5 fatos sobre a morte do maior poeta russo Aleksandr Púchkin

Legion Media “O poeta Aleksandr Púchkin em seu leito de morte”. Pintura de 1837 feita por Aleksandr Kozlov
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A morte de Aleksandr Púchkin, em 10 de fevereiro de 1837, não foi apenas uma tragédia pessoal, mas um drama nacional marcado por duelo, paixão, boatos e política imperial. O caso mobilizou a sociedade e redefiniu a memória cultural russa.

Considerado o fundador da literatura russa moderna, Aleksandr Púchkin (1799–1837) foi o autor que moldou a língua literária do país e influenciou praticamente todos os grandes escritores que vieram depois dele, de Gógol e Dostoiévski a Tolstói e Tchékhov.

Sua morte precoce causou enorme comoção na Rússia do século 19 e se tornou um dos episódios mais discutidos da história cultural russa. O responsável pelo tiro fatal foi Georges-Charles d’Anthès (conhecido na Rússia como Dantès), um oficial francês a serviço do Império Russo e figura carimbada dos círculos aristocráticos de São Petersburgo. O poeta morreu em 10 de fevereiro de 1837. Dois dias antes, ele havia sido mortalmente ferido no duelo por Georges d’Anthès.

Entre 1834 e 1835, o oficial francês começou a cortejar abertamente a esposa do poeta, Natália Gontcharova, o que deu origem a boatos nos círculos aristocráticos. Púchkin desafiou o rival para um duelo, no qual recebeu um tiro no abdômen. Escolhemos os 5 fatos sobre a morte do maior poeta russo.

1. Púchkin era um bretão

Legion Media “Duelo entre Aleksandr Púchkin e Georges d’Anthès”
Legion Media

Bretão é um termo que provém da palavra francesa “bretteur”, usada para descrever um provocador de duelos, uma pessoa que sempre buscava motivos para duelar e frequentemente arriscava a própria vida por ninharias. O temperamento impulsivo e briguento de Púchkin frequentemente levava a conflitos que ele propunha resolver com pistolas. Segundo os estudiosos do autor, chamados de “puchkinistas” na Rússia, o poeta participou de pelo menos 20 duelos. Púchkin estava disposto a trocar tiros até com amigos próximos por causa de piadas agressivas, como, por exemplo, com o seu amigo próximo de escola e poeta Wilhelm Küchelbecker, ou com seu próprio tio Pável Gannibal por causa de uma parceira de dança. Graças aos esforços de secondantes (intermediários na negociação dos duelos) e amigos, a maioria dos duelos terminou em reconciliação. Nos que de fato aconteceram, Púchkin ou atirou para o alto, ou recusou o disparo. Até o duelo fatal com d’Anthès, ele nunca havia matado ninguém nem causado ferimentos graves.

2. Foi morto por um parente

Fine Art Images/Heritage Images / Getty Images Retrato de Georges-Charles de Heeckeren d’Anthès (1812-1895), década de 1830
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No momento do duelo, Púchkin e Georges d’Anthès eram cunhados por afinidade: Georges havia se casado com Ekaterina Gontcharova, irmã mais velha da esposa do poeta. Filho adotivo do diplomata holandês Jacob van Heeckeren, o francês chegou à Rússia na década de 1830 e serviu no Regimento de Cavalaria da Guarda. Corriam boatos de que Georges e o diplomata van Heeckeren eram amantes. O belo jovem, era extremamente popular entre as mulheres e adorava contar suas conquistas amorosas. No outono de 1836, Púchkin recebeu uma carta anônima ofensiva insinuando um caso entre sua esposa e d’Anthès. O poeta imediatamente o desafiou para um duelo. D’Anthès então pediu a mão da irmã da Natália Gontcharova, esposa de Púchkin, Ekaterina Gontcharova. Púchkin foi forçado a retirar o desafio. No entanto, após o casamento, celebrado dois meses depois, d’Anthès continuou a perseguir Natália nos ambientes sociais, o que levou ao duelo no qual o poeta foi mortalmente ferido. Após o duelo, d’Anthès foi destituído de seus cargos e expulso da Rússia. De seu casamento com Ekaterina nasceram três filhas e um filho.

3. A morte de Púchkin foi atestada pelo lexicógrafo e dicionarista Vladímir Dal

Fine Art Images/Heritage Images / Getty Images “Púchkin após o duelo”, 1855
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Vladímir Dal, autor do maior “Dicionário Explicativo da Língua Russa Viva”, utilizado pelos linguistas até hoje, tinha formação principal como médico-cirurgião militar. Na época do duelo de Púchkin, trabalhava como funcionário público e era amigo próximo do poeta. Foi ele quem se tornou um dos principais médicos ao lado do moribundo. Dal deixou registros detalhados sobre suas últimas horas. A pedido da esposa do poeta, foi ele que retirou a máscara mortuária e vestiu Púchkin com um fraque, traje formal masculino do século 19, para o velório.

4. Púchkin deixou instruções à esposa sobre como se comportar após sua morte

Museu Púchkin Retrato de of Natália Goncharova, esposa do poeta Aleksandr Púchkin
Museu Púchkin

O poeta agonizante disse à esposa para ir para o campo, enlutar-se por dois ou três anos e depois se casar novamente. Ele também pediu que seu futuro marido fosse um “homem decente”. Sua viúva fez exatamente isso. Imediatamente após o funeral, ela e seus filhos partiram para a propriedade de sua família perto da cidade de Kaluga. Seu luto e reclusão duraram cerca de sete anos. Em 1844, ela se casou com o general Piótr Lanskói, que, na opinião dos contemporâneos, era justamente aquele homem bom e decente que o poeta tinha descrito.

5. As dívidas de Púchkin foram pagas pelo imperador

Hermitage “Retrato do Imperador Nicolau 1º”, de Georg von Bothmann
Hermitage

A pedido dos amigos de Púchkin, o imperador Nicolau 1º ordenou pessoalmente apoio financeiro à família do falecido. Em um memorando de 12 de fevereiro de 1837, o imperador especificou as seguintes medidas: pagar as dívidas do poeta de cerca de 140 mil rublos, liquidar a hipoteca da propriedade paterna, pagar pensão à viúva de 5 mil rublos anuais até novo casamento e às filhas até o casamento de 1.500 por ano, destinar recursos para a educação dos filhos, e publicar as obras às custas do Estado em benefício da viúva e dos filhos.

A título de comparação, na década de 1830, um oficial médio da Rússia do exército ganhava cerca de 300–400 rublos por ano. Ou seja, os 5.000 rublos anuais destinados à viúva equivaliam a mais de 10 anos de salário de um oficial, enquanto os 140 mil rublos para quitar as dívidas do poeta representavam uma boa fortuna, com a qual era possível comprar várias propriedades rurais e sustentar confortavelmente uma família aristocrática por anos.

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