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Como era comer fora no Império Russo

I. I. Brodsky Apartment-Museum, St. Petersburg
Onde os nobres faziam suas refeições de almoço e jantar, e onde comiam as pessoas de recursos modestos? Quem administrava os estabelecimentos de bebidas do período pré-revolucionário e quais pratos constavam em seus cardápios?

Tavernas

Museu Russo

Um desses estabelecimentos, construído em 1720 em São Petersburgo, na Praça Troitskaya (Trindade), tornou-se famoso por ser frequentado assiduamente pelo tsar Pedro 1º. No entanto, sob o governo de seus sucessores, as tavernas passaram a ser estabelecimentos mais acessíveis, que ofereciam culinária simples e vinho mais barato.

Muitas tavernas permaneciam abertas até as 7 da manhã, atraindo um público que dificilmente poderia ser considerado respeitável. Esses estabelecimentos públicos não eram conhecidos por sua limpeza e eram sempre barulhentos; além do mais, os clientes que já haviam bebido demais costumavam iniciar brigas.

Restaurantes

Os restaurantes começaram a surgir no início do século 19 como estabelecimentos frequentados pela elite. Inicialmente, funcionavam exclusivamente como parte de hotéis, porém, mais tarde, tornaram-se independentes. Dândis e membros da alta sociedade frequentavam esses espaços sofisticados.

Na disputa pela clientela, os proprietários tentavam superar a concorrência com a decoração de interiores: construíam jardins de inverno e decoravam os salões com plantas exóticas, fontes, varandas e paredes espelhadas. Os cardápios também impressionavam pela variedade e requinte: era possível degustar os licores mais caros e os vinhos estrangeiros mais raros; frutas eram importadas diretamente de países tropicais; doces e produtos de confeitaria vinham da Bélgica e da Suíça; enquanto foie gras (patê de fígado de ganso) e trufas eram trazidos da França.

Cafés e casas de chá

Domínio público

As primeiras cafeterias apareceram na Rússia em meados do século 18, em São Petersburgo. Seus cardápios, além do café, incluíam geleias, sorvetes, chocolate, frutas, limonada e doces. Por outro lado, era proibido servir pratos quentes ou bebidas alcoólicas, bem como instalar mesas de bilhar nesses estabelecimentos.

O que estava na moda no exterior também chegava à mesa dos consumidores russos: nougat, marzipã, sorvete, chocolate, doces e biscoitos. Como resultado, no final do século 18, começaram a surgir também confeitarias e docerias especializadas exclusivamente em sobremesas.

Muitos intelectuais da esfera cultural se reuniam nesses locais; acompanhados de café e doces, discutiam tendências literárias, rascunhos de obras futuras e planos para a publicação de periódicos.

As casas de chá ganharam espaço na Rússia relativamente tarde — o primeiro estabelecimento do tipo foi inaugurado apenas em 1882. No entanto, tornaram-se um fenômeno, brotando ao longo de rodovias, perto de estações de correio e ferroviárias, e nas imediações de mercados e teatros. Com o chá, era oferecido também pão fresco, manteiga batida, creme de leite e açúcar. Bules polidos, do tipo samovar, eram decorados com “bubliki” e “baranki” quentes (dois tipos de pães em formato de anel), enquanto cestas de vime continham sempre “sukhari” e “suchki” (rosquinhas crocantes).

Cantinas e refeitórios

No início do século 18, surgiram em São Petersburgo os primeiros estabelecimentos de refeições, conhecidos como “kukhmusterskaias”. Eles eram destinados a pessoas de recursos modestos: artesãos, funcionários de baixo escalão e comerciantes menores.

Quase todos esses estabelecimentos vendiam refeições para entrega em domicílio. Pratos prontos eram entregues a estudantes, inquilinos e homens solteiros que, embora não tivessem dinheiro suficiente para manter uma cozinha própria e contratar um cozinheiro, preferiam fazer suas refeições em casa.

No final do século 19, os refeitórios substituíram esses estabelecimentos, passando a oferecer aos clientes café da manhã, almoço e jantar em porções individuais.

Os refeitórios funcionavam diariamente, das 12h às 16h. Os clientes que possuíam um passe mensal tinham direito a um armário individual no local, onde podiam guardar guardanapos, jornais ou livros para ler durante as refeições e, em alguns casos, até mesmo os seus próprios talheres.

Você pode encontrar a versão completa deste artigo (em russo) no site Culture.ru

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