Como o assassinato do imperador russo Paulo 1º mudou os rumos da Rússia

Print Collector / Getty Images
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Há exatos 225 anos, em 24 de março de 1801, centenas de oficiais e cortesãos invadiram o castelo mais vigiado de São Petersburgo para selar o destino de um monarca odiado pela elite.

A conspiração contra o imperador russo Paulo 1º envolveu centenas de pessoas, entre cortesãos, oficiais da guarda e até o então governador-geral de São Petersburgo. O monarca era odiado por privar a nobreza de suas liberdades e privilégios, além de ter instituído punições corporais contra a classe. Por qualquer falta trivial, um nobre poderia ser destituído de suas terras e enviado ao exílio.

A política externa de Paulo também causava perplexidade. Ele rompeu a aliança de décadas com a Inglaterra e passou a planejar, juntamente com Napoleão, uma expedição rumo à Índia britânica.

À meia-noite em ponto de 24 de março de 1801, um grupo de conspiradores invadiu o Castelo Mikháilovski, em São Petersburgo, onde vivia o imperador. Os soldados que guardavam seus aposentos foram nocauteados, impedindo que o alarme fosse disparado. 

Paulo 1º tinha medo patológico de atentados e construiu o Castelo Mikháilovski como uma cidadela inacessível, protegida por fossos. Mas, por ironia do destino, ele residiu no local por apenas 40 dias antes de morrer.

O imperador foi encontrado de camisola. Os conspiradores exigiram que ele abdicasse do trono em favor de seu filho, Alexandre. Os relatos sobre o desenrolar dos fatos divergem: algumas fontes afirmam que ele recusou terminantemente, enquanto outras sugerem que teria cedido às exigências.

De qualquer modo, o grupo decidiu não deixar o imperador vivo. “Agora ele assinará tudo o que vocês quiserem — mas amanhã nossas cabeças rolarão no cadafalso”, teria exclamado o príncipe Vladímir Iáchvil na ocasião.

Apesar do vigor físico, Paulo lutou, mas acabou derrubado, pisoteado e golpeado com uma pesada tabaqueira de ouro e o pomo de uma espada, sendo finalmente estrangulado com o cachecol de um dos conspiradores. A versão oficial divulgada para a morte do monarca foi de “ataque apoplético” (termo histórico para derrame cerebral).

O seu filho, Alexandre, assumiu o trono, concedeu anistia aos nobres exilados pelo pai e restaurou a aliança com a Inglaterra. Acredita-se que ele soubesse da conspiração, mas não concebia a hipótese de um regicídio e ficou chocado com a notícia da morte do pai. Seu amigo, Adam Czartoryski, escreveu: “Alexandre afastou gradualmente [...] os líderes do golpe. Não por considerá-los perigosos, mas por um sentimento de náusea e repulsa que sentia só de olhar para eles”.

Após a sucessão, Alexandre 1º publicou um manifesto prometendo que, em seu governo, tudo seria “como no tempo da avó” (Catarina 2ª, a Grande). Para a nobreza russa, o anúncio simbolizava o fim das perseguições e o retorno de uma era de ouro e privilégios.

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