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8 livros russos que entraram na nova lista dos 100 melhores do ‘The Guardian’

Janela para a Rússia (Foto: Companhia das Letras; Editora 34; Editora 34; Criado por Google Gemini)
O novo ranking das maiores obras literárias já publicadas em inglês foi selecionado por autores, críticos e acadêmicos do mundo todo, incluindo Stephen King.

Como qualquer outra lista dos melhores livros de todos os tempos, o ranking dos 100 melhores do jornal britânico ‘The Guardian’ não deixou de incluir autores russos. Detalhamos os livros que foram incluídos na lista, bem como a justificativa do jornal para tal escolha:

91º. Vassili Grossman, “Vida e Destino” (1959)

Vassili Grossman. Vida e destino. Alfaguara, 2014

“Grossman foi testemunha da Batalha de Stalingrado e dos campos de extermínio nazistas; escrito em 1959, seu épico sobre a vida na Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial, suprimido pelo regime e contrabandeado para o Ocidente depois de sua morte, é amplamente considerado o ‘Guerra e Paz’ soviético.”

Após passar mais de mil dias na frente de batalha, Vassili Grossman escreveu seu “Vida e Destino”, considerado um dos maiores romances de guerra de todos os tempos. Grossman observa e registra de maneira vívida a tragédia das pessoas vivendo em uma sociedade totalitária e em guerra. Como muitos de seus colegas, ele nunca viu o próprio trabalho publicado em vida. Sua saga indomável, conhecida como “O Guerra e Paz do século 21”, retrata a história dramática da vida de uma família durante a Batalha de Stalingrado. Mas o romance foi considerado “antissoviético” e precisou ser contrabandeado para fora do país. Em 1989, no final da perestroika, “Vida e destino” foi publicado pela primeira vez em russo. “Todas as pessoas são culpadas diante de uma mãe que perdeu seu filho na guerra, e tentam em vão se justificar diante dela ao longo da história da humanidade”, escreveu o autor do romance, cujos eventos se desenrolam de setembro de 1942 a fevereiro de 1943.

69º. Fiódor Dostoiévski, “Crime e Castigo” (1865-66)

Fiódor Dostoiévski. Crime e Castigo. Editora 34, 2016

“Em um romance que expõe de forma brilhante o abismo entre a teorização estéril e as relações humanas reais, um ex-estudante empobrecido chamado Raskólnikov decide cometer um assassinato para provar um ponto: que algumas pessoas não têm importância, enquanto outras são tão extraordinárias que as leis morais não se aplicam a elas. Infelizmente, sua consciência não coopera. Tomado pela culpa, atormentado por pesadelos e incentivado pela mulher por quem se apaixona, ele é levado a confessar.”

Na Rússia, conhecer o enredo e o significado deste livro é fundamental. O romance é muito sombrio, cheio de reflexões psicológicas e descrição de pessoas do pior tipo. Dostoiévski reflete sobre a natureza da violência e sobre as circunstâncias que podem forçar uma pessoa a tomar medidas extremas. Este romance também é uma importante declaração sobre a busca pelo sentido da vida.

66º. Mikhail Bulgákov, “O Mestre e Margarida” (1940)

Mikhail Bulgakov. O Mestre e Margarida. Alfaguara, 2010

“Nesta sátira da União Soviética, o diabo e sua comitiva – incluindo um vampiro e um enorme gato preto – causam o caos na Moscou oficialmente ateia. Assim como seu personagem, o Mestre, que está escrevendo um romance sobre Pôncio Pilatos e temendo a censura e a perseguição das autoridades, Bulgákov queimou o primeiro manuscrito em 1930; a fábula sombriamente divertida sobre o bem e o mal inspirou a música ‘Sympathy for the Devil’ dos Rolling Stones.”

“O Mestre e Margarida” é um dos romances favoritos dos russos. Considerado o mais importante livro de Bulgákov, foi publicado anos após a morte do escritor. A obra tem dois enredos paralelos. No primeiro, Satã e sua comitiva chegam a Moscou nos anos 1920 para se divertir. No segundo, Yeshua (Jesus) é julgado e executado em Jerusalém há 2.000 anos. Nessa obra metafísica, Satã é uma figura ambígua, “parte daquela força que eternamente deseja o mal e eternamente faz o bem”. O diabo de Bulgákov é contrastado com o novo mal — burocracia, socialismo e despersonalização. 

