GW2RU
GW2RU

‘Chtandart’: a fragata com a qual Pedro, o Grande, fundou a frota russa do Báltico

Dominio público
Quando se fala do nascimento da Marinha russa moderna, há um navio que ocupa um lugar de honra: a fragata Chtandart. Construída em 1703 por ordem do tsar Pedro 1º, foi a primeira embarcação da recém-criada Frota do Báltico e um símbolo da ambição russa de se tornar uma grande potência marítima.

A quilha do Chtandart foi batida em 24 de abril de 1703 nos estaleiros de Olonets, perto do lago Ládoga. A construção foi supervisionada pessoalmente por Pedro, o Grande, que havia aprendido técnicas de construção naval durante sua famosa missão diplomática pela Europa Ocidental — a chamada Grande Embaixada de 1697-1698.

O responsável técnico pelo projeto foi o mestre construtor neerlandês Vybe Gerens, sob as ordens emitidas por um dos amigos mais próximos do tsar, Aleksandr Menchikov.

O mais surpreendente é que a fragata foi construída em apenas cinco meses. A embarcação foi lançada ao mar em 22 de agosto de 1703 e realizou sua viagem inaugural até São Petersburgo em 8 de setembro do mesmo ano.

Pedro 1º em um estaleiro, 1709
Domínio público

Símbolo das ambições de Pedro 1º

O nome Chtandart fazia referência ao novo estandarte naval criado para a Frota do Báltico. Na época, o mar Báltico era dominado pelo Império Sueco, o principal rival da Rússia durante a Grande Guerra do Norte (1700–1721).

Pedro 1º pretendia quebrar esse monopólio e garantir à Rússia uma saída permanente para o mar. Esse objetivo se consolidou após a vitória russa na Batalha de Poltava, em 1709, considerada um dos momentos decisivos do conflito.

Reprodução da obra “A Batalha de Poltava: Os suecos curvando suas bandeiras perante Pedro 1º”, de Aleksêi Kivchenko
Domínio público

O Chtandart combinava elementos das escolas inglesa e neerlandesa de construção naval. Tinha três mastros, cerca de 34,5 metros de comprimento; 6,9 metros de largura; e um deslocamento aproximado de 220 toneladas.

Reconstrução da fragata ‘Chtandart’, construída em 1703
Kushevsky (CC-BY-SA-3.0)

Inicialmente, a fragata foi armada com 24 canhões, embora uma reforma realizada em 1710 tenha aumentado a sua potência de fogo para 28 canhões.

A sua tripulação podia girar entre 120 e 150 marinheiros, e o próprio Pedro 1º chegou a atuar como capitão durante a viagem inaugural, utilizando como pseudônimo Piotr Mikhailov — uma identidade que empregava com frequência quando desejava passar despercebido.

“O Grande Timoneiro”, de Bocharov, retrata Pedro 1º a bordo da fragata Chtandart, 9 de setembro de 1703
Yuri Kushevsky (CC BY-SA 4.0)

A fragata permaneceu em serviço até 1727, quando a imperatriz Catarina 1º ordenou a inspeção do casco para estudar a necessidade de novos reparos. No entanto, durante as manobras para erguer o navio para fora da água, os cabos usados partiram o casco em dois. O Chtandart foi então desmantelado e desapareceu para sempre.

O renascimento do Chtandart

Por mais de dois séculos, o navio existiu apenas em gravuras e documentos históricos.

Popa do Chtandart
yetdark (CC BY-SA 2.0)

Tudo mudou em 1994, quando um grupo de entusiastas da navegação tradicional, liderado por Vladimir Martus, iniciou a construção de uma réplica navegável da fragata.

Desenvolvido pela organização sem fins lucrativos Projeto Chtandart, o novo modelo respeitou ao máximo o aspecto histórico da fragata, embora tenha incorporado todas as medidas de segurança exigidas pela navegação moderna. A nova embarcação foi lançada ao mar em 4 de setembro de 1999.

Um museu flutuante

Hoje em dia, o Chtandart continua sulcando os mares como um autêntico museu flutuante. Sua tripulação é formada por oficiais e voluntários de diferentes países, que recebem treinamento em navegação tradicional a vela enquanto participam de travessias internacionais.

Domínio público

Mais do que uma simples réplica histórica, o Chtandart se tornou um símbolo vivo do nascimento da Marinha Russa e da paixão por conservar o patrimônio marítimo europeu.

Siga-nos no Telegram para receber os nossos artigos e vídeos em tempo real!