O cartunista mais famoso da URSS
“Um homem modesto e ponderado, um satirista e denunciador persistente, um mestre com grande senso de humor” — foi assim que David Low, o cartunista favorito de Winston Churchill, descreveu o colega soviético Boris Iefimov (Fridlyand).
Filho de um simples sapateiro, Iefimov se apaixonou pelo desenho ainda na infância e foi justamente esse caminho que ele seguiu após receber formação especializada. O cartunista tinha acabado de completar dezesseis anos e suas charges já eram publicadas em jornais de Moscou.
Reprodução da charge “Tesoura”
Nas décadas de 1920 e início de 1930, o artista desenhou caricaturas dos adversários dos bolcheviques na Guerra Civil, dos emigrados brancos, dos opositores internos ao poder soviético, bem como de funcionários soviéticos negligentes.
Mas Iefimov não se limitou apenas a caricaturas. Em 1933, ele criou o agora icônico pôster de Stálin com a legenda: “O capitão da Terra dos Sovietes nos conduz de vitória em vitória!”.
Há uma obra da qual o artista se envergonharia mais tarde. Em 1937, Iefimov criou a caricatura elogiosa “Luvas de Ferro de Aço” do Comissário do Povo para Assuntos Internos, Nikolai Iejov. Entretanto, pouco depois, o nome de Iejov se tornou inextricavelmente ligado às repressões em massa na URSS.
‘Luvas de Aço’ (1937)
“Não devemos esquecer a natureza insidiosa da caricatura política, que pode parecer espirituosa e bem-sucedida em certas circunstâncias, mas torna-se vergonhosa quando olhamos para os eventos passados com olhos completamente diferentes”, lamentou Iefimov na década de 1980.
Na década de 1930, as questões de política externa ganharam destaque na obra do artista. Entre os principais alvos de sua sátira estavam as figuras nazistas que chegaram ao poder na Alemanha.
Iefimov conseguiu retratar até mesmo Hitler diretamente da vida real. Em 1933, ele estava andando por Berlim e esbarrou com o Führer na rua. “Ao notar o olhar gélido e ameaçador de um membro da SS fixo em mim, achei melhor não me prolongar e apressei o passo…", recordou. Mesmo assim, ele conseguiu esboçar rapidamente aquela cena no papel.
O cartunista também tinha uma ligação especial com a Guerra Civil Espanhola. Seu irmão, Mikhail Koltsov (Moisei Fridlyand), um talentoso escritor e correspondente do jornal ‘Pravda’, lutou no conflito.
No entanto, em 1938, Koltsov foi preso e executado dois anos depois por ser considerado um “inimigo do povo”. O próprio Iefimov poderia ter sido vítima das repressões, mas foi poupado por ordem pessoal de Stálin.
“O capitão da Terra dos Sovietes nos conduz de vitória em vitória!” (1933)
Durante a Segunda Guerra Mundial, o artista trabalhou em cartazes de propaganda para o projeto “Janelas da TASS” e viajou várias vezes para a frente de batalha como correspondente de guerra do jornal “Krasnaia Zvezda”.
Depois do Dia da Vitória, Iefimov participou da cobertura do Tribunal Militar Internacional em Nuremberg. Suas representações de líderes nazistas como uma “coleção fascista” – criaturas repugnantes, meio humanas, meio animais – ficaram amplamente conhecidas.
Nos anos seguintes, Iefimov continuou trabalhando em charges políticas. Ele também gostava de criar cenários para produções teatrais em Moscou.
Durante a vida, o artista criou mais de 70.000 ilustrações, publicou dezenas de coletâneas e escreveu várias memórias e obras acadêmicas dedicadas ao seu trabalho principal: a caricatura. Entre seus prêmios, destacam-se dois Prêmios Stálin, três Ordens de Lênin, os títulos de Artista do Povo da URSS e Herói do Trabalho Socialista.
Mesmo após completar 100 anos, Iefimov continuou a levar uma vida criativa ativa — trabalhando em memórias, desenhando caricaturas e se apresentando em eventos e saraus. O artista faleceu em 1º de outubro de 2008, dez dias antes de completar 108 anos.
Siga-nos no Telegram para receber os nossos artigos e vídeos em tempo real!