Síncrotron superpotente de próxima geração é inaugurado na Sibéria. Por que ele é tão importante?
Uma nova maravilha tecnológica surgiu nos arredores de Novosibirsk: a Fonte de Fótons do Anel Siberiano (SKIF, em russo). Nesta instalação de pesquisa compartilhada, centenas de cientistas podem trabalhar simultaneamente e fazer descobertas. O vasto complexo contém 34 edifícios que se estendem por uma área de 90.000 metros quadrados. Os primeiros experimentos começam ainda neste mês, mas o lançamento com potência total está planejado para setembro.
Como funciona o SKIF?
Em poucas palavras, o SKIF é um síncrotron. Mas o que é um síncrotron? Trata-se de um dispositivo para estudar a estrutura e as propriedades da matéria. O de Novosibirsk é um acelerador em forma de anel de 476 metros que gera uma radiação sincrotrônica única em um amplo espectro.
(um pouquinho mais de ciência: partículas carregadas se movem em círculo em um campo eletromagnético a uma velocidade próxima à da luz, gerando esse tipo de radiação)
Esta radiação sincrotrônica é milhões de vezes mais brilhante do que, por exemplo, os raios-X convencionais. Isso permite que ela penetre profundamente em qualquer material e em lugares onde os cientistas jamais conseguiram observar antes.
E o que torna o novo síncrotron siberiano diferente? Anteriormente, a Rússia tinha dois síncrotrons: o síncrotron do Instituto Kurtchatov em Moscou e o complexo acelerador no Instituto de Física Nuclear Budker, da Academia de Ciências da Rússia, em Novosibirsk.
O novo centro científico abriga o primeiro acelerador de 4ª+ geração da Rússia — um dos mais poderosos do mundo. Em máquinas mais antigas, o feixe de partículas ficava um pouco disperso, mas, na nova, ele é rigidamente focado e comprimido. Em termos gerais, é como mudar de uma lanterna para um apontador laser, de modo que a precisão do feixe e a clareza dos resultados se tornam muito superiores.
Qual é o benefício prático?
Para onde os cientistas apontarão essa super-luz ultraprecisa e em quais campos ela será útil?
- Arqueologia, geologia e ciências da vida
Os cientistas poderão olhar a fundo os achados arqueológicos e fósseis paleontológicos, obtendo novas percepções sobre as origens da vida na Terra e impulsionando avanços nas ciências da vida e na ciência dos materiais. Assim, será possível saber mais sobre como nossos ancestrais e até mesmo os dinossauros viviam.
O síncrotron também pode ser usado para estudar restos orgânicos e analisar materiais em obras de arte. Por exemplo, alguns anos atrás, os cientistas do Instituto Kurtchatov usaram um equipamento desses para reconstruir a aparência e as doenças de uma pessoa a partir de uma múmia egípcia antiga.
- Indústria, espaço e engenharia de energia
Pesquisadores poderão entender como os materiais se comportam em condições extremas, por exemplo, sob pressões, temperaturas e cargas de impacto altíssimas, e transportar essas descobertas para a indústria. De acordo com a Academia de Ciências da Rússia, o síncrotron permitirá a criação de materiais sob medida para aviação, espaço e energia, bem como novos catalisadores para a produção de óleo e gás e tecnologias de ponta em microeletrônica.
- Medicina
O mais importante é que o síncrotron trará avanços para a medicina. Os cientistas poderão estudar as propriedades e o comportamento dos vírus em maior detalhe. Tal análise aprofundada deverá ajudar a desenvolver terapias-alvo inovadoras e permitir o desenvolvimento de articulações e órgãos artificiais, bem como ajudar a desbloquear propriedades anteriormente desconhecidas do cérebro.
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