A dor humana na pintura russa do século 19
1. Konstantin Flavítski — “A princesa Tarakánova”, 1864
A misteriosa princesa Tarakanova dizia ser filha da imperatriz Isabel da Rússia com o conde Aleksêi Razumóvski, favorito e suposto marido secreto da imperatriz. A moça afirmava ter vivido com a mãe até os dez anos e que seu regente fora Pedro 3º. Mais tarde, a impostora foi desmascarada e enviada à Fortaleza de São Pedro e São Paulo, principal prisão de São Petersburgo, onde morreu. A obra “A princesa Tarakánova”, de Konstantin Flavítski, retrata o episódio em que sua cela na prisão foi inundada por uma enchente.
2. Vassíli Perov — “Troika”, 1866
Nesta tela, o artista expõe o peso e o horror do trabalho infantil. Três pequenos aprendizes arrastam um barril de água congelado por uma estrada de inverno. Provavelmente entregues como aprendizes na esperança de abrigo e alimento, as crianças arrastam a carga ao longo dos muros de um mosteiro, o que intensifica o drama da cena. Elas não podem contar com ajuda ou misericórdia dos monges.
3. Konstantin Makóvski — “Pequenos tocadores de realejo junto à cerca no inverno”, 1868
Na década de 1860, Makóvski voltou-se para a pintura de gênero, retratando cenas do cotidiano e festas populares. Mas não se interessava apenas pelo lado alegre da vida. Seus personagens eram crianças de famílias pobres, órfãos obrigados a ganhar o próprio sustento desde cedo.
4. Ivan Kramskói — “Dor inconsolável”, 1884
Kramskói trabalhou neste quadro durante quatro anos. A obra surgiu após acontecimentos trágicos na família do artista: em 1871, ele e a esposa perderam dois filhos. A mulher de vestido de luto retratada na tela tem traços semelhantes aos de sua esposa, Sofia Nikoláevna. Ela está diante de uma mesa com flores, entre buquês onde também se vê uma coroa funerária.
5. Víktor Vasnetsov — “Aliônuchka”, 1881
“Havia tanta saudade, solidão e tristeza tipicamente russa em seus olhos que fiquei sem fôlego quando a encontrei”, recordava o pintor sobre o encontro casual com uma jovem no campo. Os primeiros a verem disseram que, no rosto da moça, era possível ler o drama da vida e a terrível dor da alma.
6. Vassíli Polenov — “A doente”, 1886
O artista começou o retrato de uma moribunda em 1873: ele ficou chocado com a morte de Maria Obolénskaia, de 18 anos. Polenov e Obolénskaia eram membros de um círculo artístico local, e sua amizade logo se transformou em sentimentos apaixonados. Na primavera daquele ano, Maria contraiu sarampo. A doença foi agravada por pneumonia e, poucos dias depois, ela morreu. De luto pela perda, Polenov decidiu pintar o retrato da amada em seu leito de morte.
7. Vassíli Perov — “O funeral”, 1865
A dor de uma família camponesa é mostrada pelo artista de forma cotidiana, como se os personagens já tivessem se resignado à perda e se submetido ao destino. A viúva conduz um velho trenó sentada à beira do caixão. Ao lado vêm as crianças: o menino, vestindo o casaco e o gorro do pai, adormeceu; a menina, mergulhada em pensamentos, abraça o caixão.
8. Nikolai Iaróchenko — “A vida está em toda parte”, 1888
Este quadro, que mostra um vagão de prisioneiros rumo à Sibéria, teve como inspiração o conto “Do que vivem os homens”, de Tolstói. A história narra um anjo que desce à Terra e passa a viver como um homem comum, com privações e provações. A pintura retrata a frase do conto “o homem vive não pelo cuidado consigo mesmo, mas pelo amor”.
9. Viktor Vasnetsov — “De um apartamento a outro”, 1876
Um casal de idosos, com poucos pertences, atravessa o rio Neva congelado rumo a uma nova moradia, talvez pior que a anterior. Pobres e sem ninguém, eles se perdem na paisagem invernal de São Petersburgo.
10. Ivan Bogdanov — “O aprendiz”, 1893
Mais uma história de infância perdida. Um garoto aprendiz começou a trabalhar em uma sapateria para ganhar a vida, na esperança de um dia se erguer e abrir seu próprio negócio. Por enquanto, porém, sua vida não é feliz: um artesão bêbado ora repreende, ora “instrui” o menino, levando-o às lágrimas.
Siga-nos no Telegram para receber os nossos artigos e vídeos em tempo real!