Por que a Fortaleza de Chlisselburg ficou conhecida como a “Bastilha Russa”? Veja fotos
Impressionante tanto em poder como em escala, a Fortaleza de Chlisselburg (comumente grafada como Shlisselburg) está situada na Ilha Orekhovy, 50 km a leste de São Petersburgo, onde o rio Neva deságua no lago Ladoga. Foi fundada em 1323 pelo príncipe Iúri Danilovitch, que serviu à República de Nôvgorod.
Orechek (“pequena noz”), como a fortaleza era então chamada, tinha por objetivo proteger as fronteiras da república e a deter a expansão sueca. Foi ali, naquele mesmo ano de 1323, que as duas partes firmaram o Tratado de Orekhovo — o primeiro tratado de fronteira na história dos dois Estados. Mas isso não impediu que os suecos invadissem a fortaleza em 1348. Eles só não esperavam que os habitantes de Nôvgorod a tomariam de volta apenas sete meses depois.
Em 1352, uma fortaleza de pedra foi construída em substituição à de madeira. No entanto, seu tamanho modesto não atendia às demandas da emergente era da artilharia.
Depois que a República de Nôvgorod foi anexada por Moscou em 1478, a fortificação foi reconstruída novamente. Estendendo-se por todo o perímetro da ilha a fortaleza adquiriu um aspecto moderno, com muralhas e torres robustas.
Em 1617, o Estado russo cedeu Orechek aos suecos. Foi apenas durante a Guerra do Norte, em 1702, que tropas sob o comando pessoal de Pedro 1º capturaram a fortaleza — após um ataque de 13 horas. “Essa noz era muito difícil de quebrar, mas, graças a Deus, foi quebrada com sucesso”, disse o tsar na ocasião. Ele ordenou que a fortaleza fosse renomeada como Chlisselburg — “cidade-chave” —, que abria caminho para a foz do rio Neva.
Depois da fundação de São Petersburgo e da anexação da costa sul do Golfo da Finlândia pela Rússia, Chlisselburg perdeu a sua importância estratégica e tornou-se uma prisão política.
Nobres condenados e membros indesejáveis da família real ficavam detidos lá. Entre os primeiros “convidados” da fortaleza estiveram a irmã de Pedro 1º, Maria Alekseievna, e sua primeira esposa, Evdokia Lopukhina.
O tsar Ivan 6º passou praticamente toda a vida nas masmorras da “Bastilha Russa”, como Chlisselburg ficou conhecida. Deposto por Isabel Petrovna ainda na infância, ele foi morto por guardas em 1764, durante uma tentativa fracassada de libertação. O jovem tinha apenas 23 anos.
Os dezembristas, que organizaram uma revolta mal sucedida contra Nicolau 1º em 1825, juntamente com membros de organizações revolucionárias russas e combatentes pela independência polaca, definharam na Fortaleza de Chlisselburg. Um deles, o oficial polaco Walerian Łukasiński, passou 37 anos lá — a pena mais longa já cumprida na ilha.
Em 1887, o irmão mais velho de Vladímir Lênin, Aleksandr Ulianov, foi enforcado na Fortaleza de Chlisselburg. Como um dos organizadores da “Facção Terrorista” dentro da organização clandestina “Naródnaia Vólia” (“Vontade do Povo”), Ulianov havia planejado um atentado contra o imperador Alexandre 3º. Acredita-se que sua morte tenha sido uma grande inspiração para que o futuro líder bolchevique seguisse o caminho da revolução.
Após o estabelecimento do poder soviético, a prisão foi fechada e a fortaleza passou a ser utilizada primeiramente como base naval e, mais tarde, como museu da revolução. Em 1941, o local se viu obrigado a retomar seu glorioso passado militar. Em 8 de setembro, tropas do Grupo de Exércitos Norte capturaram a cidade de Chlisselburg. No entanto, a fortaleza resistiu, e sua guarnição a defendeu por quase 500 dias — até o levantamento do Cerco a Leningrado, em 1943 — contra forças inimigas que os superavam largamente em número.
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