Que idiomas eram falados no Império Russo?
Os habitantes do Império Russo falavam dezenas de idiomas — cerca de 150 ao todo.
Praticamente todas as grandes famílias linguísticas estavam representadas no império. A mais numerosa delas era a indo-europeia, que reunia a maior parte dos idiomas falados. Entre as línguas eslavas, predominavam aquelas faladas por russos, ucranianos, bielorrussos, poloneses e búlgaros. Já o grupo báltico incluía o lituano e o letão. As línguas germânicas estavam presentes entre alemães e suecos, além do iídiche, usado pela população judaica. No ramo linguístico românico, encontravam-se o moldavo e o romeno. Por fim, as línguas iranianas eram faladas por ossetas, tadjiques, curdos e tats (povo iraniano do Cáucaso).
Outra importante família linguística era a altaica, que incluía as línguas túrquicas, mongólicas e tungúsico.
A família urálica era representada pelos grupos fino-úgrico e samoiedo.
Além disso, havia idiomas e grupos linguísticos próprios dos povos indígenas do Cáucaso, do Extremo Norte e do Extremo Oriente.
As línguas locais eram usadas no ambiente familiar, no comércio, em canções e narrativas populares, além de desempenharem papel importante na religião, na educação e na imprensa.
Entre os povos muçulmanos, por exemplo, as escolas religiosas e os sermões nas mesquitas utilizavam os idiomas nacionais, enquanto o árabe era empregado exclusivamente para a leitura do Alcorão e para a realização das orações.
Política linguística dos tsares russos
Ao longo da história, o governo imperial alterou diversas vezes sua política linguística. Em alguns períodos, mostrou-se relativamente tolerante em relação aos idiomas das minorias nacionais; em outros, buscou reforçar a posição da língua russa.
A primeira governante a demonstrar interesse sistemático pelas línguas de seus súditos foi Catarina 2ª, que tinha raízes alemãs. A imperatriz encarregou o naturalista alemão Peter Simon Pallas de reunir materiais sobre todos os idiomas do império.
De modo geral, no século 18, as autoridades ainda mantinham uma certa tolerância em relação à diversidade linguística. O russo era o único idioma oficial do Estado, embora seu uso fosse limitado em algumas regiões. Era o caso dos Países Bálticos, do Reino da Polônia e do Grão-Ducado da Finlândia, onde predominavam o alemão, o sueco e o polonês.
A russificação forçada
A política de russificação ganhou força durante o reinado de Alexandre 2º (1855–1881). O governo passou a combater o que considerava uma ameaça separatista. Nesse contexto, o alfabeto latino era visto como um instrumento de influência da Igreja Católica, e seu uso passou a ser fortemente restringido. Em 1859, por exemplo, a censura proibiu a publicação de obras literárias em ucraniano escritas em alfabeto latino.
Posteriormente, também foram impostas restrições à publicação e ao ensino em ucraniano, bielorusso e moldavo.
Nas últimas décadas do século 19, durante o reinado de Alexandre 3º (1881–1894), intensificou-se a russificação dos Países Bálticos. O russo se tornou idioma obrigatório de ensino em todas as instituições educacionais e passou também a ser a principal língua da administração pública.
Em 1900, Nicolau 2º (que reinou entre 1894 e 1917) introduziu medidas semelhantes em relação ao Senado da Finlândia. Mais tarde, porém, passou-se a permitir que projetos de lei fossem redigidos em três idiomas: russo, finlandês e sueco.
No fim do século 19, o ensino secundário e superior só podia ser realizado em russo.
Em diversas regiões de maioria muçulmana, no entanto, o russo nunca chegou a se consolidar como parte essencial da educação. No Turquestão, por exemplo, os mulás resistiam ao ensino da língua russa.
Para todos os cristãos ortodoxos, independentemente de sua origem étnica, era obrigatório o estudo do eslavônico eclesiástico, idioma utilizado nas celebrações religiosas.
Libertação das línguas e a criação da escrita
No século 19, a Sociedade Missionária Ortodoxa recrutou especialistas para desenvolver alfabetos baseados no cirílico destinados a povos que falavam outros idiomas. O objetivo era difundir o cristianismo entre essas populações e traduzir as Escrituras para línguas que até então não possuíam forma escrita.
Foram criados alfabetos cirílicos para dezenas de idiomas, entre eles o aleúte, o chuvache (tchuvache) e as línguas mordovianas. Quanto aos povos que já possuíam tradição escrita, foram elaboradas, pela primeira vez, gramáticas sistemáticas, como no caso do tchetcheno e do iacuto.
Após a Revolução de 1905, todas as restrições formais ao funcionamento das línguas no Império Russo foram abolidas. Muitos partidos representados na Duma defendiam a ampliação das liberdades linguísticas para todos os habitantes, enquanto monarquistas e nacionalistas insistiam na manutenção de um único idioma oficial para todo o Estado: o russo.
A versão completa do artigo está publicada em russo no site Gramota.ru.