5 fatos surpreendentes sobre o Daguestão

Vladimir Zapletin / Getty Images
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A república mais ao sul da Rússia possui uma localização notável: parte dela está situada nas montanhas do Cáucaso; outra parte, nas suas encostas; e há também uma parcela na costa do Mar Cáspio. Além disso, historicamente, desenvolveu-se ali uma diversidade cultural e étnica igualmente singular.

1. A região mais multiétnica da Rússia

Normalmente, o status de "república" significa que, além do russo, o idioma da maioria étnica local é reconhecido como língua oficial. No entanto, no Daguestão, não existe somente um idioma regional – são 14! Esse é exatamente o número de grupos étnicos reconhecidos como nativos no Daguestão, e todos os seus idiomas possuem status de igualdade.

Segundo as estimativas mais conservadoras, entre os 3,2 milhões de habitantes do Daguestão, vivem cerca de 100 grupos étnicos que falam mais de 50 idiomas. Tal diversidade linguística e étnica foi preservada porque, historicamente, existia ali um sistema de comunidades autônomas.

M. Magomedkhanov/Cortesia da editora SLOVO
M. Magomedkhanov/Cortesia da editora SLOVO

É interessante notar que, para se comunicarem entre si, os representantes de diferentes povos utilizam o russo — que desempenha um papel de língua comum. Na maioria das vezes, os moradores do Daguestão conseguem identificar prontamente a origem étnica de uma pessoa e, caso necessário, mudar para outro idioma. O maior grupo étnico local é o dos ávares, seguidos pelos dárguas, cumiques, lezguianos e laques.

2. Onde viveram os povos mais antigos do planeta

Arqueólogos determinaram que, há 2 milhões de anos, os seres humanos mais antigos chegaram ao Cáucaso, provenientes de sua terra natal no Oriente Médio. Vestígios da presença desses povos ancestrais foram encontrados nas montanhas do Daguestão, em locais como Ainikab, Mukhkai e Gegelachur. Durante as escavações, foram descobertas ferramentas de pedra (machados) que datam de um período entre 2 milhões e 7.000 anos atrás.

O. Gadjiev/Cortesia da editora SLOVO
O. Gadjiev/Cortesia da editora SLOVO

Nessa região, os arqueólogos conseguem rastrear a história da humanidade. É possível encontrar pinturas rupestres, objetos de cerâmica e artefatos da Idade do Bronze, como moedas e pontas de flecha, entre vários outros itens.

3. Reúne vestígios de todas as principais civilizações antigas

Ao longo da costa, passava a chamada "Rota do Cáspio" — ramificação da famosa Rota da Seda, que conectava o Ocidente ao Oriente. Por isso, nas áreas costeiras, é possível encontrar artefatos de várias civilizações antigas, incluindo as do Irã, Índia, Síria, Egito, do Reino do Bósforo e até mesmo do Império Romano.

Z. Ataev/Cortesia da editora SLOVO
Z. Ataev/Cortesia da editora SLOVO

Arqueólogos encontraram, por exemplo, conjuntos inteiros de moedas de bronze do rei egípcio Ptolomeu 5º Epifânio (205–180 a.C.), bem como moedas da dinastia ptolomaica do Egito, pertencentes ao período helenístico.

4. Diversos Estados ocuparam o território do Daguestão

O primeiro Estado, conhecido como “Albânia Caucasiana”, apareceu na região por volta do século 1 a.C.

Com o passar do tempo, o cristianismo foi se difundindo. Mais tarde, as terras do Daguestão foram governadas pelos hunos e pelos cázaros, ao passo que tártaro-mongóis e árabes também tentaram conquistar a região. Surgiram, ainda, lendas sobre a corajosa resistência dos habitantes do Daguestão perante o famoso conquistador Tamerlão.

Cabe ressaltar que o islamismo, predominante hoje na república, consolidou-se ali apenas por volta do século 15, embora tenha surgido bem antes, sob a influência do Califado.

Muitos Estados autônomos também existiram no território do atual Daguestão.

O Irã foi quem manteve a influência e o domínio mais duradouros sobre essa área; tanto é que os iranianos construíram a fortaleza de Narin-Kala, em Derbente — a mais antiga em todo o território russo.

As relações do Daguestão com a Rússia são complexas. Governantes russos tentaram realizar campanhas militares na região, porém, sem sucesso. Em algumas ocasiões, líderes locais do Daguestão solicitaram proteção à Rússia e tornaram-se súditos do império. O Daguestão viu-se, assim, no epicentro das guerras russo-persas e russo-turcas.

A região passou a integrar o Império Russo em 1813, com a assinatura do Tratado de Gulistão entre a Rússia e a Pérsia; entretanto, as autoridades tiveram de enfrentar rebeldes locais até praticamente o final do século 19.

5. Uma terra dos lutadores

Na época do Império Russo, o lutador Sali-Suleiman (nascido Mammadali Mammadov) ficou famoso por todo o país, apresentando-se em circos e demonstrando suas habilidades e força. Suleiman jamais perdeu uma luta sequer ao longo de sua carreira e consagrou-se bicampeão mundial. Durante o período soviético, desenvolveu-se no Daguestão uma sólida escola de luta e treinamento de força, que ainda permanece renomada para além das fronteiras da Rússia.

Museu Nacional da Reública do Daguestão
Museu Nacional da Reública do Daguestão

Ao que parece, o próprio clima e o terreno montanhoso sempre favoreceram o desenvolvimento de força física e resistência. Diariamente, os moradores locais descem e sobem encostas íngremes e percorrem trilhas perigosas nas montanhas. Desde a antiguidade, cada "aul" (pequeno vilarejo nas montanhas) formava destacamentos paramilitares de autodefesa; além disso, é possível encontrar representações de lutadores até mesmo em relevos de pedra que remontam ao século XIV. Portanto, o espírito de luta está no sangue dos daguestaneses.

V. Matveev/Cortesia da editora SLOVO
V. Matveev/Cortesia da editora SLOVO

Não é por acaso que, atualmente, o ex-lutador mais famoso do mundo — o campeão do UFC Khabib Nurmagomedov — também vem do Daguestão (embora ele esteja longe de ser o único atleta de sucesso da região).

Os moradores locais até brincam: “Jogue uma pedra em uma multidão e você acertará um Mestre do Esporte; jogue duas pedras e acertará campeões europeus; jogue um punhado de pedras e acertará campeões olímpicos!”

Leia mais sobre essas e outras curiosidades no novo livro “Daguestão: História, Cultura, Identidade” (SLOVO, 2026), coredigido por 26 autores do próprio Daguestão. Em breve, obra será publicada também em inglês.

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