Como os guerrilheiros soviéticos combateram os nazistas? Veja fotos
“Sangue por sangue e morte por morte! Juro empregar todos os meios necessários ajudar o Exército Vermelho no extermínio dos cães raivosos de Hitler, sem poupar sangue nem minha própria vida!”, assim soava o juramento dos guerrilheiros soviéticos.
Grande Guerra Patriótica de 1941-1945. O movimento de guerrilheiros soviéticos na Bielorrússia
Mais de 6.000 destacamentos de guerrilheiros soviéticos atuaram na retaguarda alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda antes do desembarque dos aliados na Normandia, os nazistas costumavam chamar o combate contra eles de “segunda frente”.
Os primeiros guerrilheiros surgiram no outono de 1941. A eles se juntavam militares do Exército Vermelho cercados pelo inimigo, moradores locais, além de unidades especiais de reconhecimento e sabotagem enviadas a partir do território controlado pelos soviéticos.
Guerrilheiros em patrulha. Lenia Fiodorov, de treze anos, e I.V. Grichin, um agricultor da fazenda coletiva Borets que se juntou ao destacamento apesar da idade avançada. Região de Leningrado, junho de 1943
“Lutar como guerrilheiro era difícil. Apenas uma coisa, ao que me parece, ajudava a sobreviver: a teimosia. Afinal, não apenas atirávamos contra os alemães, capturávamos seus comboios de suprimentos e explodíamos ferrovias. Todos os dias precisávamos percorrer longas distâncias, de dezenas de quilômetros. E tudo isso por pântanos e florestas de difícil acesso. Descansávamos junto às fogueiras nas aldeias, mas só quando havia tempo e oportunidade, o que era muito raro”, escreveu o guerrilheiro Meinhard Krunberg.
Guerrilheiros do Destacamento Kotovski retornam de uma missão de combate. Bielorrússia, 1943
De tempos em tempos, grandes formações guerrilheiras realizavam longas incursões na retaguarda inimiga, destruindo comunicações, equipamentos e efetivos. Em 1943, Stálin ficou tão impressionado com o chamado “Incursão na Estepe”, conduzido pelo capitão Mikhail Naumov no território da Ucrânia, que ordenou imediatamente a concessão a ele do posto de major-general.
Defesa de Odessa. Um destacamento de guerrilheiros em carroças puxadas por cavalos parte em missão
O quartel-general do movimento guerrilheiro estava subordinado ao Alto Comando Supremo, e suas grandes operações eram, na maioria dos casos, coordenadas com o Exército Vermelho. Por exemplo, durante a Batalha de Kursk, os guerrilheiros realizaram a operação “Guerra dos Trilhos” na retaguarda alemã, destinada a destruir linhas ferroviárias, o que obrigou os alemães a deslocar grandes forças para protegê-las.
Grupo de especialistas soviéticos em demolição do 2º Destacamento Partidário de Simferopol instala explosivos em uma linha ferroviária
De tempos em tempos, os guerrilheiros conseguiam libertar vastas áreas e criar ali os chamados “territórios guerrilheiros”, com centenas de povoados em cada um, onde o poder soviético era restabelecido.
Libertação de Odessa dos invasores nazistas pelas tropas da 3ª Frente Ucraniana sob o comando do general Rodion Malinovski
“Em seu território já não havia pessoas que não participassem da luta contra o inimigo. Uns faziam parte dos destacamentos, outros ajudavam os guerrilheiros… Ali viviam dezenas de milhares de pessoas; para lá fugiam moradores das cidades para escapar dos hitleristas, e para lá recuavam os guerrilheiros após combates contra os alemães e sabotagens nas comunicações inimigas”, lembrou o guerrilheiro Iákov Menshikov.
Soldados nazistas recolhem pertences deixados por russos em retirada, em uma vila em chamas nos arredores de Leningrado. A vila foi incendiada por tropas russas, segundo os nazistas
Os alemães puniam com brutalidade a população por ajudar os guerrilheiros. Pela morte de alguns de seus soldados nas mãos dos combatentes, podiam queimar uma aldeia inteira. Eram comuns as operações contra os guerrilheiros, das quais participavam não apenas unidades policiais e colaboracionistas, mas também o exército.
Major-general Afanasi Chemenkov, comandante da 57ª Divisão de Rifles da Guarda, condecora Grigóri Ivanovitch Pompik, agricultor coletivo da aldeia de Chirokoie, com a medalha “Por Mérito Militar”
Após a chegada do Exército Vermelho, os guerrilheiros nas áreas libertadas passavam a integrar suas fileiras. “A vida no exército, como se sabe, é regulamentada com rigidez. Nesse aspecto, era bem mais fácil entre os guerrilheiros. Tudo era mais simples: você apenas participava das ações de combate. A única coisa é que, se recebesse uma ordem, era obrigado a cumpri-la a qualquer custo. E isso era respeitado por todos”, escreveu Krunberg.
Guerrilheiros iugoslavos aceitando novos combatentes em suas fileiras
Os guerrilheiros soviéticos lutaram não apenas no território da URSS, mas também no exterior. Milhares de prisioneiros de guerra na França, Bélgica e Itália fugiam dos campos e se juntavam a tais movimentos.
Siga-nos no Telegram para receber os nossos artigos e vídeos em tempo real!