A vida da imperatriz Catarina 2ª, a Grande, em pinturas

Nascida como uma princesa alemã, Catarina, a Grande, se tornou a maior governante da história da Rússia e uma das mulheres mais poderosas do mundo. Sua trajetória inspirou artistas que retrataram alguns dos episódios mais marcantes de sua vida e de seu reinado.

1. Anna Rosina de Gasc, “A grã-duquesa Catarina Aleksêievna com seu marido, Pedro 3º Fiódorovitch” (1756)

Nationalmuseum
Nationalmuseum

Em 1743, a imperatriz Isabel da Rússia (também conhecida como Elizaveta Petrovna em português), que não tinha filhos, começou a procurar uma esposa para seu sobrinho e herdeiro do trono, Karl Peter Ulrich (o futuro imperador Pedro 3º). Sua escolha recaiu sobre Sofia Frederica Augusta da casa principesca alemã de Ascania, que viria a se tornar a imperatriz Catarina 2ª, a Grande. A vida conjugal do casal, porém, revelou-se um completo fracasso.

2. Nikolai Ge, “Catarina 2ª junto ao caixão da imperatriz Elizaveta” (1874)

Gsleria Tretiakov
Gsleria Tretiakov

Em 1761, Isabel morreu. Durante o luto, Pedro teve um comportamento considerado inadequado, fazendo piadas e rindo com frequência. Catarina, ao contrário, fez questão de demonstrar devoção e submissão, conquistando, assim, a simpatia da sociedade — naquela época, ela já planejava destituir o marido do poder.

3. Joachim Kestner, “Catarina 2ª na varanda do Palácio de Inverno, saudada pela Guarda e pelo povo no dia do golpe de 28 de junho de 1762” (década de 1760)

Hermitage
Hermitage

Em 9 de julho de 1762 (pelo calendário gregoriano), com o apoio da Guarda, Catarina depôs seu marido, Pedro 3º, que, em apenas seis meses de reinado, conseguiu desagradar praticamente a todos por seu desprezo pela Igreja Ortodoxa e por sua política externa mal conduzida. O golpe ocorreu sem derramamento de sangue. O imperador foi levado sob custódia para Ropcha, uma propriedade imperial nos arredores de São Petersburgo, e morreu uma semana depois em circunstâncias que nunca foram totalmente esclarecidas.

4. Stefano Torelli, “A coroação de Catarina 2ª em 22 de setembro de 1762” (1777)

Galeria Tretiakov
Galeria Tretiakov

A grandiosa e magnífica cerimônia foi realizada na Catedral da Dormição do Kremlin de Moscou. As festividades se estenderam por cerca de seis meses. O povo recebia alimentos de graça, enquanto a nobreza se divertia em bailes. O ponto alto foi o grande carnaval de rua “Minerva Triunfante”, do qual participaram cerca de quatro mil pessoas.

5. Fiódor Rokotov, “Retrato da coroação de Catarina 2ª” (1763)

Galeria Tretiakov
Galeria Tretiakov

O vestido da imperatriz foi adornado com numerosas representações do brasão de armas do Estado, destinadas a reforçar a legitimidade de seu poder. Nenhum outro monarca russo compareceu à própria coroação com um traje decorado com tal simbologia. Até então, esse símbolo havia sido utilizado exclusivamente nas mantas de coroação.

6. Ivan Fiódorov, “A imperatriz Catarina 2ª visita Mikhail Lomonossov” (1884)

Domínio público
Domínio público

Um dos maiores cientistas da história da Rússia, Mikhail Lomonossov destacou-se como químico, físico, historiador, astrônomo, geógrafo, geólogo, poeta, artista e linguista. Catarina lhe concedeu proteção e, em 1764, visitou sua residência em São Petersburgo. Na ocasião, Lomonossov demonstrou à imperatriz suas invenções e realizou vários experimentos de física e química.

7. Jean-Michel Moreau, “O Bolo de Reis: Alegoria da Primeira Partilha da Polônia” (1773)

Museu Nacional de Varsóvia
Museu Nacional de Varsóvia

Na segunda metade do século 18, a outrora poderosa Comunidade Polaco-Lituana estava em declínio e se tornou um alvo fácil para seus vizinhos. Em 1772, a Rússia, a Áustria e a Prússia assinaram uma convenção para anexar parte de seu território, com base em reivindicações consideradas “tão antigas quanto legítimas”. Assim ocorreu a primeira das três partilhas da Comunidade Polaco-Lituana, que acabariam levando a seu desaparecimento do mapa político da Europa.

Na gravura, o artista retratou Catarina 2ª, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico José 2º, o rei da Prússia Frederico 2º e o atônito soberano polonês Estanislau 2º Augusto Poniatowski, que tenta, com dificuldade, manter a coroa sobre a cabeça.

8. Gunnar Berndtson, “Diderot discursando diante de Catarina 2ª” (1893)

Domínio público
Domínio público

Catarina 2ª considerava-se uma monarca educada e iluminada, mantendo correspondência com diversos grandes pensadores de sua época, entre eles Denis Diderot. Em 1765, ela adquiriu a biblioteca particular do filósofo, com o direito de transferi-la de Paris para São Petersburgo após sua morte, o que foi feito em 1785. Diderot visitou a Rússia uma única vez, em 1773, a convite da imperatriz.

9. Stefano Torelli, “Alegoria da vitória de Catarina 2ª sobre turcos e tártaros” (1772)

Galeria Tretiakov
Galeria Tretiakov

A vitória na guerra de 1768-1774 contra o Império Otomano permitiu à Rússia consolidar sua presença no litoral norte do Mar Negro e adquirir seus primeiros territórios na Crimeia, então conhecida também como Táurida. A Rússia reforçou sua posição de grande potência, enquanto o Império Otomano entrou em rápido declínio.

Stefano Torelli concluiu a obra em 1772. Ainda faltavam dois anos para o fim da guerra, mas seu desfecho já parecia inevitável. O artista retratou Catarina 2ª como Minerva, a deusa romana da sabedoria e da guerra.

10. Andreas Caspar Hüne, “Catarina 2ª entrega leis à Táurida” (1791)

Museu Estatal Tsárskoie Selô
Museu Estatal Tsárskoie Selô

No início da década de 1780, o Canato da Crimeia era apenas uma sombra de seu antigo poder e sofria com a forte pressão dos impérios Russo e Otomano. Na disputa pela península, a Rússia acabou prevalecendo.

Em 1782, eclodiu na Crimeia uma revolta antirrussa, e Catarina enviou tropas para reprimi-la. No ano seguinte, a imperatriz anexou o canato ao Império Russo.

11. Ivan Aivazóvski, "A chegada de Catarina 2ª a Teodósia” (1883)

Domínio público
Domínio público

Em 1787, quatro anos após a incorporação da Crimeia ao Império Russo, Catarina 2ª realizou uma viagem de seis meses à península. A grandiosidade do acontecimento impressionou os contemporâneos: a comitiva imperial reunia cerca de três mil pessoas. A soberana ficou encantada com o que viu e chamou Táurida de “a mais bela joia de sua coroa”.

12. Dmitri Levítski, “Retrato de Catarina 2ª como Legisladora no templo da deusa da Justiça” (1783)

Galeria Tretiakov
Galeria Tretiakov

O artista retratou a imperatriz como uma sacerdotisa pagã em um templo clássico dedicado à deusa Têmis. Ao seu lado há um altar onde ela está queimando flores de papoula, símbolo de serenidade pessoal. O gesto representa o sacrifício da própria paz em favor do bem comum.

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