Como a URSS quase criou sua própria versão da internet nos anos 1960
No final da década de 1950, a URSS concebeu a ideia de introduzir um sistema de controle automatizado, operado por computadores, na economia e no setor de defesa do país. A ideia partiu do cientista Coronel Anatóli Kitov, que abordou Nikita Khruschov, mas foi longe demais em suas críticas ao Ministério da Defesa; com isso, acabou sendo demitido e até expulso do partido.
A ideia de Kitov foi retomada no início da década de 1960 pelo acadêmico Viktor Gluchkov. Ele apresentou um projeto para o OGAS (Sistema Automatizado de Gestão Econômica de Toda a União) – uma poderosa rede de computadores interligando milhares de centros de computação para a coleta e o processamento de informações.
Os dados fluiriam por uma cadeia, desde as menores empresas até o centro principal em Moscou. Lá, o sistema realizaria cálculos e faria previsões sobre os desenvolvimentos futuros.
Essa “computação sem papel” poderia ter reduzido significativamente o fator erro humano, tornado o processo mais rápido e eficiente — e dado, assim, um novo impulso à economia.
No entanto, o valor solicitado por Gluchkov para o projeto pareceu excessivo às autoridades, e os argumentos do especialista de que ele se pagaria em alguns anos não convenceram. A liderança do país também questionou o fato de o sistema unificado não levar em conta os interesses específicos de agências e departamentos diversos. Gluchkov só teve permissão para implementar a ideia de forma limitada em setores industriais específicos.
O interesse pelo OGAS foi reavivado no final dos anos 1960, quando os Estados Unidos desenvolveram o precursor da internet moderna – a rede ARPANET – que conectava instalações de defesa, educacionais e governamentais. “Foi aí que começamos a nos preocupar também”, lembrou Gluchkov.
No entanto, o projeto revivido ficou atolado em um turbilhão de aprovações burocráticas e só foi parcialmente implementado graças aos esforços de entusiastas locais cansados de esperar pela ajuda do governo.
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