Como se preparar para uma viagem ao ‘Polo do Frio’ na Rússia

Aiar Varlamov / Sputnik
Aiar Varlamov / Sputnik
No auge da temporada de frio, cada vez mais turistas estrangeiros e russos se aventuram pela nevada Iakútia, no extremo oriente do país. Afinal, todos querem saber como é o verdadeiro inverno.

A Iakútia é a parte mais fria da Rússia e a cidade de Verkhoiansk, assim como a vila de Oimiakon, são os assentamentos mais frios dessa região. É lá que foram registradas temperaturas abaixo de -67°C. Ver com os próprios olhos como as pessoas vivem no ‘Polo do Frio’ é o sonho de muitos viajantes. Mas, como se preparar para uma viagem como essa para garantir uma experiência sem perrengues?

Como chegar ao ‘Polo do Frio’

Legion Media Mercado de peixe em Iakutsk, a capital da região
Legion Media

A viagem geralmente começa em Iakutsk, a capital da república. Esta é uma cidade importante (com uma população de cerca de 400.000 habitantes) que pode ser alcançada de avião a partir de Moscou, São Petersburgo, Novosibirsk e outras cidades russas. Há também conexão aérea direta com Harbin, na China.

Oimiakon está situada a cerca de mil quilômetros de Iakutsk, e Verkhoiansk, a cerca de 1.300 km de distância. Para chegar a Oimiakon, são necessários dois dias em um veículo especialmente preparado, com uma pernoite no povoado de Khandiga; já para chegar a Verkhoiansk, é preciso voar para o povoado de Batagai e, em seguida, continuar de carro.

Vadim Skriábin / TASS Estela em Oimiakon
Vadim Skriábin / TASS

Em ambos os casos, é melhor entrar em contato com uma agência de viagens, pois não há transporte público regular nessas rotas. E não se esqueça de providenciar um visto, se necessário.

Qual é a melhor época para visitar Oimiakon?

Andrei Sorôkin / Sputnik Cavalos caminhando a -50°C na Iakútia
Andrei Sorôkin / Sputnik

O inverno lá dura do final de setembro até meados de maio, sendo janeiro e fevereiro os meses mais frios. A melhor época para uma viagem é do final de março até meados de abril. Nesse período, ainda faz frio, mas os dias já duram de 13 a 14 horas. Também é nessa época que costumam rolar festivais de inverno tradicionais e eventos esportivos.

É importante lembrar que não se pode contar com hotéis ou restaurantes de luxo ao longo desse roteiro, mas não se preocupe: haverá sempre água quente e um quarto aquecido em uma pousadinha. 

Como se vestir para a viagem

Slava Lyufa/Anadolu / Getty Images
Slava Lyufa/Anadolu / Getty Images

O princípio básico é o uso de camadas. Várias peças de roupa quentes são mais eficazes do que uma única peça “muito quente”. Os moradores locais vestem-se da seguinte forma:

  • segunda pele (roupa térmica): de preferência, duas camadas — uma camada inferior para absorver a umidade e outra superior para reter o calor. Dois pares de meias quentes
  • camada intermediária: calças de lã ou flaneladas e um suéter (ou roupas comuns do dia a dia)
  • opcional: uma roupa quente de esqui
  • agasalho: um casaco comprido de plumas ou um casaco de pele. Vários gorros (às vezes, usar um sobre o outro)
  • calçado: tradicionais botas de feltro ‘válenki’, tradicional bota de pele iacuta ‘unti’, ou qualquer outro calçado com sola bem grossa e forro de pele
  • acessórios: luvas ou mitenes (luvas com ‘dedos cortados’) são essenciais (de preferência, duas camadas), assim como uma balaclava, um cachecol ou um lenço grande para proteger o rosto do vento.

Segurança no frio extremo

Anna Labedínskaia / Sputnik Durante o evento esportivo ‘Polo do Frio’
Anna Labedínskaia / Sputnik

Muitos turistas, especialmente estrangeiros, têm pouca noção do que é o frio abaixo de -40°C. Mesmo atletas experientes devem lembrar que nem todos (ou nem todos os equipamentos) conseguem suportar tais condições.

  • aparelhos eletrônicos: no frio, as baterias de smartphones e câmeras descarregam instantaneamente. Leve baterias extras e mantenha-as próximas ao corpo
  • alimentação: Faça refeições quentes e consuma bebidas quentes. Também é melhor evitar bebidas álcoolicas, pois elas criam uma ilusão de calor, mas aceleram a perda dele
  • saúde: aos primeiros sinais de congelamento (pele esbranquiçada, perda de sensibilidade), entre imediatamente em um local aquecido e aqueça-se

BÔNUS: O que mais ver na viagem além do inverno?

Em Iakutsk, você pode ver e tocar o permafrost, experimentar a culinária local e mergulhar no mundo do cinema iacuto.

Slava Lyufa/Anadolu / Getty Images
Slava Lyufa/Anadolu / Getty Images

Em Oimiakon,

  • tire uma foto em frente à estela que exibe a temperatura mais baixa já registrada
  • conheça Chyskhaan, o “espírito do frio” dos iacutos
  • observe a raça de cavalos iacuta, única em seu território
  • veja o rio que não congela (afinal, Oimiakon significa “água não congelada”). A temperatura da água é de cerca de 4°C  e os mais corajosos podem até dar um mergulho para sentir o contraste.
Ilia Naimúchin / Sputnik
Ilia Naimúchin / Sputnik

Em Verkhoiansk,

  • tire uma foto com o monumento ‘Polo do Frio’
  • visite o museu de história local
  • veja a aurora boreal. Verkhoiansk está localizada acima do Círculo Polar Ártico (67°33′N), por isso, é possível observar auroras intensas durante quase todo o inverno.

Ao longo do trajeto, os visitantes se deparam, ainda, com vilarejos tradicionais iacutos e estradas de inverno (“zimniki”) sobre rios congelados — boa viagem e que a temperatura no seu termômetro nunca caia abaixo de -60 °C!

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