Como os EUA deportaram anarquistas e apoiadores da esquerda para a Rússia Soviética
Em junho de 1919, oito cidades se tornaram alvo de explosões. Grupos anarquistas e de extrema esquerda passaram a perseguir juízes, funcionários do serviço de imigração e advogados.
A sociedade entrou em pânico: muitos temiam que os EUA estivessem à beira de uma revolução como a russa. Diante disso, o governo iniciou detenções em massa de comunistas e anarquistas em todo o território americano. Como a grande maioria deles era formada por imigrantes europeus, o governo decidiu se livrar desse grupo por meio de deportações.
Em 21 de dezembro de 1919, 249 radicais presos, naturais do Império Russo, foram colocados a bordo do navio “Buford” e enviados para a Rússia Soviética como um “presente de Natal da América para Lênin e Trótski”. A imprensa comemorava: “Assim como a viagem da arca construída por Noé garantiu a preservação da humanidade, a viagem da Arca Soviética garantirá a preservação da América”.
A anarquista Emma Goldman, conhecida também como “Emma Vermelha”, recordaria mais tarde que os deportados passaram 28 dias em condições horríveis, sob vigilância permanente dos guardas. Ainda assim, todos estavam movidos pela expectativa de conhecer a “nova Rússia”.
Como Washington e Moscou não tinham relações diplomáticas, o navio foi enviado para a Finlândia. Militares finlandeses acompanharam os passageiros até a fronteira soviética, onde eles foram recebidos como heróis.
No entanto, o entusiasmo com a “nova Rússia” desapareceu rapidamente: a maioria dos deportados ficou profundamente decepcionada com a realidade soviética. Quem conseguiu deixou o país pouco tempo depois. Entre eles estava também a “Emma Vermelha”.
Outros tentaram se adaptar. Foi o caso do ex-líder da União dos Trabalhadores Russos, Piótr Bianki, que se dedicou inteiramente à construção do socialismo e se tornou um importante funcionário soviético.
Siga-nos no Telegram para receber os nossos artigos e vídeos em tempo real!