Como era a Rússia Soviética em 1926
Este ano marcou o período em que o governo soviético estava mais ativamente empenhado na transformação do país. Uma das principais missões era a erradicação do analfabetismo. O ensino escolar tornou-se universal e obrigatório, mas trabalhadores e camponeses adultos também eram mandados para aprender a ler e escrever.
Um dos objetivos era garantir que todos pudessem ler jornais e absorver a propaganda sobre as vantagens do novo sistema. Com o mesmo propósito, sessões de informação política eram realizadas em em fábricas, vilas e instituições.
No início da década de 1920, o rádio surgiu na URSS e foi ativamente promovido para que até mesmo os analfabetos pudessem ouvir notícias importantes.
O número de jornais e, consequentemente, de jornalistas, também crescia rapidamente. Correspondentes operários e rurais eram convidados a Moscou para os congressos de toda a URSS. Às vezes, isso parecia engraçado e até estranho.
Começou a era da fotografia vibrante. Todos os jornais tinham fotojornalistas, que registravam uma grande variedade de cenas da vida urbana.
Fosse uma vendedora ambulante de cigarros no centro de Moscou…
…ou trabalhadores em fila para receber seus salários semanais.
Abaixo vê-se Ióssif Stálin, ainda no início de sua ascensão ao poder e envolvido em uma luta interna do partido com opositores.
Os fotógrafos também registravam as paisagens da cidade. Algumas das relíquias da antiga Moscou já não existem mais, só podem ser lembradas por essas fotos. Por exemplo, a Muralha de Kitai-Gorod. As autoridades a demoliriam para alargar as estradas e facilitar o transporte.
Em abril de 1926, Moscou sofreu a maior inundação do período soviético. A água não baixou por dias, e as pessoas chegaram a se locomover de barco pelo centro da cidade.
Um dos fotógrafos mais famosos da época foi Aleksandr Ródtchenko. Ele apresentava uma visão vanguardista, com novos ângulos, técnicas e temas.
Juntamente com a erradicação do analfabetismo, o governo soviético passou a se preocupar com a saúde dos cidadãos, abrindo sanatórios e estâncias de saúde e promovendo a cultura física e os esportes.
Desfiles enormes com atletas e ginastas começaram a ser realizados anualmente na Praça Vermelha, em Moscou.
O Dia do Trabalho – 1º de maio – tornou-se um dos principais feriados da União Soviética, promovendo manifestações públicas com slogans, bandeiras e flores por todo o país.
Um dos principais objetivos do governo na época era a industrialização e a eletrificação. Assim, em dezembro de 1926, foi inaugurada a Usina Hidrelétrica de Volkhov, uma das primeiras grandes usinas hidrelétricas do país. Durante o Cerco de Leningrado na Segunda Guerra Mundial, ela acabou fornecendo eletricidade para toda a cidade. A foto abaixo mostra uma reunião de operários durante a inauguração.
A década de 1920 também foi um período de florescimento cultural e literário, sobretudo de obras experimentais. A foto abaixo retrata o escritor Mikhail Bulgákov, autor de “O Mestre e Margarida”, no auge de sua popularidade.
Em 1926, a peça de Bulgákov “Os Dias dos Turbins” estreou no icônico Teatro de Arte de Moscou. Segundo rumores, Stálin teria visto essa peça sobre a Guerra Civil mais de dez vezes.
Outras figuras icônicas da época foram Marina Tsvetáeva e o futuro ganhador do Prêmio Nobel, Boris Pasternak — que, aliás, tiveram um caso por correspondência.
O início da década de 1920 também foi marcado pela NEP, a Nova Política Econômica, que concedeu mais liberdade empreendedora às pessoas.
Estrangeiros curiosos começaram a visitar de bom grado a nova terra dos soviéticos. Por exemplo, os colegas de Charlie Chaplin e estrelas do cinema mudo americano, Mary Pickford e Douglas Fairbanks.
Os bolcheviques também se concentraram na educação e formação integral das crianças. Não apenas escolas e bibliotecas, mas também teatros e diversos grupos de atividades extracurriculares começaram a ser abertos em massa. A luta contra o desabrigo infantil e a abertura de orfanatos também eram prioridades na época.
Em 1926, foi realizado o primeiro censo populacional de toda a União Soviética: 147 milhões de pessoas viviam no país.
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