
‘Alfabeto Russo’: artista da região de Moscou recria contos de fadas para cada letra

Nas páginas do livro de Marina Khankova, gansos-cisnes brancos como a neve voam sobre um rio, Iliá Muromets atravessa uma floresta coberta de neve, e um “léchi” bigodudo e com uma mecha de cabelo ruivo surge na correria — não sabe do que estamos falando? Todos esses heróis são personagens de contos de fadas eslavos.
“Em 2002, tive gêmeos e, alguns anos depois, quis criar um livro para eles. A temática russa não era muito popular na época e, de alguma forma, a ideia de fazer um livro do alfabeto no estilo de Ivan Bilibin surgiu por si só. Lembrei-me de livros com suas ilustrações da minha infância e queria que houvesse mais deles”, conta o artista.

As ilustrações de contos de fadas russos de Bilibin se tornaram um fenômeno no início do século 20.

Ele criou um mundo mágico no qual Ivan Tsarevitch avançava sobre o Lobo Cinzento, uma sombria Baba Iagá voava em uma estupa, enquanto Vasilisa, a Bela, abria caminho pela floresta, iluminando-o com uma tocha feita com crânio humano.

“Lembra da ‘Baba Iagá’ de Bilibin? As crianças têm medo dela, é uma imagem tão convincente. Percebi que meu alfabeto deveria ter caracteres que não fariam as crianças terem medo de ir para a floresta mais tarde. Por exemplo, desenhei o ‘léchi’ (duende da floresta) várias vezes. A terceira versão acabou sendo a melhor – está claro que ele mesmo tem medo de nós, é por isso que ele corre, dissolvendo-se na paisagem da floresta”, diz a criadora.

Khankova passou dois anos criando esboços a lápis e outros seis anos colorindo-os.

O formato nasceu de imediato: o alfabeto seria organizado em páginas espelhadas. A página esquerda é dedicada a uma letra em particular cercada por animais, pássaros, ervas e outros atributos associados a ela.

Já os personagens dos contos de fadas, foram alocados à direita. “Primeiramente, eu queria criar o alfabeto com elementos da vida russa. Eu me sentia muito confortável com esse tema”, relembra Marina.

Por exemplo, os caracteres da letra ‘B’ (‘Ve’) são Vasilisa, a Sábia, e ‘Vodianoi’ (Espírito da Água), e a letra em si está cercada por imagens de uma família de lobos com filhotes, um corvo, um pardal e um portão aberto.

O tsar Dadon adormecido e seu criado estão, obviamente, na página da letra ‘Д’ (‘De’). E, ao lado deles, estão um avô e uma avó, uma paisagem bucólica da vila, pica-paus e orégano florido.
Cada letra tem a sua própria cor: ‘З’ (‘Ze’) é verde, ‘П’ (‘Pe’) é roxa, e assim por diante.

Até mesmo a letra ‘Щ’ (‘Sch’) tem um tom especial, sugerido a Khankova por um garoto do clube onde seus filhos praticavam esporte. “Ele estava preocupado porque eu não sabia de que cor fazer a letra. Então, ele veio com essa ideia: cor de bochecha! Por isso temos ‘Щ’ rosa, como um blush em nossas bochechas”, diz.
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