simples disponível — como papel ou tecido de lona previamente endurecido. Essa peça era então revestida de veludo e ricamente decorada: bordavam-se padrões com fios de ouro ou prata e aplicavam-se pérolas e pedras preciosas. Esse adorno luxuoso não era usado no dia a dia; pelo contrário, era tratado como uma joia preciosa e transmitido de geração em geração. Mais tarde, começaram a ser confeccionadas tiaras valiosas no estilo das “kokôshniks” para mulheres da aristocracia e membros da família real.

15. Vodca

invizbk / Getty Images
invizbk / Getty Images

Bebidas com alto teor alcoólico — uma espécie de protótipo da vodca russa — já eram conhecidas no Antigo Egito e no Oriente Médio no século 10, embora fossem utilizadas para limpar feridas. O álcool, a própria base da vodca, só foi levado à Rússia pelos genoveses em 1386; mesmo assim, era consumido bastante diluído e como medicamento. Na época, as pessoas bebiam outras coisas: hidromel, cerveja e kvass. A vodca só surgiu em 1894, com a patente da “Moscow Special” — uma bebida destilada de grãos diluída em água (proporção calculada por peso) até atingir 40% de teor alcoólico.

A vodca ganhou mesmo fama mundial graças a Piotr Smirnov. Após deixar a Rússia em decorrência da Revolução Bolchevique de 1917, Piotr vendeu os direitos de produção da “Smirnoff” em 1933. Os proprietários da marca mudaram, porém, a bebida em si permaneceu no imaginário popular como algo “essencialmente russo”.

16. Salada Olivier

Olga Mazyarkina / Getty Images
Olga Mazyarkina / Getty Images

Quando falamos em Ano Novo, pensamos logo na Olivier (uma salada de maionese tradicional na Rússia). Na virada de 31 de dezembro para 1º de janeiro, esse prato ocupa lugar de destaque na mesa festiva. Lucien Olivier — chef do restaurante Hermitage e criador da receita original, que levava perdiz, caudas de lagostim e molho provençal — certamente ficaria surpreso. Após a Revolução de 1917, o prato foi adaptado para se tornar mais acessível às massas. A carne de perdiz foi substituída por salsicha, as alcaparras deram lugar à ervilha em lata e o molho provençal foi trocado por maionese. Todo mundo no país tem a sua própria receita — e o debate sobre adicionar maçã verde ou pepino fresco para dar um toque de frescor à salada rende, mas não há vencedores.

17. Caviar

Yulia_Davidovich / Getty Images
Yulia_Davidovich / Getty Images

Você não o verá à mesa todos os dias; essa iguaria cara é servida em ocasiões especiais – Ano Novo, aniversários e casamentos. Os tipos mais populares de caviar são o preto (esturjão, kaluga e beluga) e o vermelho, extraído de espécies de salmão. No entanto, existem também opções mais acessíveis, como o delicado caviar de lúcio, de cor âmbar.

18. Borsch

Arx0nt / Getty Images
Arx0nt / Getty Images

Esta é a sopa mais famosa da Rússia. Variações dela podem ser encontradas nos diversos países eslavos. Ela faz parte da tradição culinária russa pelo menos desde o século 16, embora seja muito mais antiga. As receitas para esse prato de entrada não caberiam em uma única página: há versões vegetarianas sem carne, com feijão e cogumelos; à base de peixe (com carpa-prussiana e até lagostim); com azedinha; sem falar da clássica, com beterraba e caldo de carne bovina.

19. Pão de centeio

Magone / Getty Images
Magone / Getty Images

Devido ao clima, o centeio era o principal grão utilizado para produzir farinha para pães. A massa era preparada com fermento natural, o que lhe conferia um característico sabor levemente ácido. O pão de centeio é conhecido na Rússia desde os séculos 9 e 10, sendo consumido tanto por camponeses quanto por nobres. Além disso, mantinha-se macio por mais tempo do que o pão de trigo. Não é à toa que o pão de centeio – seja do tipo Borodínski ou Darnítski – se consolidou como o acompanhamento perfeito para qualquer sopa na Rússia.

20. Bliní

Svetlana Denisova / Getty Images
Svetlana Denisova / Getty Images

 

A massa lista feita de trigo com fermento biológico é despejada na frigideira, resultando em “girassóis” dourados que podem ser consumidos por si só ou com recheios variados, como caviar, cogumelos, smetana, geleia etc. Essas panquecas são o prato principal da Maslenitsa (volte ao item 9), mas também são consumidas em outras ocasiões.

Siga-nos no Telegram para receber os nossos artigos e vídeos em tempo real!