5 medos dos tsares russos

Kira Lissitskaia (Foto: Galeria Tretiakov; OpenAI)
Kira Lissitskaia (Foto: Galeria Tretiakov; OpenAI)
Apesar de serem considerados os ungidos de Deus, os tsares também temiam coisas bastante humanas: conspirações, revoltas e até baratas.

1. O medo de conspirações e de uma morte violenta

O medo de perder o trono e a própria vida acompanhou praticamente todos os governantes russos a partir de Ivan, o Terrível (1530–1584). O tsar, que passou a infância em meio às intrigas dos boiardos (membros da antiga aristocracia russa), transformou-se, nos últimos anos de sua vida, em um verdadeiro paranoico. Ele suspeitava de conspirações por toda parte e combatia aqueles que considerava seus inimigos por meio do terror da “opritchnina” — um regime de repressão, com uma estrutura própria de perseguição e violência política.

Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)
Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)

No século 18, durante a época dos golpes palacianos, o medo de ser assassinado durante a noite tornou-se uma preocupação constante entre os monarcas. A imperatriz Isabel Petrovna, que chegou ao trono com a ajuda de um golpe organizado pela guarda imperial, passou a vida inteira temendo ter o mesmo destino. Seu sobrinho, Pedro 3º, também viveu sob essa ameaça permanente — e acabou deposto e assassinado, como já havia previsto.

Paulo 1º temia envenenamentos e intrigas e acabou morto justamente em uma conspiração como aquela que tanto receava.

Alexandre 2º, que entrou para a história como o “Libertador” por ter abolido a servidão na Rússia, sofreu sete atentados contra sua vida. O último deles foi fatal. Seu filho, Alexandre 3º, herdou do pai o medo de um assassinato do soberano.

2. O medo de revoltas populares e da revolução

Depois da Revolta Dezembrista, ocorrida logo no primeiro dia de seu reinado, Nicolau 1º passou a temer a “contaminação revolucionária” vinda da Europa. Ele via conspirações até mesmo em debates liberais e tentou manter a Rússia imune a mudanças.

Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)
Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)

Esse temor também passou para seu neto, Alexandre 3º, que, após a morte do pai, convenceu-se de que qualquer concessão ao liberalismo levaria à destruição da dinastia. Por isso, adotou a política das chamadas “contrarreformas”.

O último tsar russo, Nicolau 2º, também compartilhava esse medo, mas o demonstrava de outra forma. Temia um confronto com a sociedade, mas, ao mesmo tempo, não confiava nem no Parlamento nem em seus próprios ministros. Hesitava em tomar medidas mais firmes, e essa postura contribuiu em grande parte para o avanço da revolução.

3. O peso da culpa e os traumas da infância

O exemplo mais marcante de uma infância difícil é o de Paulo 1º (1754-1801). Logo após nascer, ele foi entregue aos cuidados de amas e criados, que assustavam o menino com histórias sobre espíritos domésticos e fantasmas. Como consequência, cresceu como uma pessoa ansiosa e desconfiada.

Seu filho, Alexandre 1º, carregou durante toda a vida o peso da responsabilidade pela morte do pai, que foi morto com seu consentimento tácito. O sentimento de culpa nunca o abandonou. Ele não temia a morte, mas sim a punição, e acabou se aproximando do misticismo.

Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)
Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)

Nicolau 2º cresceu à sombra de seu poderoso pai, Alexandre 3º, e desde cedo temia não corresponder às expectativas dele. Sentia-se fraco e despreparado para governar. Essa insegurança gerou uma indecisão que, nos momentos decisivos, acabou levando a uma inércia fatal.

4. Fobias irracionais

Esses medos curiosos não tinham relação direta com a política, mas influenciavam profundamente o cotidiano dos monarcas.

Pedro 1º, o Grande (1672–1725), tinha verdadeiro pavor de baratas, ao vê-las, quase desmaiava e saía correndo do aposento. Até os 14 anos, teve medo de água, mas conseguiu superar esse temor e criou a Marinha russa. Também não gostava de tetos altos.

Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)
Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)

Isabel Petrovna (1709–1762) tinha medo do escuro e, por isso, nunca ficava sozinha no quarto. Pedro 3º (1728–1762) tinha medo de disparos de canhão, algo bastante estranho para um homem de carreira militar.

Nicolau 1º (1796–1855), segundo alguns relatos, tinha aversão a comida fria e a sons muito fortes.

5. O medo do sobrenatural

Uma característica comum a muitos tsares russos era a crença em presságios, feitiçaria e profecias. Ivan, o Terrível, (1530–1584) acreditava sinceramente que feiticeiros tentavam lançar maldições contra ele. O segundo tsar da dinastia Romanov, Aleixo Mikhailovich (1629–1676), temia as “forças malignas” e seguia diversos rituais para se proteger.

Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)
Janela para a Rússia (Criado por OpenAI)

Alexandre 1º (1777–1825) interessava-se pelo misticismo, participava de sessões espíritas e procurava na Bíblia profecias que revelassem seu destino. Nicolau 2º (1868–1918) era um fatalista: acreditava em presságios, como a tragédia de Khodinka no dia da coroação e a queda de uma estrela e confiava profundamente no místico Grigóri Raspútin (1869–1916) e considerava ele um enviado de Deus.

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