Como a natação artística se tornou um esporte tão russo?

Vladímir Astapkôvitch / Sputnik
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Quando surgiu, lá no final do século 19, a modalidade era conhecida como “balé aquático” e as atletas se apresentavam no intervalo de competições. Hoje em dia, nenhuma rival é páreo para as russas no nado sincronizado*.

A moda de criar figuras e padrões na água surgiu na Europa no final do século 19. Pouco a pouco, os espetáculos aquáticos, nos quais a dança se combinava com elementos acrobáticos, conquistaram as piscinas da Grã-Bretanha, França, Canadá e Estados Unidos. No início do século passado, essa moda chegou à Rússia.

Em 1908, foi inaugurada em São Petersburgo uma escola de natação onde, nos fins de semana, realizavam-se eventos festivos com apresentações, e as alunas criavam diferentes figuras na água.

Iúri Somov / Sputnik
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Nos anos 1920, a paixão dos russos pela dança aquática aumentou: as formações coletivas de figuras e padrões na água se popularizaram. Durante as celebrações esportivas da Rússia soviética, era comum atletas formarem figuras humanas.

Ígor Útkin / Sputnik Equipe moscovita Burevéstnik, vencedora do Campeonato da URSS de Nado Sincronizado
Ígor Útkin / Sputnik

No final da década de 1950, as apresentações aquáticas se tornaram espetáculos que combinavam elementos circenses e esportivos, e impressionavam pela dimensão: a música, o figurino e até mesmo o número de participantes em cena, que podia chegar a 80. Foi então que começaram a surgir grupos de “nadadores artísticos”.

M. Iúrtchenko / Sputnik Competição de nado sincronizado na 8ª Espartaquíada de Verão dos Povos da URSS
M. Iúrtchenko / Sputnik

O treinador Boris Onoprienko, do Instituto Médico de Lviv, idealizou a apresentação de figuras acompanhadas por música e com um enredo definido; já não se tratava apenas de uma demonstração de habilidades físicas, mas de números completos. Paralelamente, o campeão de saltos ornamentais Aleksandr Grigorenko e o treinador Valéri Buré também prepararam programas de balé aquático em Moscou.

Serguêi Guneiev / Sputnik Anastassia Davídova e Anastassia Iermakov venceram a medalha de ouro olímpica nos Jogos Olímpicos de Verão de 2004
Serguêi Guneiev / Sputnik

O nado sincronizado se tornou um esporte internacional independente em 1952, nos Jogos Olímpicos de Helsinque.

Em 1961, aconteceram na capital soviética as primeiras competições da modalidade: na ocasião, as atletas deviam executar figuras obrigatórias e livres, além de apresentar uma composição musical. A vencedora foi Alla Mindlin, que obteve 136,78 pontos por suas duas apresentações.

Em 1969, a modalidade foi incorporada ao calendário esportivo.

Vladímir Astapkôvitch / Sputnik Nadadoras se aquecendo antes da apresentação de nado sincronizado no Campeonato Russo, em Ekaterimburgo
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Além do treinamento esportivo, a coreografia também desempenha um papel fundamental: as nadadoras realizam na barra os mesmos exercícios que as bailarinas fazem durante suas aulas. Aliás, esse esporte contou com o apoio da famosa bailarina Maia Plisétskaia: ela se tornou a primeira presidente da Comissão Pan-Sindical de Nado Sincronizado e contribuiu na garantia de apoio estatal para o balé aquático.

Vladímir Astapkôvitch / Sputnik Equipe da região de Moscou no Campeonato Russo de Nado Sincronizado, em Ekaterimburgo
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Em 1980, o nado sincronizado ganhou destaque e passou a integrar o programa olímpico. Um ano depois, as atletas soviéticas já chamavam a atenção internacional. No Campeonato Europeu de Split, Tatiana Heitzer terminou em sétimo lugar, mas a imprensa local ficou maravilhada com a arte e a expressividade de sua atuação. Sua apresentação com Irina Potiomkina garantiu à equipe nacional da URSS a sexta colocação. Três anos depois, durante o Campeonato Europeu Júnior, a dupla soviética formada por Alfia Khamaletdinova e Anastassia Lifarenko terminou em terceiro lugar, obtendo mais pontos no programa livre do que as próprias líderes do campeonato, a Grã-Bretanha e a Holanda.

Vladímir Astapkôvitch / Sputnik Atleta Aleksandr Máltsev no Campeonato Russo, em Ekaterimburgo
Vladímir Astapkôvitch / Sputnik

A equipe soviética alcançou os primeiros resultados tangíveis em 1988, nos Jogos Olímpicos de Seul. Após a dissolução da URSS, a equipe russa não perdeu sua posição; pelo contrário, ressurgiu com força.

Em 1998, no Campeonato Mundial de Natação realizado na Austrália, as atletas russas conquistaram medalhas de ouro em todas as provas. Segundo a então técnica da equipe, Tatiana Pokrovskaia, as nadadoras russas se diferenciavam das demais pela abordagem quase coreográfica e de balé em suas apresentações.

Ao longo de mais de vinte anos, de 2000 a 2021, foram muitas as nadadoras russas que subiram ao pódio em campeonatos mundiais, europeus e Jogos Olímpicos. Entre as mais premiadas estão Anastassia Davidova, cinco vezes campeã olímpica e treze vezes campeã mundial; Anastassia Iermakova, tetracampeã olímpica e octacampeã mundial; Olga Brusnikina, tricampeã olímpica e tetracampeã mundial; e Maria Kiseleva, que venceu as Olimpíadas em três ocasiões.

*Desde julho de 2017, o nome da modalidade foi alterado pela Federação Internacional de Natação, passando de nado sincronizado para natação artística (ou nado artístico).

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