7 tecnologias espaciais soviéticas e russas que mudaram o mundo
1. Comunicações via satélite
O conceito de comunicações via satélite foi proposto em 1945 pelo cientista britânico Arthur C. Clarke. Em seu artigo, ele propôs o uso de satélites de retransmissão em órbita. Mas foram os cientistas soviéticos que o tornaram realidade.
Em 4 de outubro de 1957, a URSS lançou com sucesso o primeiro satélite artificial do mundo. Isso marcou o início da era espacial e lançou as bases para as comunicações via satélite: sinais emitidos de objetos espaciais poderiam ser recebidos na Terra.
Em 23 de abril de 1965, a União Soviética lançou o satélite de comunicações ‘Molnia-1’ (‘Relâmpago-1’) em órbita. Esse foi um marco tecnológico que permitiu, pela primeira vez, a transmissão de sinais de televisão, telégrafo e telefone para as regiões remotas do Extremo Oriente soviético.
Imagine só: naquela época, os moradores de Vladivostok podiam assistir ao desfile do Dia do Trabalho na Praça Vermelha, enquanto os moscovitas tinham a possibilidade acompanhar o desfile da Frota do Pacífico no extremo oriente.
Alguns anos depois, o sistema ‘Orbita’, baseado nos satélites ‘Molnia’, levou a televisão central a milhões de pessoas no Extremo Norte, na Sibéria e no Extremo Oriente. As tecnologias desenvolvidas para os ‘Molnia’ ainda representam a base das comunicações via satélite de hoje em dia.
2. Glonass
O Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass) nasceu em 1982. Inicialmente utilizado para fins militares, a tecnologia está disponível também para uso cotidiano.
O Glonass determina a localização em qualquer lugar do planeta por meio de 24 satélites que operam em três planos orbitais. Diferentemente do GPS, esses satélites se movem no sentido anti-horário em relação à rotação da Terra.
O ‘Glonass’ é utilizado atualmente em smartphones, carros, mapas móveis e vários outros aplicativos.
3. Trajes de reabilitação
Na ausência de gravidade, os músculos atrofiam, pois deixam de sofrer a carga gravitacional a que estão acostumados quando em Terra. Para evitar isso, especialistas soviéticos desenvolveram o traje profilático “Pinguim”, que simula o esforço que a gravidade terrestre exige da nossa musculatura e esqueleto. Ele foi usado pela primeira vez em 1971 a bordo da estação espacial Salyut-1.
Este modelo serviu de base para os trajes de reabilitação para crianças com paralisia cerebral. Roupas semelhantes também auxiliam na recuperação de AVCs, traumatismos cranioencefálicos e distúrbios de coordenação.
4. Bioimpressoras
Essas bioimpressoras 3D “imprimem” órgãos e tecidos vivos a partir de células. Elas são necessárias não somente para fins médicos, mas também, por exemplo, para criar produtos a partir de células de vaca ou de peixe. E a impressão requer ausência de gravidade – pelo menos por enquanto.
A primeira bioimpressora do mundo projetada para o espaço foi criada pela empresa russa ‘3D Bioprinting Solutions’. Em 2018, eles enviaram a bioimpressora magnética ‘Organ.Aut’ para a Estação Espacial Internacional (EEI), onde o cosmonauta Oleg Kononenko imprimiu com sucesso tecido cartilaginoso humano e uma glândula tireoide de rato no espaço – representando mais uma conquista inédita,
Os experimentos continuam até hoje, com diversos países desenvolvendo bioimpressoras para o espaço.
5. Alimentos liofilizados
O método de liofilização foi inventado em 1921 pelo engenheiro de mineração russo Gueórgui Lappa-Starjenetski. O processo remove a umidade de um produto a vácuo e em baixas temperaturas, preservando seu sabor e valor nutricional.
Na década de 1960, os cientistas soviéticos industrializaram tal tecnologia especificamente para cosmonautas, já que esse tipo de refeição era leve e não exigia refrigeração.
Hoje em dia, alimentos liofilizados estão por toda parte: de comidas para viagem a papinhas em sachês e frutas secas.
6. Comida em tubos
A primeira refeição espacial do mundo foi consumida por Guêrman Titov em agosto de 1961 — consistia em sopa de purê de legumes, patê de fígado e suco de cassis. Os engenheiros tiveram a ideia de colocar comida espacial em tubos – e ela ainda é produzida dessa forma atualmente.
As mesmas linhas de produção também fabricavam produtos para o dia a dia, como mostarda, leite condensado, patês e outros. A embalagem em tubo continua sendo um formato comum em todo o mundo.
7. Brinquedos de parques de diversões
Nos anos 1970, os simuladores de treinamento para cosmonautas acabaram se tornando protótipos para os brinquedos de parques de diversões na União Soviética. Os visitantes podiam testar seu sistema vestibular e se divertir em atrações como a “Centrífuga” (também conhecida como “Surpresa”) e a “Órbita”, além de se aventurar em balanços giroscópicos.
Hoje em dia, existem até atrações que simulam a ausência de gravidade.
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