7 tecnologias espaciais soviéticas e russas que mudaram o mundo

Janela para a Rússia (Foto: mechanick, Matthias Kulka/Getty Images, Sputnik, Григорий Сысоев/Sputnik)
Janela para a Rússia (Foto: mechanick, Matthias Kulka/Getty Images, Sputnik, Григорий Сысоев/Sputnik)
Das comunicações via satélite aos brinquedos de parques de diversões, muitas coisas do nosso dia a dia são baseadas em inovações soviéticas e russas originalmente desenvolvidas para viagens espaciais.

1. Comunicações via satélite

O conceito de comunicações via satélite foi proposto em 1945 pelo cientista britânico Arthur C. Clarke. Em seu artigo, ele propôs o uso de satélites de retransmissão em órbita. Mas foram os cientistas soviéticos que o tornaram realidade.

Em 4 de outubro de 1957, a URSS lançou com sucesso o primeiro satélite artificial do mundo. Isso marcou o início da era espacial e lançou as bases para as comunicações via satélite: sinais emitidos de objetos espaciais poderiam ser recebidos na Terra.

Sputnik Painéis solares e antenas parabólicas do satélite de comunicações Molnia-1
Sputnik

Em 23 de abril de 1965, a União Soviética lançou o satélite de comunicações ‘Molnia-1’ (‘Relâmpago-1’) em órbita. Esse foi um marco tecnológico que permitiu, pela primeira vez, a transmissão de sinais de televisão, telégrafo e telefone para as regiões remotas do Extremo Oriente soviético.

Imagine só: naquela época, os moradores de Vladivostok podiam assistir ao desfile do Dia do Trabalho na Praça Vermelha, enquanto os moscovitas tinham a possibilidade acompanhar o desfile da Frota do Pacífico no extremo oriente.

A. Kanachevitch / Sputnik Fotografia do Kremlin de Moscou tirada durante uma transmissão televisiva utilizando o satélite Molnia-1 e publicada no jornal Pravda em 28 de maio de 1965
A. Kanachevitch / Sputnik

Alguns anos depois, o sistema ‘Orbita’, baseado nos satélites ‘Molnia’, levou a televisão central a milhões de pessoas no Extremo Norte, na Sibéria e no Extremo Oriente. As tecnologias desenvolvidas para os ‘Molnia’ ainda representam a base das comunicações via satélite de hoje em dia.

2. Glonass

Valéri Gacheiev / TASS Modelo da espaçonave do Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass)
Valéri Gacheiev / TASS

O Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass) nasceu em 1982. Inicialmente utilizado para fins militares, a tecnologia está disponível também para uso cotidiano.

O Glonass determina a localização em qualquer lugar do planeta por meio de 24 satélites que operam em três planos orbitais. Diferentemente do GPS, esses satélites se movem no sentido anti-horário em relação à rotação da Terra.

Ruslan Krivobok / Sputnik
Ruslan Krivobok / Sputnik

O ‘Glonass’ é utilizado atualmente em smartphones, carros, mapas móveis e vários outros aplicativos.

3. Trajes de reabilitação

Na ausência de gravidade, os músculos atrofiam, pois deixam de sofrer a carga gravitacional a que estão acostumados quando em Terra. Para evitar isso, especialistas soviéticos desenvolveram o traje profilático “Pinguim”, que simula o esforço que a gravidade terrestre exige da nossa musculatura e esqueleto. Ele foi usado pela primeira vez em 1971 a bordo da estação espacial Salyut-1.

V. Kisseliov / Sputnik Traje de proteção profilático Pinguim-3
V. Kisseliov / Sputnik

Este modelo serviu de base para os trajes de reabilitação para crianças com paralisia cerebral. Roupas semelhantes também auxiliam na recuperação de AVCs, traumatismos cranioencefálicos e distúrbios de coordenação.

4. Bioimpressoras

Essas bioimpressoras 3D “imprimem” órgãos e tecidos vivos a partir de células. Elas são necessárias não somente para fins médicos, mas também, por exemplo, para criar produtos a partir de células de vaca ou de peixe. E a impressão requer ausência de gravidade – pelo menos por enquanto.

Aleksêi Maichev / Sputnik Experimento in situ utilizando um braço robótico KUKA para bioimprimir um implante; técnica minimiza o risco de complicações infecciosas após o procedimento
Aleksêi Maichev / Sputnik

A primeira bioimpressora do mundo projetada para o espaço foi criada pela empresa russa ‘3D Bioprinting Solutions’. Em 2018, eles enviaram a bioimpressora magnética ‘Organ.Aut’ para a Estação Espacial Internacional (EEI), onde o cosmonauta Oleg Kononenko imprimiu com sucesso tecido cartilaginoso humano e uma glândula tireoide de rato no espaço – representando mais uma conquista inédita,

Os experimentos continuam até hoje, com diversos países desenvolvendo bioimpressoras para o espaço.

5. Alimentos liofilizados

O método de liofilização foi inventado em 1921 pelo engenheiro de mineração russo Gueórgui Lappa-Starjenetski. O processo remove a umidade de um produto a vácuo e em baixas temperaturas, preservando seu sabor e valor nutricional.

L. Nosov / Sputnik Ração de bordo para a tripulação da estação orbital Saliut. Museu do Centro de Treinamento de Cosmonautas na Cidade das Estrelas
L. Nosov / Sputnik

Na década de 1960, os cientistas soviéticos industrializaram tal tecnologia especificamente para cosmonautas, já que esse tipo de refeição era leve e não exigia refrigeração.

Hoje em dia, alimentos liofilizados estão por toda parte: de comidas para viagem a papinhas em sachês e frutas secas.

6. Comida em tubos

A primeira refeição espacial do mundo foi consumida por Guêrman Titov em agosto de 1961 — consistia em sopa de purê de legumes, patê de fígado e suco de cassis. Os engenheiros tiveram a ideia de colocar comida espacial em tubos – e ela ainda é produzida dessa forma atualmente.

Sputnik
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As mesmas linhas de produção também fabricavam produtos para o dia a dia, como mostarda, leite condensado, patês e outros. A embalagem em tubo continua sendo um formato comum em todo o mundo.

7. Brinquedos de parques de diversões

Aleksandr Mokletsov / Sputnik Centro de Treinamento de Cosmonautas Iúri Gagárin na Cidade das Estrelas. Esta é uma centrífuga usada para treinar cosmonautas para suportar a força G durante o voo
Aleksandr Mokletsov / Sputnik

Nos anos 1970, os simuladores de treinamento para cosmonautas acabaram se tornando protótipos para os brinquedos de parques de diversões na União Soviética. Os visitantes podiam testar seu sistema vestibular e se divertir em atrações como a “Centrífuga” (também conhecida como “Surpresa”) e a “Órbita”, além de se aventurar em balanços giroscópicos.

Leon Dubilt / Sputnik Uma das atrações da Exposição de Conquistas da Economia Nacional (VDNKh), 1974
Leon Dubilt / Sputnik

Hoje em dia, existem até atrações que simulam a ausência de gravidade.

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