29º. Vladimir Nabokov, “Fogo Pálido” (1962)

Vladimir Nabokov «Fogo Pálido» Companhia Das Letras, 2004

“Uma delícia metaficcional que apresenta um poema de 999 versos de um poeta chamado John Shade, seguido pelo comentário delirante feito por seu vizinho e colega. Críticos debatem interminavelmente sobre como ler essa meditação astutamente espirituosa sobre sentido e loucura.”

Embora este livro tenha sido originalmente escrito em inglês, e não em russo, cabe destacar que Nabokov teve a ideia de escrevê-lo enquanto traduzia “Eugene Onêguin”, de Púchkin, e escrevia um comentário em quatro volumes sobre a obra.

26º. Fiódor Dostoiévski, “Os Irmãos Karamazov” (1878-1880)

Fiódor Dostoiévski. Os Irmãos Karamazov. Editora 34, 2019

"O último romance de Dostoiévski, no qual o assassinato de um cruel proprietário de terras lança suspeitas sobre seus filhos, aborda as maiores questões: o bem, o mal, o livre-arbítrio, o pecado original e a possibilidade de redenção humana, tudo explorado tendo como pano de fundo uma Rússia em meio a profundas transformações sociais. Tanto Einstein quanto Freud o consideravam o melhor romance já escrito.”

O livro é repleto de reflexões psicológicas e religiosas, mas também é um romance policial intrigante. Isso porque a história escrita em estilo de detetive é baseada em um escândalo real. Fiódor Karamazov tem três filhos, mas eles nunca tiveram boas relações com o pai. Até que um dia o pai é morto e um deles é suspeito do crime — que teria sido cometido por causa de uma mulher e por dinheiro —, embora nem tudo seja tão simples como parece. Há uma longa cena de julgamento e discursos de testemunhas que mantêm o leitor em suspense até o final. Leia um resumo curto do livro aqui

25º. Vladimir Nabokov, ‘Lolita’ (1955)

Vladimir Nabokov «Lolita» Alfaguara, 2011

“A confissão do pedófilo Humbert Humbert, o narrador mais deslumbrantemente não confiável da literatura, é um ato de equilíbrio infinitamente controverso. A primeira tiragem foi de apenas 5.000 exemplares. Até hoje, já vendeu mais de 50 milhões de cópias.”

7º. Lev Tolstói, “Guerra e Paz” (1863-69)

“Combinando amor, tragédia, filosofia e a história das guerras napoleônicas, Tolstói afirmou que sua epopeia em quatro volumes ‘não era um romance’; Dostoiévski discordou, descrevendo-a como a obra-prima da literatura russa.”

“Guerra e Paz” é reconhecido como um dos trabalhos literários mais importantes da história mundial. Essa obra-prima de Tolstói é um romance épico em quatro enormes volumes. Ao acompanhar o percurso de cinco famílias aristocráticas russas no período de 1805 a 1820, Tolstói narra a marcha e a derrota das tropas napoleônicas e seu impacto brutal sobre a vida dos personagens e sobre toda a história da Rússia. Com incrível maestria, Tolstói descreve o amor jovem, a traição, a infidelidade, a morte e as guerras sem sentido, além de oferecer uma descrição detalhada, profunda, colorida e historicamente precisa de Napoleão, do imperador russo Alexandre 1º, do general Kutuzov e de outras figuras históricas.

6º. Lev Tolstói, “Anna Kariênina” (1873-77)

Lev Tolstói. Anna Kariênina. Editora 34, 2021

“Embora o próprio Tolstói considerasse o romance ‘horrível’,  os leitores têm sido desde então atraídos pela profundidade das emoções e pela amplitude de sua representação da sociedade russa; William Faulkner o declarou o maior romance já escrito.”

Neste romance, Tolstói concentra-se na natureza da felicidade e da infelicidade na vida familiar. Com maestria, o autor conduz o leitor por um salão repleto de música, perfumes e vestidos de renda, em um ambiente de imagens vívidas e quase palpáveis que têm como pano de fundo a Rússia tsarista. Por outro lado, acompanhamos o proprietário de terras Lióvin ― alter ego de Lev Tolstói ― em sua busca pelo ideal de uma vida feliz no campo ao lado da jovem Kitty, bem como seus dilemas intelectuais em torno da fé e da justiça social.

Leia o resumo dessa obra-prima aqui, ou, se já estiver familiarizado com o livro, confira o guia peculiar sobre o complexo romance tolstoiano, que analisamos ponto a ponto aqui

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