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De olho no Grammy, banda ‘AY YOLA’ narra lendas basquires por meio de música pop

Combinando instrumentos folclóricos, vocais e música eletrônica, grupo do Bascortostão busca inspiração na antiga epopeia ‘Ural Batyr’.

Músicas que grudam na cabeça como chiclete, a exemplo de ‘Homay’ e ‘Aihylyu’, se tornaram populares bem além das fronteiras da Rússia. Mesmo sem conhecer a língua basquire, muitos são conquistados pela sonoridade — lendas antigas, instrumentos tradicionais e ritmos modernos se fundem em uma só experiência.

Como surgiu o ‘AY YOLA’

O trio ‘AY YOLA’ é formado por Rinat Ramazanov (vocais, flauta de sopro longa ‘kurai’), Ruslan Shaikhitdinov (instrumento de corda ‘kyl-kubyz’) e sua filha, Adel Shaikhitdinova (vocais, alaúde de braço longo ‘dombra’).

Ramazanov é um renomado Artista do Povo da República do Bascortostão e um conhecido divulgador da música étnica. Ruslan e Adel, por sua vez, receberam o título de Artistas Homenageados do Bascortostão. Antes do ‘AY YOLA’, eles atuavam na cena musical como parte do projeto ‘MUSUME’, e Ruslan também se apresentava como DJ Ruslan Sever.

Em 2024, eles lançaram o projeto colaborativo ‘AY YOLA’ com o objetivo de transformar a epopeia basquire ‘Ural Batyr’ em uma narrativa musical. A obra narra os feitos do herói principal, Ural, em sua luta contra o mal, bem como o destino de sua família.

O nome do grupo, traduzido da língua local, pode ser interpretado como “o código do universo”.

Sobre o que eles cantam?

“Decidimos combinar três elementos aparentemente incompatíveis: sonoridade moderna, ecos da música étnica e a epopeia ‘Ural Batyr’. Essa filosofia permeia todo o álbum, que leva o mesmo nome”, diz Ruslan.

O álbum ‘Ural Batyr’ conta com 12 faixas no total, e cada canção é dedicada a um capítulo específico da epopeia. A mais famosa delas, ‘Homay’, narra a história da filha de Samrau — governante das aves celestiais — e do sol. Considerada um símbolo de luz e sabedoria, Humay ajuda o herói principal, Ural-Batyr, em sua luta contra o mal e o caos. A música viralizou instantaneamente nas redes sociais e alcançou a quinta posição no ranking global do ‘Shazam’.

O mais recente EP do grupo abre com a música ‘Aihylyu’ (irmã de Humay). Ela é sequestrada por forças malignas e, por meio de um ardil, acaba se tornando esposa de Shulgen, que se aliou às trevas. Ainda assim, de acordo com a lenda, o filho do casal acaba retornando para o lado do bem.

Em seus vídeos, os músicos tocam instrumentos basquires, reúnem-se ao redor da lareira em uma “iurt” (tenda nômade), andam a cavalo e vestem trajes étnicos e chapéus de pele tradicionais. No entanto, acima de tudo, narram lendas basquires — não de uma forma que remeta a um museu, mas de maneira vívida —, permitindo que até mesmo aqueles que não conhecem a língua local acompanhem essas epopeias ancestrais.

O grupo dedicou sua nova canção, “Amanat”, às epopeias antigas de Bascortostão, Iakútia, Índia, Quirguistão e Irã.
“Na cultura basquire, ‘amanat’ é algo confiado a uma pessoa para que ela preserve e transmita adiante”, explicam eles sobre sua composição.

“Em ‘Amanat’, voltamo-nos para as epopeias de diferentes povos, mostrando que, embora culturas e épocas possam variar, muitos valores e diretrizes morais permanecem próximos e compreensíveis para qualquer pessoa no mundo atual.”

Em outubro deste ano, foi divulgado que o álbum “Ural Batyr” e a música “Aihylyu” foram oficialmente incluídos no boletim da primeira rodada de votação para o Grammy Awards de 2027 nas categorias Melhor Álbum de Música Global e Melhor Arranjo (Instrumental e Vocal), respectivamente.

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