Qual a relação entre os povos indígenas do extremo norte da Rússia e os húngaros?
A língua húngara é diferente de qualquer uma de suas vizinhas europeias. Os parentes mais próximos desse idioma vivem, na verdade, no extremo norte da Rússia — são os povos khanty e mansi.
Isso parece inesperado e surpreendente, visto que milhares de quilômetros separam Budapeste da região de Khântia-Mânsia. No entanto, um olhar para as profundezas da história faz tudo se encaixar.
Os cientistas acreditam que os ancestrais comuns desses três povos étnicos viveram nos Montes Urais — na área do atual Bascortostão — até aproximadamente meados do primeiro milênio a.C., após o qual seus caminhos se separaram.
Os ancestrais dos khanty e dos mansi migraram para o norte, para os Montes Urais polares e a Sibéria Ocidental, preservando o modo de vida tradicional como caçadores e pastores de renas. Já os ancestrais dos húngaros, migraram para o oeste, instalando-se na região do Rio Danúbio no final do século 9.
O húngaro, o khanty e o mansi são as únicas línguas do ramo úgrico da família linguística fino-úgrica. Muitas palavras nessas línguas são semelhantes, por exemplo:
Peixe: húngaro – ‘hal’, mansi – ‘хӯл’ (khuul), khanty – ‘хӯл’ (khuul).
Dois: húngaro – ‘két’, mansi – ‘кӑт’ (kit), khanty – ‘кӑт’ (kat).
Cavalo: húngaro – ‘ló’, mansi – ‘лўв’ (luuv), khanty – ‘лов’ (lov).
No entanto, ao longo de centenas de anos de isolamento, as línguas foram acumulando um grande número de diferenças, de modo que húngaros, khantys e mansis provavelmente não se entenderiam mais sem a ajuda de um intérprete.
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