4 filmes de Nikita Mikhalkov que se tornaram clássicos do cinema mundial

Serguêi Savostianov / TASS Nikita Mikhalkov
Serguêi Savostianov / TASS
Nikita Mikhalkov é o diretor russo vivo mais famoso do mundo. Ele foi indicado três vezes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e, em 1995, conquistou o prêmio com “O Sol Enganador”, um drama ambientado na era stalinista comparado ao clássico de 1939 de Victor Fleming “E o Vento Levou”. Revisitamos aqui as suas melhores obras.

1. Escrava do Amor, 1975

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Um dos primeiros filmes de sucesso de Mikhalkov é um drama sobre estrelas do cinema mudo que fogem de Moscou junto com a equipe de filmagem. A cidade acaba de ser capturada pelos bolcheviques e eles partem para fazer um filme no Mar Negro, na esperança de que o pesadelo acabe logo. O filme retrata perfeitamente as ilusões alimentadas pela chamada intelligentsia, que desperta para a amarga realidade. Com uma boa dose de ironia, Mikhalkov recria o absurdo do “processo criativo”, improvisando ardentemente as cenas de filmagem com um grande melodrama de salão.

Foi em “Escrava do Amor” que Mikhalkov desenvolveu a sua marca familiar: a nostalgia dos valores perdidos da intelectualidade russa e os detalhes precisos da vida que retrocede no passado. A atriz protagonista se apaixona pelo cinegrafista, que se revela um bolchevique clandestino.

O filme foi rodado em meados dos anos 1970 e, seguindo as ideias da época, no final a protagonista enfim se convence da pureza e nobreza da ideologia bolchevique. Quando a Guarda Branca atira em seu amado bem na sua frente, ela grita: “Vocês são animais, senhores!”.

O filme foi recebido com entusiasmo pelos espectadores soviéticos, ganhou o Prêmio de Melhor Diretor em Teerã, foi bastante elogiado pela crítica em Nova York e Los Angeles e recebeu o maior prêmio do National Board of Review nos EUA — onde Elena Solovei, a protagonista do filme, vive desde 1991, ensinando atuação.

2. Peça Inacabada para Piano Mecânico, 1977

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Considerada uma das melhores adaptações cinematográficas das obras de Tchékhov, o filme se baseia na peça “Platonov” e em elementos de alguns de seus contos. Mikhalkov transmite, com um humor caloroso e um toque de nostalgia, as reflexões de Tchékhov sobre a falta de sentido e a esterilidade dos impulsos altruístas da intelligentsia, bem como sobre o abismo que separa o povo daqueles que se entregam a conversas ociosas sobre suas vidas difíceis.

O protagonista, outrora obcecado pela ideia de servir ao próximo, vivencia dolorosamente o desmoronamento de seus sonhos românticos da juventude e a percepção de sua própria inutilidade, chegando a cogitar o suicídio. A melodia característica de Mikhalkov permeia a obra, evocando a poesia da vida em uma propriedade rural russa que se perde num passado distante.

O filme conquistou vários prêmios internacionais, incluindo a Concha de Ouro no Festival de Cinema de San Sebastián, o Hugo de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Chicago e o David di Donatello, na Itália.

3. Olhos Negros, 1987

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“Olhos Negros” é o filme mais famoso de Mikhalkov fora da Rússia. Nele, o diretor recorreu mais uma vez a Tchékhov — a inspiração aqui veio do conto “A Dama do Cachorrinho”, que retrata o encontro casual em um balneário entre um funcionário bem-sucedido de um banco de Moscou e uma mulher casada do interior. Em pouco tempo, o amor inesperado se transforma em um conflito trágico entre a paixão e as obrigações familiares.

Mikhalkov rodou o filme com uma equipe italiana, visando claramente o público internacional. Marcello Mastroianni foi convidado para o papel principal, e a trama foi ambientada na Itália, onde um bon vivant italiano tem um encontro fatídico com uma dama russa.

Compreendendo perfeitamente quem assistiria ao longa-metragem, Mikhalkov explorou estereótipos populares sobre o enigmático caráter russo, recheando a obra com elementos exóticos da Rússia e canções populares.

A aposta deu certo: o filme fez grande sucesso no exterior, Mastroianni ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes e foi indicado ao Oscar. Sua atuação ao lado da atriz russa Elena Safonova rendeu a ambos um prêmio David di Donatello, e o filme foi indicado ao Globo de Ouro.

4. O Sol Enganador, 1994

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Este é o filme de maior sucesso da trilogia sobre o comandante de divisão Kotov (interpretado por Mikhalkov), um comunista fiel e um dos favoritos de Stálin que, pouco antes da guerra — assim como muitos dos protegidos do ditador —, acabou sendo preso.

É um longa-metragem sobre os dilemas morais enfrentados por todos na era stalinista, a perfídia dos tiranos e o perigoso duplo sentido de cada situação e de cada frase aparentemente inocente. Expõe, por exemplo, como até mesmo as melhores pessoas da Rússia podiam, de um momento para o outro, acabar nos campos de prisioneiros, e de como aqueles que se separavam de suas famílias corriam o risco de nunca mais vê-las.

“O Sol Enganador” representou o auge da carreira de Mikhalkov. O filme conquistou o Grande Prêmio do Júri em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter inspirado uma peça do dramaturgo britânico Peter Flannery, que estreou em Londres em 2009.

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