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A vida de Pedro 1º, o Grande, em pinturas

Ele carregou nos braços o rei da França, condenou o próprio filho à morte, salvou navios durante uma tempestade. Veja como artistas russos e estrangeiros retrataram os momentos mais importantes da vida do primeiro imperador russo.

1. Nikolai Dmítriev-Orenbúrgski, A Revolta dos streltsi” (1862)

Museu de Arte de Taganrog

Em 1682, em Moscou, os streltsi (antigas unidades militares russas que faziam parte do exército) se revoltaram. Exigiam o pagamento pontual e o fim dos abusos por parte do comando.

Logo perceberam sua força e passaram a interferir na política. Limitaram o poder de Pedro, de dez anos, que acabara de ascender ao trono. Nomearam seu irmão Ivan como corregente e sua irmã mais velha, Sofia, como regente e, na prática, governante do Estado.

Muitos dos próximos de Pedro foram brutalmente assassinados diante de seus olhos, e o futuro imperador guardou um ódio profundo pelos streltsi por toda a vida.

2. Iúri Kuchévski, “Construção, em Vorônej, de uma flotilha para a segunda campanha de Azov por Pedro 1º em 1696” (2009)

Em 1696, Pedro 1º preparava uma nova campanha militar contra os turcos e iniciou a criação de uma flotilha de guerra. Escolheu Vorônej como centro de construção naval, de onde era possível alcançar o mar de Azov pelos rios. A cidade acabou se tornando o berço da marinha regular russa.

3. Daniel Maclise, Pedro 1º no estaleiro de Deptford” (1857)

Royal Holloway, Universidade de Londres

Entre 1697 e 1698, o tsar realizou uma viagem pela Europa que entrou para a história como a “Grande Embaixada”. Ele estabeleceu contatos com monarcas locais, familiarizou-se com as ciências e tecnologias e recrutou especialistas de diferentes áreas para o serviço russo.

4. Vassíli Súrikov, A Manhã da Execução dos Streltsi” (1881)

Galeria Tretiakov

Em 1698, Pedro voltou a enfrentar a insubordinação dos odiados streltsi. Durante sua permanência na Europa, eles se rebelaram. As causas foram os baixos salários e a predominância de oficiais estrangeiros. Acredita-se também que pretendiam recolocar Sofia no poder, de onde fora afastada em 1689 pelo já adulto Pedro.

A revolta foi reprimida com extrema violência. Mais de mil streltsi foram executados, 600 foram punidos com castigos corporais e enviados ao exílio. Pedro decapitou pessoalmente cinco dos condenados.

5. Aleksêi Venetsianov,“Pedro, o Grande. Fundação de São Petersburgo” (1838)

Galeria Tretiakov

Em 1700, teve início a Grande Guerra do Norte, na qual a Rússia e seus aliados enfrentaram a poderosa Suécia. Três anos depois, na Ingermanlândia conquistada do inimigo, o tsar fundou uma fortaleza batizada em homenagem ao apóstolo Pedro. São Petersburgo resistiu a várias investidas suecas e, em 1712, se tornou a nova capital do Estado.

6. Aleksandr Kotsêbu, A vitória de Poltava em 27 de junho de 1709” (1864)

Hermitage

A Batalha de Poltava, travada em 8 de julho de 1709 (pelo calendário gregoriano), foi o ponto culminante da Grande Guerra do Norte. O exército do rei Carlos 12º da Suécia sofreu uma derrota esmagadora e fugiu para o território do Império Otomano. A Rússia começou a vencer a guerra, embora os combates continuassem por mais 12 anos.

7. Ivan Aivazôvski. Pedro 1º em Krásnaia Gorka acendendo uma fogueira na costa como sinal para seus navios que afundavam” (1846)

Museu Russo

Em 1710, durante uma tempestade no golfo da Finlândia, uma esquadra russa começou a ser levada para o mar aberto. Arriscando a própria vida, Pedro chegou à costa em um pequeno iate e acendeu uma fogueira, indicando aos navios o caminho para uma enseada segura.

8. Louis Hersent. Pedro 1º e Luís 15º da França” (1850)

Museu Nacional de Arte de Azerbaijão

Em 1716, Pedro voltou a viajar pela Europa. Em Paris, durante um encontro com Luís 15º, então com sete anos, o tsar quebrou inesperadamente o protocolo. Tomou o jovem monarca nos braços, beijou-o várias vezes e disse: “Em minhas mãos está toda a França!”. O garoto não se assustou, e o episódio não gerou escândalo.

9. Nikolai Ge. Pedro 1º interroga o tsarevitch Aleksêi Petrôvitch em Peterhof” (1871)

Galeria Tretiakov

A relação de Pedro 1º com seu filho mais velho, Aleksêi, era extremamente tensa. O monarca não o via como aliado nem como herdeiro das grandes reformas do Estado e, por isso, estava pensando em transferir o trono ao filho mais novo ou até ao neto.

O tsar pressionou Aleksêi a se tornar monge, mas ele fugiu para Viena, onde passou a conspirar politicamente contra o pai. Sem obter apoio dos austríacos, acabou cedendo às persuasões dos diplomatas russos e retornou.

Pedro obrigou seu filho a renunciar aos seus direitos ao trono e o perdoou, mas mudou de ideia ao saber de suas tentativas de entrar em contato com Carlos 12º. Em 5 de julho de 1718, Aleksêi foi condenado à morte como traidor e, dois dias depois, o tsarêvitch torturado morreu na prisão em circunstâncias não esclarecidas.

10. Ivan Nikítin. Pedro 1º em seu leito de morte” (1725)

Museu Russo

O imperador morreu em 8 de fevereiro de 1725, aos 52 anos. Entre as causas estão cálculo renal associado a sífilis e alcoolismo, um “abscesso próximo à bexiga”, cirrose hepática ou câncer. Alguns contemporâneos acreditavam que ele teria sido envenenado, possivelmente por ordem de sua esposa infiel Catarina, ou pelo seu poderoso aliado príncipe Aleksandr Ménchikov.

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