O que significa a expressão russa “raspar os compartimentos de grãos”?

Kira Lissítskaia (Foto: magnific.com)
Kira Lissítskaia (Foto: magnific.com)
Quando é preciso reunir os poucos suprimentos que restam de algo — sejam recursos, dinheiro ou energia —, é hora de “поскрести по сусекам” (“poskrestí po sussékam” ou, em português, “raspar os compartimentos de grãos”).

No conto folclórico russo ‘Kolobok’, uma velhinha decide assar um pão. Não resta absolutamente nada de farinha, então, seu marido a aconselha: “Raspa os compartimentos de grão, varre o celeiro e, talvez, você consiga juntar um pouco de farinha”. No fim das contas, ela assa um pão redondo — um kolobok — com tudo o que conseguiu reunir.

Aqui, precisamos entender aonde a velhinha realmente foi buscar a farinha. Os ‘ambári’, ou celeiros, eram usados para armazenar alimentos e mantimentos para o inverno, protegendo-os do mau tempo e de roedores. Já os ‘susséki’ (compartimentos ou caixas de grãos) eram caixotes especiais dentro desses celeiros onde a farinha ou os grãos eram armazenados. Às vezes, também eram usados para estocar provisões de emergência.

Quando os suprimentos estavam quase no fim, restava uma última chance: raspar ou revirar as frestas e o fundo dessas caixas de grãos para coletar o que havia sobrado.

Com o tempo, a expressão migrou da vida camponesa para a linguagem literária e, mais tarde, adquiriu um uso mais amplo. “Raspar os compartimentos de grãos” passou a se referir não apenas aos grãos restantes, mas a qualquer reserva prestes a acabar. Um equivalente em português seria “raspar o tacho” ou “raspar o fundo do barril”.

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