Por que o lobo é ao mesmo tempo uma ameaça e uma salvação nos contos de fadas russos?

OpenAI
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Ele se doa, protege e vinga. Onde estaria Ivan Tsarévitch sem a ajuda do Lobo Cinzento? Muito provavelmente, em um caixão…

A natureza do lobo dos contos de fadas russos é complexa. Por um lado, ele é um habitante da floresta, que os antigos eslavos associavam ao “outro mundo”, isto é, o mundo dos mortos. Assim, seria uma fonte de perigo. Por outro lado, é também retratado como um mediador entre os mundos, pois pode entrar livremente no mundo dos humanos e até mesmo auxiliar o herói do conto de fadas em suas difíceis provações, como mostra o conto “Ivan Tsarévitch e o Lobo Cinzento”.

Galeria Tretiakov “Ivan Tsarévitch sobre o Lobo Cinzento”, de Víktor Vasnetsov.
Galeria Tretiakov

De acordo com a teoria clássica do folclorista Vladímir Propp, um conto de fadas é construído a partir de um conjunto de funções recorrentes que podem ser desempenhadas por diferentes personagens.

O Lobo Cinzento, nesse contexto, é um típico “ajudante milagroso, uma criatura que fornece ao herói um remédio mágico, o transporta, obtém os itens necessários e, por fim, o salva da morte". O lobo substitui o cavalo do herói, carrega-o por vastas distâncias e mostra-lhe o caminho até o Pássaro de Fogo, o cavalo de crina dourada e Elena, a Bela. Depois que Ivan é morto por seus irmãos, o lobo o revive com a ajuda de “água morta e água viva”. Ao longo da história, o animal fala com voz humana, avisa o herói dos perigos e lhe dá instruções.

Desse modo, o lobo combina vários papéis em si, que, em outros contos de fadas, poderiam ser distribuídos entre diferentes personagens. Paralelamente, ele mantém a dualidade de sua natureza: antes de ajudar Ivan, o lobo come seu cavalo, o que pode ser interpretado como um sacrifício ao submundo.

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