3 criminosos nazistas que se esconderam na União Soviética após a guerra
1. Antonina Makárova
“Esse era o meu trabalho” — foi assim que a ex-enfermeira do Exército Vermelho Antonina Makarova descreveu como metralhava cidadãos soviéticos.
A cidadã soviética Antonina Makárova foi feita prisioneira pelos alemães no outono de 1941, mas conseguiu fugir quase de imediato. Vagou pelas florestas até parar na chamada “República de Lokot”, um autogoverno em território ocupado da região da cidade russa de Oriol, sob o controle de autoridades colaboracionistas.
Makarova gostou dali. Aproximou-se da liderança da “república”, participou de bebedeiras e festas, e se prostituía. Mais tarde, deram a ela uma metralhadora e lhe ofereceram a missão de fuzilar judeus e guerrilheiros capturados.
A liderança do autogoverno, além de oficiais alemães e húngaros, se reunia para assistir à execução de sentenças conduzidas por Antonina, apelidada de Tonka, a Metralhadora. “Eu não conhecia aqueles que eu fuzilava. Eles não me conheciam. Por isso, não sentia vergonha diante deles”, disse. Ela eliminava os sobreviventes com um tiro de pistola.
Depois da libertação da região de Oriol, foram encontrados em uma ravina em Lokot os restos mortais de cerca de 1.500 pessoas. A criminosa passou a ser caçada, mas não conseguiram localizá-la.
A executora foi descoberta por acaso em 1976. Durante a checagem da biografia de um oficial soviético que pretendia viajar para o exterior, descobriu-se que ele tinha uma irmã chamada Antonina Ginzburg; ela era funcionária de uma fábrica de costura e respeitada veterana de guerra. No fim, era a própria Tonka, a Metralhadora.
Nos interrogatórios, a assassina se comportou com muita calma: tinha certeza de que, com o passar do tempo, deixaria a prisão. O tribunal, porém, decidiu de outra forma. Não foi possível comprovar sua participação nos assassinatos das 1.500 pessoas, porém, ficou comprovado que 168 execuções da ravina próxima à prisão de Lokot estavam ligadas a ela.
Em 11 de agosto de 1979, ela foi fuzilada.
2. Vassíli Melechko
No início da guerra, o tenente Vassíli Melechko era comandante de um pelotão de um batalhão de metralhadoras. Acabou virando prisioneiro, passou para o lado inimigo e voltou a comandar um pelotão, mas desta vez em um batalhão da polícia auxiliar alemã, a Schutzmannschaft.
O grupo desempenhava funções de guarda na cidade de Kiev, então ocupada, e depois foi transferido para a Bielorrússia para lutar contra os partisans. Melechko e os companheiros de unidade foram responsáveis por dezenas de aldeias incendiadas e centenas de civis mortos.
Uma dessas aldeias foi Khatin. Como vingança pela emboscada organizada por guerrilheiros, os nazistas incendiaram completamente a aldeia e mataram 149 moradores, entre eles 75 crianças.
Em 1944, o batalhão foi enviado à França para combater os guerrilheiros locais. Foi para eles que Meleсhko desertou, escondendo seus próprios crimes. Ele também não revelou nada sobre seu passado na União Soviética, para onde retornou após o fim da guerra. Foi condenado por colaboracionismo, mas libertado em 1955 graças a uma anistia. O ex-executor conseguiu emprego como agrônomo na região de Rostov.
Os crimes de Melechko só foram descobertos em meados dos anos 1970. Uma fotografia do agrônomo-chefe apareceu em um jornal regional, e foi assim que ele acabou sendo identificado.
Em 22 de dezembro de 1975, o criminoso de 58 anos foi fuzilado.
3. Grigóri Vasiúra
Este companheiro de Melechko no 118º batalhão da Schutzmannschaft conseguiu permanecer escondido da Justiça por muito mais tempo.
Vasiúra seguiu um caminho semelhante. No início da guerra, foi capturado, aceitou colaborar com o inimigo e acabou servindo na polícia de ocupação. Participou de dezenas de ações punitivas, incluindo a destruição da aldeia de Khatin, e após a guerra conseguiu esconder seus crimes.
Vasiúra foi condenado como colaboracionista a 25 anos de trabalhos forçados, mas foi anistiado em 1955. Depois conseguiu emprego em uma sovkhoz (fazenda estatal soviética), onde logo se tornou um dos dirigentes.
No trabalho, o ex-colaborador dos nazistas era temido por todos. Conhecido por sua crueldade extrema, espancava subordinados por qualquer pequeno erro. No entanto, isso não impediu que, em 1984, ele recebesse a medalha “Veterano do Trabalho”.
Vasiúra se apresentava como veterano de guerra e frequentemente discursava para jovens, contando sobre o seu “passado heroico”. Em 1985, exigiu receber a medalha de jubileu da vitória da Grande Guerra Patriótica e foi justamente esse pedido que levou à descoberta de seu passado obscuro. A investigação revelou a verdadeira identidade do criminoso, e, em novembro de 1986, Grigóri foi preso.
Durante o processo de investigação, Vasiúra tentou se defender, procurando justificar seus atos e transferir a culpa para antigos companheiros de unidade. Quando percebeu que não havia mais como esconder a verdade, gritou: “Sim, fui eu quem queimou essa Khatin!”
Em 2 de outubro de 1987, o criminoso de 72 anos foi fuzilado.
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