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Os 5 gatos mais famosos da literatura russa

OpenAI
Embora os gatos sejam hoje as estrelas de memes e vídeos de IA, há apenas 100 anos eles eram temidos e evitados.

A imagem do gato na literatura russa passou por uma transformação — de um monstro perigoso a um personagem multifacetado. Já foram retratados como assustadores e seres de outro mundo, mas também como animais fofinhos, adoráveis ​​e prestativos. Tanto que alguns deles cravaram suas garras na cultura nacional.

‘Baiun’ dos Contos de Fadas

Baiun. Illustração de K. Kuznetsov para a coleção “Contos Folclóricos Russos”
Domínio público

‘Baiun' significa falador, contador de histórias. Este é um monstro devorador de homens dos contos de fadas russos, cuja imagem combina as características de gato e de sereia. A aparência é do gato — parece um felino, porém enorme. Já a voz, mágica e soporífera, é de sereia. Baiun acalma os viajantes com suas histórias e canções, com a intenção de matá-los. Nos contos de fadas, o herói tem a tarefa de capturar um gato assim – o que significa, claro, que ele morre na missão.

‘Vaska’ da fábula 'O Gato e o Cozinheiro’, de Ivan Krilov

Vaska. Pintura de S. I. Gribkov. 1854
Domínio público

O enredo desta famosa fábula é simples: um cozinheiro bêbado volta da taverna para a cozinha e descobre que, enquanto estava fora, seu gato comeu uma torta e agora está devorando um frango. O cozinheiro, com grande inspiração e eloquência, repreende o gato por seu crime. No entanto, o gato “escuta e come”. Enquanto o cozinheiro está lá falando, Vaska consegue não apenas terminar o frango, mas também outro assado. A moral da história poderia ser: não recorra a palavras quando é necessário agir. Mas será mesmo que o sentido da fábula é tão direto assim? Não há dúvidas de que Vaska é o queridinho do cozinheiro — que se limita a repreender o bichano não porque seja incapaz de tomar uma atitude decisiva, mas porque geralmente fica feliz em deixá-lo comer qualquer coisa que lhe apeteça.

‘Gato sábio’ do poema ‘Ruslan e Liudmila’, de Aleksandr Púchkin

Vladímir Viátkin / Sputnik

Púchkin parecia adorar gatos — afinal, esses bichanos aparecem em uma grande variedade de suas obras. Um gato “lava os convidados” em ‘Eugênio Onêguin’, o ferreiro Arkhip resgata um gato do telhado da propriedade em chamas de um nobre em ‘Dubrovsky’, e o gato em ‘O Conde Nulin’ é apelidado de “o animal de estimação do criado”. No entanto, o felino mais famoso do poeta é o “gato sábio” do prólogo de ‘Ruslan e Liudmila’. Este seria um descendente direto do já citado Baiun; no poema de Púchkin, porém, trata-se de uma versão “segura e domesticada” do monstruoso gato.

‘Gato bruxo’ da história ‘Noite de Maio, ou A Donzela Afogada’, de Nikolai Gógol

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Na obra de Gógol, a imagem do gato é frequentemente associada a temas de bruxaria e licantropia. Essa figura permeia várias de suas obras, atingindo seu ápice em “Noite de Maio, ou A Donzela Afogada”. A jovem esposa de um centurião, que se revela uma bruxa, assume a forma de um gato preto maligno para destruir sua enteada. O gato é descrito de uma forma bem vívida: tem pelos “em chamas” e “garras de ferro” que tilintam no chão. O gato rasteja pelo quarto, depois ataca o pescoço de sua vítima e começa a estrangulá-la. A garota pega o sabre de seu pai e corta a pata do gato e, na manhã seguinte, encontra a mão de sua madrasta enfaixada.

‘Behemoth’ do romance ‘O Mestre e Margarida’, de Mikhail Bulgákov

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Este é provavelmente um dos gatos mais impressionantes e encantadores da literatura russa. Ele é ao mesmo tempo um lobisomem, um bobo da corte adorado e um membro do séquito de Woland. Rambém é enorme, “negro como fuligem ou um corvo-marinho e com um bigode selvagem de cavalaria”, anda sobre as duas patas traseiras e fala com uma voz humana. Além de tudo, tem o poder de mudar de forma. Como humano, ele é um “homem baixo e gordo com um boné esfarrapado e um rosto felino”. Behemoth fala com voz humana; bebe vodca e come cogumelos em conserva; mas também causa caos e incêndios; orquestra um tiroteio cômico com alguns tchekistas em um “apartamento barra pesada” e, em geral, se comporta como um trapaceiro. No final do romance, quando todos os membros do séquito de Woland tiram suas máscaras, Behemoth se transforma em um “jovem magrelo”.

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